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A multiplicação dos pães

16 de maio de 2016 - 19:04:43

Ninguém deve ser excluído, a priori, do uso dos bens e nenhuma pessoa deveria ser privada do necessário para viver dignamente. Assegurar o acesso aos bens indispensáveis à vida digna para todos é uma das atribuições mais relevantes da política e de quem governa”.

Nessa visão distorcida é que consiste toda a penetração do marxismo na forma de pensar a economia na alta hierarquia eclesiástica, e é por onde ela mobiliza palavras de ordem para alinhar a igreja com o esquerdismo, no plano mundial. Que os bens existentes nesse mundo destinam-se ao sustento de todos ninguém discute, mas nem só de pão vive o homem, mas de uma série variada de bens tangíveis e intangíveis que precisam ser produzidos. Maná não cai mais do céu.

Na sociedade aberta ninguém é excluído do necessário para viver, desde que trabalhe e faça a sua parte. A ínfima minoria – aqui me refiro especialmente aos EUA – que não consegue, ou por doença ou outro tipo de infortúnio, é protegida pela caridade. Não há fome nesse tipo de sociedade. Dizer que cabe ao governo assegurar acesso aos bens é uma aberração anticristã. Cristo foi enfático ao dizer que seu reino não era desse mundo e não reconheceu como legítimo nenhum dos tribunais a que foi submetido. Cristo e o Estado, melhor dizendo, Cristo e Belzebu não podem conviver no mesmo espaço.

O arcebispo aqui oferece aos fiéis a mesma proposta que foi feita ao Cristo no deserto enquanto jejuava, oferecendo comida farta e fácil a eles. É tentação demoníaca querer fazer do Estado o neoprodutor de maná. É pilhéria satânica, é descaminho. Cabe a cada um prover-se a si mesmo e aos seus. A vida comunitária é desejável, mas restrita. A vida geral, para persistir, tem que cultivar o mercado. Antes da multiplicação dos pães os apóstolos queriam comprar de quem os tinha, mas aí o Cristo produziu o milagre. O mesmo acontece nos dias de hoje, mas o Cristo não está mais aqui.

Será que o arcebispo gosta de Coca-Cola e sanduíche do Mcdonald’s? Se ele fosse a uma das lojas veria o espetáculo da distribuição dos pães via mercado. E da bebida também. As duas gigantes distribuem seus produtos a preço de pechincha, alimentam e saciam a sede das multidões. As empresas só conseguem fazer isso porque procuram fazer o bem sem saber a quem, isto é, vendem seus produtos para quem os desejar, na quantidade que requerer.

Sem a livre iniciativa e a sociedade aberta, o livre processo de trocas e a propriedade privada, sem a responsabilidade de cada um por si mesmo, esse milagre da multiplicação dos pães via mercado não poderia acontecer e o padrão de vida geral cairia para níveis medievais. Foi isso que aconteceu em todas as sociedades comunistas modernas, que excluíram o mercado. Explicar isso de forma mais didática eu não consigo, mas duvido que um socialista convicto como o arcebispo queira ver além da sua doutrina torta.


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