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A chancelaria colombiana, a estratégia diplomática das FARC, e seus cúmplices

20 de março de 2009 - 5:55:39

O enfado do vice-presidente Francisco Santos, que acaba de manifestar em entrevista concedida a Yarnid Amat que já não se precisa mais do Plano Colômbia, parece ser a metástase da inaptidão do corpo diplomático colombiano creditado em Washington, refletida na arrogante indiferença da senhora Clinton para com o Plano Colômbia e o TLC; do mesmo modo como a egolatria com que Barak Obama asseverou ante Lula da Silva que há tratados de livre comércio com alguns países que não se podem fazer, em evidente referência à Colômbia.

Nessa ordem de idéias, é mais clara a inoperância da Chancelaria colombiana e de seus embaixadores quando Lula da Silva – próximo às FARC e inimigo acérrimo do capitalismo norte-americano -, não apenas se auto-nomeia representante da América Latina, mas vai a Washington para dizer aos gringos que parem com a ingerência na Venezuela, Cuba e Bolívia, enquanto oculta sua simpatia pelas FARC, assim como sua indiferença ante as sistemáticas violações dos direitos humanos da ditadura castrista e do regime chavista.

É claro que esta animação de Lula, consentida por Obama e os democratas americanos contrários ao presidente Uribe, não por ser Uribe senão porque foi aliado do republicano George Bush, obedece à incapacidade dos diplomatas colombianos para fazer com que os desinformados democratas entendam que o Plano Colômbia não é uma esmola como quer fazê-lo ver a senhora Hillary Clinton.

Além de injusto, é inconveniente para as duas nações e para o hemisfério o tratamento de terceira categoria que a Casa Branca dá atualmente ao único governo amigo e leal que tem na região, e que tanto as FARC como o narcotráfico e o narcoterrorismo não são problemas locais de ambos os países, senão graves ingredientes negativos para a segurança continental.

Por esta mesma razão, as FARC e seus comissários do Partido Comunista enganam os democratas com o tema dos assassinatos dos sindicalistas, com a verdadeira intenção de bloquear o TLC e o Plano Colômbia, não só para desprestigiar o atual mandatário colombiano, como para ganhar tempo e espaço no desenvolvimento do Plano Estratégico das FARC.

Os diplomatas colombianos são tão indolentes e incapazes, que não souberam nem quiseram aproveitar a oportunidade que as FARC lhes oferecem para desmascará-las ante o mundo como narcotraficantes, com os achados dos computadores de John 40; como terroristas, com os achados nos computadores de Reyes e Lozada; como violadores dos direitos humanos de suas vítimas, com os testemunhos de milhares de desmobilizados.

Ou com a realidade dos sindicalistas como, por exemplo, a captura pela segunda vez de um dirigente de FENSUAGRO em negócios com as FARC, complementares às provas que conduziram Sara – da mesma organização sindical – ao cárcere, e os novos dados de nexos dos diretores de FENSUAGRO com as FARC encontrados em recentes decodificações de outros arquivos eletrônicos confiscados no acampamento de Raúl Reyes.

Ao contrário, o que se observa é uma apatia total. Uma indiferença determinada. Uma inaptidão e incapacidade para defender a Colômbia, escondida na desculpa dos bons modos de proceder. Entretanto, as FARC continuam atiçando a fogueira em Washington com o tema dos sindicalistas mortos, sem que haja ninguém que esclareça ao mundo que deixarão de morrer sindicalistas na Colômbia no dia em que os sindicatos se imponham limites, se depurem e expulsem todos os membros das FARC que se camuflam nestas organizações, com as fachadas do Partido Comunista Clandestino ou do Movimento Bolivariano das FARC.

