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Colômbia: “Fora, forças estrangeiras!”

3 de agosto de 2016 - 16:18:04

 

O funcionário onusiano se equivoca.

 

Mais do que notícia, o anúncio de Arnault tem todos os traços de uma provocação. Parece ser, ao mesmo tempo, um balão de ensaio para ver como o país reage. A presença ilegal de tropas estrangeiras na Colômbia é outra das surpresas inaceitáveis do falso processo de paz com as FARC.

 

A reação do país contra a chegada de militares estrangeiros começou a emergir: o repúdio é total a que soldados estrangeiros, e sobretudo soldados da ditadura castrista, com um histórico de invasões e de atropelos sangrentos contra vários países, sobretudo na América Latina e África, venham à Colômbia para reforçar, com a desculpa de vir fazer uma “verificação de paz”, o trabalho subversivo e terrorista que as FARC e os outros bandos narcoterroristas que estão ou não no falso “processo de paz”, fazem. 

 

O ex-presidente e senador Álvaro Uribe e alguns senadores do Centro Democrático rechaçaram imediatamente essa pretendida “decisão” do senhor Santos e de Jean Arnault, e declararam que a presença de soldados cubanos na Colômbia é, simplesmente, impossível. País vítima, durante décadas, da ingerência terrorista cubana, a Colômbia não aceitará jamais que esses perigosos militares a serviço da ditadura castrista pisem em terra colombiana.

 

Segundo a Constituição colombiana, o trânsito de tropas estrangeiras pelo território pátrio é algo que deve ser aprovado ou rechaçado previamente pelo Senado. O presidente da República não pode decidir, ele mesmo, esse assunto, salvo se o Senado estiver em recesso. Nesse caso, o presidente deve contar com a sentença prévia do Conselho de Estado.

 

Constitui um abuso, e até uma violação da legalidade, dar como um fato sem importância a chegada de tropas estrangeiras ao território da República sem que antes o Senado e o Conselho de Estado tenham discutido esse tema cabalmente. Como o Senado não está em recesso, não se entende de onde pôde sair o anúncio do senhor Arnault, onde ele faz caso omisso do ordenamento jurídico colombiano, como se a Colômbia fosse um território sem leis onde o mandatário de turno pudesse dar ordens pessoais a seu bel-prazer e sem reflexão em matéria tão grave como a presença de tropas estrangeiras, armadas ou não, uniformizadas ou não, no solo nacional.

 

Violando as exigências constitucionais, o governo de Juan Manuel Santos permitiu a chegada clandestina de tropas estrangeiras, com a desculpa de que elas estão “desarmadas”. Tropas estrangeiras desarmadas? Quem pode acreditar nisso? Alguém imagina que a ditadura castrista aceite enviar ao estrangeiro 60 ou mais de seus soldados em estado de total indefesa, quer dizer, desarmados? Quando Cuba fez algo parecido? Jamais! Esses militares de várias nacionalidades estarão desarmados para vigiar e espionar cada gesto das FARC concentradas mas armadas, nas 23 veredas e acampamentos, onde pululam outros grupos guerrilheiros armados, assim como paramilitares e narcotraficantes armados?

 

O governo de Santos não nega a afirmação de Arnault: que já se encontram na Colômbia. “80 enviados [leia-se soldados estrangeiros] de diferentes países”. Quando esses militares chegaram? Por que a nação colombiana não foi informada da chegada desses soldados estrangeiros? Quando e como o Senado e o Conselho de Estado debateram plenamente sobre isso? A presença e a permanência desses indivíduos na Colômbia é, em conseqüência, perfeitamente ilegal e clandestina.

 

Porém, Santos trata de adormecer o país dizendo que a “participação” de soldados cubanos deve-se a que Cuba é parte da CELAC, e que esse organismo chavista “integra a mesa tripartite que se pactuou entre o Governo e as FARC”

 

Nada disso resolve o problema. O governo deixa que entrem soldados de um país que agrediu a Colômbia durante décadas, através da organização, financiamento e treinamento de três ou quatro organizações armadas que buscavam a destruição do Estado, sem ter recebido a permissão do Senado e do Conselho de Estado, e sem que os pretendidos acordos de paz tenham sequer sido assinados e sem que eles tenham sido aprovados ou rechaçados pelos cidadãos em um plebiscito. Logo, essa presença de tropas estrangeiras, estejam desarmadas ou não, uniformizadas ou não, é totalmente ilegal.

 

Estas tropas devem sair da Colômbia. O que o Exército e o resto da força pública colombiana estão esperando para impedir essa invasão arteira? O que o poder legislativo está esperando para ventilar este assunto? O que os partidos políticos estão esperando para exigir que, ao menos, as exigências da Constituição sobre o trânsito de tropas estrangeiras sejam respeitadas? De Santos não se pode esperar nada, pois ele está a serviço de um programa que pretende passar por cima da Constituição e do que seja para alcançar alguns objetivos ocultos.

 

O senador Uribe, falando em nome do Centro Democrático, expressou um claro “repúdio à participação de soldados cubanos” no assunto das prováveis “zonas de concentração” de guerrilheiros. Esse repúdio deve ser estendido a todas as tropas estrangeiras que começaram a chegar, segundo diz Jean Arnault, sob o pretexto desse plano de paz. Enquanto não for respeitada a legalidade dessa chegada de tropas não se pode aceitar nem os cubanos nem os demais, por mais que Santos e sua claque tratem de mostrar esses soldados como ovelhas mansas que chegam para salvar a Colômbia.

 

Tradução: Graça Salgueiro