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A destruição da pequena empresa

26 de julho de 2010 - 14:19:55

No Brasil, o exemplo mais conspícuo é a aliança entre os banqueiros e o PT, desde a famosa Carta ao Povo Brasileiro. O Brasil é o paraíso dos banqueiros, paga as maiores taxas de juros do mundo e nenhum economista será capaz de explicar essa anomalia se não olhar o pano de fundo político, essa privatização do Estado. Nunca podemos esquecer que foi dos cofres da Visanet, controlada pelos maiores banqueiros pátrios, que saiu o dinheiro para o Marcos Valério pagar o mensalão. Nenhum deles foi chamado a depor, ficando a impressão que o dinheiro saiu do Banco do Brasil.

Esse conluio está destruindo a pequena empresa independente, no Brasil. Quando se regulamenta, se encarece a produção, coloca-se normas de difícil cumprimento para as empresas, na prática aquelas que não têm estrutura e escala de grande empresa têm lavrada a sua sentença de morte. Eu vi isso acontecer no mercado do varejo, cada vez mais concentrado porque as normas dos diferentes níveis de governo impedem que pequenas empresas sejam economicamente viáveis. Vi isso acontecer no mercado livreiro. Vi isso acontecer na indústria de brinquedos, tudo isso como executivo atuante.

O Estadão de hoje (domingo, 25), no caderno de Economia, dá a manchete de que o BNDES disponibilizou R$ 18,5 bilhões para emprestar ao setor de frigoríficos. Claro que só terão acesso a esses recursos os maganos. É a sentença de morte das pequenas e médias empresas do setor. O consumidor pagará mais caro e o produtor terá a sua renda diminuída.

Veja, meu caro leitor, que o governo capta recursos a 10,75% ao ano e os transfere aos amigos do rei a taxas variadas, inferiores a essa, que nunca passam de 8% ao ano. É uma doação que é feita com os impostos pagos pelos pobres para os ricos. O governo do PT e de Lula da Silva está destruindo as pequenas e médias empresas, vale dizer, o meio de vida de milhares de brasileiros. Empregos são também impiedosamente destruídos.

E esse é só um exemplo. O processo tem vindo ao longo dos anos. O fenômeno não é apenas brasileiro, é mundial. Os governos querem que as empresas sejam perfeitas. Para alcançar o objetivo que é inalcançável (a perfectibilidade), inventam regras que encarecem o processo produtivo. Não querem beneficiar o consumidor, o meio ambiente o os trabalhadores, como é usual nos seus discursos. Querem mesmo é impedir a concorrência das pequenas empresas, incapazes de cumprirem as regras. Quem tem um pequeno negócio sabe perfeitamente bem do que eu estou falando. As leis conspiram e os pequenos negócios estão condenados à falência.

Do ponto de vista da economia política isso é um desastre. A classe média independente do governo está desaparecendo. A idéia mesma de se ter independência econômica está desaparecendo, restando tão somente às pessoas virarem assalariadas das empresas gigantes ou do governo. Um mundo completamente regulado e no qual a alma é escravizada. Basta olhar o conteúdo que se pede nos concursos públicos de acesso a cargos públicos. Eu vi em provas de português, de interpretação de texto, serem propostos trechos da obra de Rousseau, o maldito, que pode ter sido um bom revolucionário, mas nunca foi um mestre da língua portuguesa. Quem não rezar na cartilha de Gramsci jamais será aprovado em concurso público para cargos das carreiras de Estado.

Do mesmo modo, nas grandes corporações o processo é equivalente. A ciência da Administração está tomada pelo politicamente correto. Cotas para tudo, servilismo diante do Estado, o contador e o advogado são mais importantes na organização do que os engenheiros de produção. O ideal de igualdade é o mantra de todos os manuais de Administração. Admirável mundo novo, presente em qualquer grande empresa, nacional ou internacional.

É horrível o processo em curso. É a burocratização de tudo. É dantesco o emburrecimento geral. Será preciso uma contra-revolução política para corrigir esse desastre e ela começa e acaba na redução do tamanho do Estado. Reduzir o Estado será também reduzir o poder das grandes corporações e o ressurgir do poder empreendedor da gente miúda. É reduzir a judicialização de tudo, a desgraça do nosso tempo. O que temos hoje é o fascismo econômico elevado à perfeição.

Liberdade é praticamente sinônimo de liberdade econômica, a grande lição de Adam Smith.

 

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