A verdade é que incrustados nos sindicatos – como se deduz dos fatos – os terroristas vestidos de civil estão em FENSUAGRO, são conexões logísticas, administrativas e operacionais das FARC com o sindicalismo, ao mesmo tempo em que servem de agentes de inteligência para localizar potenciais seqüestrados; servem de contato para as libertações depois dos pagamentos; coadjuvam na organização das milícias urbanas Antonio Nariño; e são as ligações-chave para contatar dirigentes políticos ou sacerdotes ansiosos por protagonismo.

Por essa razão, quase sempre são assassinados por grupos de justiça privada, em sua maioria integrados paradoxalmente por ex-combatentes farianos, que os conhecem e sabem de sua ruindade.

Esta realidade indica que enquanto os terroristas estão empenhados em tecer as redes de sua trama integral, os representantes diplomáticos do Estado, aqueles que deveriam assumir amplamente a defesa da institucionalidade colombiana para, pelo menos tratar de justificar os elevados salários que recebem em dólares, euros ou libras esterlinas, dormem o sono dos justos à espera de que apareça um ser providencial que lhes faça a tarefa. 

Com muito estardalhaço Salud Hernández, colunista de “El Tiempo”, destampou outra panela podre na qual reafirma o critério de que a diplomacia colombiana está longe, muito longe de impedir a atividade proselitista e financeira da luta armada das FARC.

 A municipalidade de Sevilha, Espanha, transferiu mais de 80.000 euros para um experimentado dirigente comunista colombiano, com destino às obras sociais de uma vila em Tolima; porém, após a investigação jornalística ficou demonstrado que os supostos beneficiários não têm a menor idéia dessas contribuições de apoio ao seu desenvolvimento.

Salud Hernández questiona se o veterano camarada pensava em se apropriar deste dinheiro. Ao agir com cuidado e cotejar os arquivos eletrônicos de Reyes com os costumeiros procedimentos farianos, não seria de estranhar que esses fundos terminassem nas arcas do Secretariado das FARC, com o argumento da combinação de todas as formas de luta.

Porém claro, de imediato, com o eterno cinismo comunista, os camaradas legais e ilegais negariam qualquer nexo, diriam que é propaganda da CIA, etc., do mesmo modo como fizeram com a evidente captura do sindicalista de FENSUAGRO ao lado do “negro Antonio”.

E se poderia enumerar muitos casos mais, tais como a escancarada simpatia dos partidos comunistas do México, Paraguai, Equador, Argentina, Canadá, Bolívia, Venezuela, República Dominicana, Itália, Suécia, Dinamarca, França, El Salvador, Nicarágua e Brasil com as FARC. Em todos eles, as FARC superaram amplamente a modorrenta diplomacia colombiana.

Clandestinos e abertos, os difusores da propaganda fariana têm tocado em portas, gerado opinião, despertado simpatias, repreendido seus correligionários ideológicos que, se supõe, ocupam os cargos diplomáticos com a missão de difundir a imagem real da Colômbia.

Ao mesmo tempo, com este trabalho subversivo fariano os membros do Foro de São Paulo circulam por todas as partes desenvolvendo sua estratégia integral. É angustiante a diferença entre a atividade difusora por parte dos que conspiram contra a Colômbia e os corpos diplomáticos colombianos no exterior.

Enquanto os burocratas dos salões atapetados conjugam o verbo estar, e inclusive outros estão em campanha presidencial como ocorre com a leviana embaixadora em Londres, os comunistas bajulam os mal intencionados democratas norte-americanos. Piedad Córdoba persiste em meter o cavalo de Tróia com o engendrado acordo humanitário, os estultos funcionários rasgam as roupas com críticas ácidas contra quem denuncie verdades escondidas como esta, Lula da Silva encabeça com argúcias a estratégia integral de seus aliados do Foro de São Paulo, e o sempre desinformado povo colombiano continua sem se dar conta de que a Chancelaria ignora algo frente à estratégia publicitária e política das FARC e seus cúmplices.

 

Cel. Luis Alberto Villamarín Pulido é analista de assuntos estratégicos – www.luisvillamarin.co.nr

Tradução: Graça Salgueiro

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