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Putin e os métodos da KGB para seduzir setores da direita na França

1 de junho de 2016 - 18:14:20

Entre essas, algumas nunca deixaram de funcionar, enquanto outras foram “reativadas” pelo regime de Putin, que criou ainda outras novas, estendendo seus tentáculos pelo coração da chamada “extrema-direita” francesa.

Essas novas extensões da velha rede comunista são as mais surpreendentes e as que mais chamam a atenção dos especialistas.

cvVaissié observa que na Franca “a Rússia foi sempre tida em conta de um país misterioso” e por isso mesmo atraiu admiradores.

A professora (foto à dir.) também tem um grande respeito e estima pela nação russa e pela sua cultura, mas denuncia o erro, comum no Ocidente, de acreditar que a população russa e seus líderes constituem um todo coeso.

Isso não é verdade, diz a especialista, porque Putin e sua equipe no Kremlin não representam o povo russo atual, nem mesmo muitos aspectos do passado glorioso da Rússia que eles dizem encarnar.

O fato de muitas pessoas acreditarem na miragem do regime de Putin representar esse passado misterioso e rutilante permite às redes de espionagem conquistar agentes em setores da direita francesa.

Segundo a especialista, Lênin, Stalin e seus seguidores exploraram esse engano.

E isso a ponto de os governos franceses ignorarem os relatórios fidedignos sobre os crimes soviéticos e justificarem a não condenação de agressões internacionais, como a repressão da Insurreição Húngara de 1956 ou a invasão do Afeganistão em 1979.

Também hoje há políticos, intelectuais e homens de negócios atraídos pelas mensagens de Moscou, embora em número muito menor se comparado com as décadas de 30 a 70 do século XX.

Esse é um fenômeno de círculos fechados, porque “85% do povo francês têm uma imagem negativa das autoridades russas e de Vladimir Putin”, acrescenta a autora.

Antes da queda da URSS, Moscou confiava no Partido Comunista Francês, mas agora procura apoio “principalmente no lado da extrema- direita”, fornecendo créditos e outras ajudas ao Front National.

Vaissie destaca também que os agentes de influência russos não se esqueceram da extrema-esquerda francesa.

“Muitos dos agentes russos designados pelo Kremlin para desenvolver as relações franco-russas são ‘ex-‘oficiais da KGB que, como disse o próprio Vladimir Putin, nunca deixaram de ser ‘ex-‘”, explica a especialista.

Sem dúvida Moscou está aplicando dinheiro para seduzir novos apoiadores, mas é ingênuo supor que todos estão ‘vendidos’. Há os enganados que sinceramente acreditam que o presidente russo e sua equipe são “defensores da Tradição”, de direita, e por isso são “antiamericanos”, etc., diz a professora.

Vaissié nomeia e descreve as maiores organizações visíveis que Moscou usa para disseminar sua influência na França. Mas esses não são os instrumentos em que a “ex-KGB” deposita suas maiores esperanças.

Cécile Vaissié lembra que em 2014 o Front National, de “extrema- direita”, liderado por Marine Le Pen, recebeu surpreendentemente 9,4 milhões de euros num empréstimo fornecido por um banco russo alimentado pelo Kremlin.

Segundo o livro, esse crédito é apenas a parte mais visível de uma vasta campanha tocada por Putin e seus “ex-” agentes da KGB para remodelar a França segundo a imagem da Rússia neocomunista.

Em Les réseaux du Kremlin en France, a professora Vaissié também desmonta os métodos de Moscou para tentar descolar cada país europeu da Aliança Atlântica, como explica em sua entrevista a France24:

A constituição das redes do Kremlin na França em ambientes tidos como de direita (em francês):

Putin, banqueiro de certa extrema-direita para rachar Europa e dominá-la (em inglês):

http://flagelorusso.blogspot.com/