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O Islã destrói o passado

4 de abril de 2015 - 3:47:46

E não para por aí, o histórico do EIIS se encaixa em um padrão de comportamento, comum e antigo, de destruição de objetos históricos pelos muçulmanos.

Alguns ataques visam objetos de outras religiões rivais como as igrejas ortodoxas no norte de Chipre (desde 1974), os Budas de Bamiyan no Afeganistão (em 2001), e a Sinagoga De Ghriba na Tunísia (2002), um templo Hindu histórico na Malásia (2006) e antiguidades assírias (“ídolos”) em Mossul (2015). Agindo sozinho, um cidadão saudita destruiu estátuas históricas no templo budista Senso-Ji em Tóquio em 2014. Esse perigo também não acabou: líderes islâmicos espalharam boatos sobre planos para destruir Persépolis no Irã, o Monastério de Sta. Catarina no Sinai e as Grandes Pirâmides do Egito.

Em alguns casos os conquistadores transformam os lugares sagrados não-islâmicos em islâmicos, afirmando com esse gesto a supremacia do Islã. Isso pode ser auferido convertendo-os em lugares sagrados islâmicos, como a Caaba em Meca, a Catedral de São João em Damasco e a Santa Sofia (Hagia Sophia) em Constantinopla ou construir em cima deles, como a Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém e Babri Masjid em Ayodhya na Índia.

Muçulmanos de uma determinada seita às vezes destroem o legado de outras seitas islâmicas. Fazem parte dessa lista a sepultura de Sidi Mahmoudou, uma estrutura medieval em Timbuktu (2012), túmulos Sufi na Líbia (2012) e as bibliotecas de Mossul (2015). A mais conhecida é a destruição conduzida pelos sauditas em Meca desde os anos de 1990, aplicando rígidos princípios wahhabistas de não-intervenção, ainda que a sepultura de Maomé em Medina esteja correndo algum risco.


O Talibã explodiu uma monumental estátua de Buda do século VI em 2001.

A destruição também acompanha os combates na guerra. O conflito sírio, desde 2011 tem sido particularmente devastador nesse quesito, com as batalhas causando graves danos a majestosas antiguidades como a Cidadela de Aleppo, a Mesquita de Umayyad e Crac des Chevaliers. Juntamente com o contrabando e outras atividades lucrativas para pagar pelo custo da guerra, conduzem ao roubo em grande escala e tráfico de antiguidades raras. Por exemplo, a UNESCO relata que o antigo sítio arqueológico de Apamea está “totalmente destruído”.

Estruturas antigas podem até ter sido demolidas porque o espaço que ocupavam era requerido para alguma coisa considerada urgente. A Autoridade Palestina jogou fora ruínas históricas preciosas do Templo do Monte como mero entulho em 2000 para construir uma mesquita. Em 2013, o Hamas destruiu parte do Porto de Anthedon de 3.000 anos em Gaza para fins militares e as autoridades turcas danificaram muralhas da era bizantina dos Jardins de Yedikule para construir uma piscina ornamental.


A Al-Qaeda bombardeou a Sinagoga de Ghriba na Tunísia em 2002.

E por último, há também as feridas culturais auto-perpetradas gratuitamente. Delas fazem parte a pilhagem de museus, bibliotecas e arquivos iraquianos (2003), o incêndio em 2011 do L’Institut d’Égypte e o saque do Museu Egípcio, a destruição em 2013 dos manuscritos em Timbuktu e o saque do Museu de Mallawi em Minya no Egito e a destruição em 2014 na Biblioteca Saeh em Trípoli no Líbano e no Museu de Arte islâmica no Cairo.

Por que o Islã inspira seus próprios adeptos a destruírem seu próprio patrimônio? Porque a humilhação consolida e reforça a superioridade do perpetuador. A destruição de estruturas dos infiéis confirma o poder superior dos muçulmanos e implicitamente a verdade do Islã. Paralelamente, eliminar os vestígios de muçulmanos rivais consolida a superioridade da interpretação de um islamismo sobre outros menos contundentes.


EIIS destruindo mesquitas xiitas em Mossul em 2014.

Embora a captura e apropriação de monumentos tenha começado nos primórdios do Islã (i.e. a Caaba), a destruição que já chegou a níveis orgiásticos com o EIIS é algo novo, é bom lembrar que quase todos os exemplos listados acima datam do século XXI. Inversamente aquelas antiguidades recém destruídas sobreviveram por tanto tempo porque os muçulmanos as deixaram em paz. Nesse aspecto as coisas estão muito piores do que em qualquer época anterior, o que não é nenhuma surpresa, uma vez que o Islã passa pelo seu pior momento. As outras grandes religiões passaram dessa fase grosseira de impulsos violentos cuja motivação é inaceitável e cujas consequências são trágicas.

Será que há um país no Oriente Médio que se regozija de sua herança multireligiosa, enaltece objetos/estruturas milenares como moedas e selos, constrói museus fabulosos para suas antiguidades, trata a arqueologia como um passatempo nacional e estuda manuscritos em vez de queimá-los? Bem, há sim. Chama-se Israel. O resto da região podia aprender uma ou duas coisas sobre valorização histórica com o estado judeu.


Tanto o nome do Quwwat al-Islam, Mesquita (“Poder do Islã”) em Nova Delhi quanto o fato dela ter sido construída com materiais dos “27 templos idólatras” apontam para a crença da supremacia islâmica sobre as demais.

O Sr. Pipes (DanielPipes.org, @DanielPipes) é o presidente do Middle East Forum. © 2015 por Daniel Pipes. Todos os direitos reservados.
Adendo: Para obter mais detalhes sobre a maioria dos eventos descritos acima, acesse em meu blog “Islam vs. History“.

Publicado no The Washington Times.
Original em inglês: Islam Bulldozes the Past

Tradução: Joseph Skilnik