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A entrevista de Sérgio Guerra

11 de janeiro de 2010 - 6:15:32

A entrevista é interessante por muitos aspectos, a começar pela confirmação do nome de José Serra para encabeçar a chapa que disputará a Presidência da República. Segredo de Polichinelo, claro, mas mesmo o óbvio precisa ser dito. O que destaco, todavia está abaixo. Por primeiro, a ênfase que o senador dá ao fato de que seu partido, o PSDB, está à esquerda de Lula. Veja-se bem, o cacique do partido insiste nesse ponto. Podemos ler:

Mas nós estamos à esquerda mesmo. Se ganharmos, vamos acelerar os investimentos na educação e na saúde. Manteremos o Bolsa Família, que é um mecanismo eficiente de erradicação da miséria e da fome. O PT não é de esquerda. Já foi; não é mais. O PT se transformou num partido populista. Antes, o PT tinha militância nas grandes cidades. Agora, tem cabos eleitorais nos grotões, pagos com dinheiro público, que escorre por meio de ONGs. Isso é esquerda? Não, é populismo. A verdade é que o PT só gosta de democracia quando lhe convém. Na eleição passada, quando estávamos atrás nas pesquisas, o PT introduziu o crime na campanha, com o dossiê fajuto dos aloprados e aquela pilha de dinheiro que ninguém sabe de onde surgiu. Agora que estamos na frente, imagine o que eles vão fazer. Será uma campanha sangrenta. Eles vão fazer de tudo para impedir uma possível vitória nossa. O que está acontecendo atualmente são apenas ensaios“.

Todo esquerdismo, inclusive o do PSDB, é populismo, no sentido de servir para adular as massas de forma irracional, mas não é verdade que este esteja à esquerda do PT. O PT levou o esquerdismo às últimas conseqüências. Com o III Plano Nacional de Direito Humanos podemos dizer que ele logrou inclusive declarar o terrorismo como um dos direitos humanos fundamentais e que os crimes eventualmente praticados pelos terroristas são inimputáveis. Ao contrário, as ações ordinárias das forças da ordem ao combater o terrorismo estão criminalizadas para todo o sempre. O PSDB, não obstante ter abrigado e defendido os terroristas, nunca foi tão longe. É menos esquerdista, isto é, menos maluco, do que o PT.

Esse campeonato de esquerdismo entre as duas forças políticas dominantes é o maior sintoma de que a doença política do Brasil nasce da doença das almas individuais, que se expressa nos agentes políticos que tomaram os cargos de direção das agremiações partidárias e do Estado. Todos imersos no sonho delirante de grandeza e de poder a partir do ato infame de ajoelhar-se diante das massas insaciáveis, que querem sempre mais: mais saúde, educação, bolsas, segurança, empregos, como se tudo pudesse vir da mão do Estado. A política esquerdista é criminosa na origem porque esconde o real e proclama o delírio como a verdadeira realidade. Atuando no mundo dos sonhos pode-se construir qualquer maluquice e transformá-la em instrumento para adular as massas.

Por isso que essencialmente não há diferença prática de formulação de políticas públicas de ambos os partidos. Sérgio Guerra declarou, a propósito: “Iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. Essas variáveis continuarão a reger nossa economia, mas terão pesos diferentes. Nós não estamos de acordo com a taxa de juros que está aí, com o câmbio que está aí. Estamos criando empregos no exterior. Os últimos resultados da balança comercial são negativos. Precisamos estabelecer mecanismos para criar empregos no Brasil. Espero que a sociedade nos compreenda. Será necessário fazer um rigoroso ajuste das contas públicas. Hoje, o governo gasta muito – e mal. Os gastos cresceram além da capacidade fiscal do país“.

É claro que o ponto principal de uma reformulação da política econômica foi ignorado. Mudar a política econômica basicamente é reduzir impostos e gastos, coisa que nem Sérgio Guerra e nem seu candidato sequer cogitam. Portanto, a política econômica do PSDB é apenas uma variação sobre o mesmo ponto. Ambos, PT e PSDB, estão de acordo em esbulhar escancaradamente a população pelo instrumento tributário, para ter recursos para adular a multidão e manter a vasta legião de parasitas ligados ao funcionalismo e à burocracia partidária. Mexer no câmbio pode ser deletério, como vimos agora na Venezuela, dependendo de como se faça. Mas não significa mudar substantivamente alguma coisa. É apenas acomodação à situação vigente de roubo extravagante da renda e da riqueza daqueles que trabalham, para pagar a vida boa e a vagabundagem de largas parcelas da população.

A taxa de câmbio é o instrumento pelo qual a lei da escassez se revela impiedosa com os jacobinos no poder. É o calcanhar de Aquiles de todos eles. O Brasil, não demorará muito, imitará a Venezuela. Essa história de câmbio duplo tem longa tradição entre nós e não duvido que algum economista do PT esteja por detrás das decisões de Hugo Chávez. Bem sabemos no que vai dar: hiperinflação. Mas os esquerdistas não aprendem nunca, sempre insistem em ignorar a lei da escassez.

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