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A frase de Antanas

11 de maio de 2010 - 7:35:48

Mockus declarou-se disposto a extraditar o presidente Uribe e o ex-ministro Juan Manuel Santos, se um poder estrangeiro exigir! Essa afirmação monstruosa não será esquecida. Essa frase foi, talvez, o momento “auge” da campanha de Mockus pois chegou a tocar um ponto de não-retorno. Talvez essa frase vá causar sua perda. Depois, claro, Antanas corrigiu sua frase. Porém, o dano já estava feito. Sua opinião sobre a extradição do Presidente da Colômbia, que caiu como um trovão depois da salva de insultos de Hugo Chávez contra o candidato Santos e contra os eleitores colombianos, revelou não só um espírito covarde a respeito de ingerências abusivas de regimes e movimentos estrangeiros, senão que descerrou, por alguns instantes, a cortina que esconde o palanque que olha com simpatia a candidatura verde: os conclaves fanatizados que sonham em montar para o presidente e alguns de seus ministros, depois de agosto, cenários de linchamento de “justiça popular” tipo revolução cultural proletária, por eles terem tirado o país, a custa de altos e honrosos sacrifícios, do pesadelo no qual nos encontrávamos em 2002.

Evidentemente, entre uma frase e outra, entre uma afirmação e seu contrário, todos estamos vendo que Antanas Mockus ignora os princípios básicos da Constituição e que é, portanto, um candidato que pode alcançar altíssimos níveis de incompetência.

Depois de ouvi-lo, a conclusão é esta: a Colômbia não estará segura com Mockus. Por acaso ele sabe que está em marcha um projeto tenaz contra a Colômbia por parte do Foro de São Paulo, que se movimenta sob a batuta das FARC?

Outro motivo de alarme: nem sempre Antanas revisa suas afirmações. Sobre o julgamento aberto no Equador contra o ex-ministro Juan Manuel Santos, Mockus não mudou. Ele continua acreditando que atacar o acampamento de Raúl Reyes foi um “erro” e que as gesticulações do juiz de Sucumbios é algo que “não podemos impedir ao Equador”. Antanas acredita que com esse curioso humor ele poderá pedir um dia ao país em geral, e aos militares e policiais colombianos em particular, para fazer sacrifícios e até dar a vida pelos interesses superiores da Pátria? Não! Talvez o que haja nesse jogo turvo de afirmações indignas e revisões “re-equilibrantes” seja a vontade de introduzir a desmoralização nos partidos, na sociedade e nas Forças Armadas para embarcar a Colômbia em uma transição para o nada.

De fato, a economia, a segurança do Estado e da sociedade, são pontos que desapareceram praticamente do debate, pois o professor Mockus não parece se sentir atraído por essas temáticas. Nada é mais insólito e temerário.

Porém, há outras questões que são tocadas tangencialmente e que o eleitor deve saber. Por exemplo, Mockus disse à Revista Dinero, de Bogotá, em 30 de abril, que faria uma reforma tributária “preventiva” e que utilizaria para isso, caso seja necessário, o medo, esse sentimento tão útil, explicou, para manipular as pessoas. Essa é a “decência” de Mockus. Sua proposta é fazer uma reforma tributária “o mais redistributiva possível”, para “ver de quem tiramos” o dinheiro. O fiscalismo esmagador para financiar o Estado-providência, é um modelo muito mal visto hoje em todos os lugares: nem os Estados Unidos de Barack Obama, nem a União Européia, nem a Rússia de Medvedev e nem sequer a China comunista estão nisso! Porém, o professor Mockus casou-se com essa teoria abandonada e pela qual a Grécia está pagando um alto preço.

Porém, há mais. Dinero perguntou a Antanas se lhe preocupa saber que não terá o apoio majoritário no Congresso. Sua resposta foi uma revelação: “A democracia deliberativa estabelece que nos cenários constituintes, inclusive mais do que no Congresso, as pessoas possam decidir por argumentos”. Quer dizer, que o Congresso que acaba de ser eleito pelos colombianos seria dissolvido por Antanas para montar, em troca, um “cenário constituinte”, que mudará a lei e a Constituição, pois para isto são as Constituintes. Assim, pois, Mockus começaria seu eventual mandato no mais puro estilo de seu admirado Hugo Chávez: com uma Constituinte que mudaria as regras do jogo.

Nesse preciso contexto, do “cenário constituinte”, deve-se examinar o conto mockusiano da “legalidade democrática”, noção nebulosa que, dizem, é um dos seus eixos de campanha. “O que é a legalidade democrática?”, perguntou-lhe Dinero. Surpresa! Mockus despachou o tema em duas linhas e meia. Por que? Porque o que tem em mente assusta a muitos. Disse: “É o cumprimento da lei, por todos frente a todos. ‘Democrática’ quer dizer que não haja dogmatismos da lei, que esta cumpra-se acima de tudo e que se não se está de acordo com as leis, possam-se reformá-las democraticamente”. Quer dizer, quando Mockus pede a todos para “cumprir” a lei, refere-se à sua lei, à nova lei que pretende impor mediante seu “cenário constituinte”. Não é a lei de hoje, de todos; é a lei que vem, uma lei desconhecida e que alguns estão preparando por trás dos bastidores em alguma parte. Essa é a lei que, segundo Mockus, deve-se cumprir “acima de tudo”. Seria abusivo dizer que, aqui também, há como um estranho mimetismo com o método de Chávez? Não. Esse mimetismo está ali, patético e obsessivo, no programa real, não no formal, do candidato do Partido Verde.

Finalmente, outro ponto caduco de Mockus que ninguém mais aplica: a chamada “responsabilidade ambiental”. Para Mockus, as empresas e o investimento privado devem submeter-se. A inovação tecnológica, a produtividade e a modernização do aparato produtivo, vital para o desenvolvimento do país, são eclipsadas por essa ideologia. Antanas diz que as empresas deveriam contratar mais trabalhadores e investir menos em maquinário, e modernizar “a um ritmo mais lento”. É o retorno à idéia reacionária do crescimento zero, utopia dos ecologistas mais atrasados. É o que faz Rafael Correa no Equador, com os resultados que sabemos. A idéia acertada é proteção ambiental sim, porém não contra o crescimento.

Tradução: Graça Salgueiro

 

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