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A Europa tem zonas proibidas?

4 de fevereiro de 2015 - 3:00:00

Embora Emerson, que eu admiro muito pela sua coragem moral e habilidades investigativas, se retratou imediatamente pelo ” terrível erro” de dizer que cidades como Birmingham, na Inglaterra”, são totalmente muçulmanas onde não-muçulmanos simplesmente não entram”, não abordou a questão mais ampla se “de fato” as zonas proibidas, “existem ou não pela Europa” e se há lugares onde os governos “não exercem a soberania”.

Ele está certo?

Em uma entrada de blog de 2006, eu chamei os enclaves muçulmanos na Europa de zonas proibidas como um equivalente não eufemístico à frase francesa Zones Urbaines Sensibles, Zonas Urbanas Sensíveis. O termo no-go zones (em inglês) zonas proibidas subsequentemente se tornou padrão para descrever regiões de maioria muçulmana na Europa Ocidental.

Após passar algum tempo nos banlieues (subúrbios) de Paris em janeiro de 2013, bem como em cidades análogas como Atenas, Berlim, Bruxelas, Copenhagen, Malmö e Estocolmo, tive que reconsiderar. Eu percebi que aquelas regiões “não são zonas proibidas em sua totalidade”, melhor dizendo, onde o governo perdeu o controle do território. Não há o domínio dos chefes de milícias, a Shari’a não é a lei que vigora naquelas regiões. Em lamentei, naquela época, ter usado o termo zonas proibidas.

Agência de viagens em Berlim em outubro de 2010.

Então, o que são, na realidade, esses lugares? Uma combinação única, ainda sem nome.

Por outro lado, os países da Europa Ocidental têm condições de intervir em qualquer lugar, a qualquer hora, em seu território soberano. O tiroteio em Verviers e os ataques na Bélgica indicam sua claríssima vantagem no quesito força, militar, de inteligência e policial, mostrando que não cederam o controle.

Após um ataque terrorista em maio de 2014, a polícia esteve presente nas regiões judaicas da Antuérpia na Bélgica.

Por outro lado, os governos frequentemente optam por não impor sua vontade nas regiões de maioria muçulmana, permitindo o exercício de considerável autonomia, incluindo em alguns casos tribunais onde se aplicam a lei da Sharia, que Emerson mencionou. Álcool e carne suína são, de fato, proibidos naqueles distritos, a poligamia e as burcas são lugar comum, a polícia entra naquelas regiões com muito cuidado e com tropa de choque e os muçulmanos se safam de ataques que são ilegais para o restante da população.

O escândalo do sexo infantil em Rotherham na Inglaterra proporciona um bom exemplo. Uma investigaçãooficial descobriu que durante dezesseis anos, entre 1997e 2013, um bando de muçulmanos explorava sexualmente, por meio de sequestro, estupro, ritual da curra, tráfico, prostituição, tortura, pelo menos 1.400 meninas não-muçulmanas com idades de 11 anos ou mais. A polícia recebeu inúmeras queixas de pais de meninas, mas nada fez, ela poderia, se quisesse, ter tomado providências.

De acordo com a investigação, “a polícia não deu prioridade à exploração sexual infantil (CSE em inglês), tratando dos casos de muitas dessas vítimas infantis com desprezo, deixando de considerar o abuso como um crime, não tomando providências”. Mais alarmante ainda, em alguns casos, “pais que conseguiam encontrar suas filhas e que tentavam retirá-las dos locais onde elas estavam sendo abusadas, acabavam eles próprios sendo presos quando a polícia era chamada”. E não para por aí, as meninas “foram presas por crimes como perturbação da ordem pública, bebedeira e comportamento indisciplinado, sem que nada fosse feito contra os criminosos que estupram e machucam crianças”.

Outro exemplo, também britânico, foi a assim chamada Operação Cavalo de Tróia que floresceu de 2007 até 2014, em que (novamente, de acordo com uma investigação oficial), um grupo de funcionários de uma escola desenvolveu “uma estratégia para se apoderar de inúmeras escolas em Birmingham e geri-las de acordo com os princípios islâmicos”.

Como se chamam cidades com as características de Rotherham e Birmingham? Elas não são zonas proibidas em termos geográficos ou de soberania. É aqui que nós, Emerson e outros (como o Governador da Louisiana Bobby Jindal) e eu discordamos. O idioma inglês não possui um termo prontamente disponível para essa situação. E com razão: não tenho ciência de nenhum paralelo histórico em que a maioria da população aceita os costumes e até mesmo a criminalidade de uma comunidade de imigrantes mais pobre e mais fraca. O mundo nunca viu nada parecido como a mistura contemporânea do Ocidente no que tange a conquistas, timidez e culpa de um poder incrivelmente superior combinado com uma enorme relutância em exercê-lo.

Em vez de zonas proibidas eu proponho setores semi-autônomos, um termo que enfatiza sua indistinta natureza não geográfica, permitindo assim uma discussão mais precisa do que é, sem a menor sombra de dúvida, o problema mais grave da Europa Ocidental.

O Sr. Pipes (DanielPipes.org, @DanielPipes) é o presidente do Middle East Forum. © 2015 por Daniel Pipes. Todos os direitos reservados.


Publicado no The Blaze.

Original em inglês: Does Europe Have No-go Zones?

Tradução: Joseph Skilnik