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A direita européia

19 de junho de 2009 - 19:54:58

Em primeiro lugar, precisamos saber o que singulariza a direita política, e não apenas na Europa de hoje. Há uma nova direita, que praticamente comunga com as crenças coletivistas de adversários tidos à esquerda do espectro político. Nenhum grupo político tem chance de se eleger hoje em dia para cargos políticos se não fizer discurso em favor da manutenção da infra-estrutura do Estado de bem-estar social. Ninguém propõe reduzir nem impostos e nem os rendimentos dos parasitas desocupados, que mamam no Estado toda a vida. É bem verdade que a esquerda acredita piamente nas políticas keynesianas, o delírio fetichista com o manuseio da moeda, e a direita (nesse sentido apropriadamente chamada de
neoliberal) respeita as leis básicas da economia. Mas ambos os grupos estão de acordo com a função distributivista do Estado.

A direita na verdade propõe um maior fechamento das fronteiras para os imigrantes, sobretudo os ilegais, numa espécie de lema “a Europa para os europeus“. A contradição fundamental é que são justamente os imigrantes os que trabalham e dão duro, sobretudo nas profissões menos desejadas. Como repatriar essa gente se o esquema de vagabundagem remunerada social-democrata for mantido? Podem esbravejar o quanto quiserem contra os imigrantes, mas eles lá permanecerão enquanto a cultura do ócio for mantida, pois afinal alguém terá que trabalhar. Essa tese xenófoba é portanto irrealizável no âmbito do Estado-mamãe agigantado.

Outro quesito tido como direitista é a resistência ao crescimento do governo europeu, em prejuízo das instâncias locais. Isso é muito sério e importante. A derrota das esquerdas atrasou um passo decisivo em direção à formação do governo mundial, objeto último de sua ação política à escala planetária. A União Européia formou um enorme anel burocrático superposto às burocracias nacionais, encarecendo a função de governo, praticamente sem nada dar em troca. Claro que seu custo não pode crescer sem que os custos das instâncias locais caiam. Em outras palavras, sem que os Estados nacionais desapareçam enquanto poder constituído. Essa ação fracassada de consolidação do Estado europeu tem forte impacto para o resto do mundo, pois seu fracasso fortalecerá as correntes políticas que não desejam o governo mundial.

Um segundo ponto que se coloca para análise é: o que é ser europeu? Europa não é nem unidade racial, nem lingüística e nem mesmo histórica. A Europa só é una na cristandade. O problema é que as classes superiores européias debandaram para o ateísmo e o niilismo, perderam sua raiz cristã. Dentro desse ponto de vista, não há nem mais Europa, havendo apenas quistos europeus no território, cada vez mais tomado pelas massas hedonistas decadentes, ao lado das massas islâmicas. Claro que os hedonistas não possuem força civilizacional para fazer frente ao Islã militante. Cinco orações diárias diuturnamente destruirão os hedonistas em curto espaço de tempo, sem contar o efeito da taxa de natalidade: os europeus nativos recusam a procriação. Projeções indicam que em 50 anos serão minoria no território, uma hecatombe populacional.

Como a direita que se elegeu é igualmente hedonista e atéia, não é ela mesma uma alternativa para o descenso europeu. Estamos diante de uma variação em torno do mesmo, a mesmice tantas vezes repetida. A Europa só tomará jeito se fizer uma nova Reconquista, desta vez em torno dos valores da Tradição. Há que se construir uma direita que seja liberal-conservadora, que desmonte o distributivismo estatal e resgate os valores da Tradição.

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