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A Máfia de Brasília

11 de agosto de 2009 - 18:52:11

Semanas antes, Sarney tinha sido padrinho de casamento de Rodrigo Cruz, genro de Agaciel Maia – uma sua “cria” na direção-geral do Senado – que fora contemplado em “ato secreto” com uma boca-rica no Senado da República. O próprio presidente do Senado, “padrinho de casamento”, deixara-se fotografar ao lado do apadrinhado, ar solene e testemunhal. (No outro dia, acuado, Sarney disse que referia a um “outro” Rodrigo, e não “aquele” Rodrigo, mas o PSOL, em nota, reafirmou que o presidente do Senado, “estava mentindo”.

Por outro lado, semana antes, Sarney tinha negado seu envolvimento ou responsabilidade no que diz respeito à suspeição do desvio de verbas de patrocínio cultural da Petrobras (no valor de R$ 500 mil) dentro da Fundação que carrega seu nome, visto, segundo ele, ter delegado poderes administrativos a terceiros. Por baixo do pano, no entanto, na qualidade de Presidente de Honra da Fundação, pressionava, como presidente do Senado, o Ministro da Cultura, por bilhete, objetivando a rápida tramitação do projeto cultural  – que, de resto, nunca foi executado.

Logo depois da denúncia da fraude levantada pelo “Estadão”, mais de 90 milhões de brasileiros  tinham tomado conhecimento, no  “Jornal Nacional”, de gravação feita pela Polícia Federal em que Zé Sarney, em conversa telefônica, muito bondoso, garantia à neta que iria intervir junto à Agaciel Maia para empregar (também por “ato secreto”) a figura de Henrique Bernardes, o seu bem-aventurado namorado.

(Para justificar o tráfico de influência, crime previsto em lei, o incrível presidente do Senado, impostando a maior cara-de-pau, assim afrontou a audiência do Plenário desmoralizado e da própria opinião pública nacional: “É claro que não existe o pedido de uma neta – se pudermos ajudar legalmente – que qualquer um de nós deixe de ajudar”).

Por sua vez, minutos mais tarde, na mesma casa de tolerância, o presidente do “Conselho de Ética” do Senado, Paulo Duque, ar indiferente de “capo”, tendo sido denunciado por manter no seu Gabinete funcionário fantasma (que ganha em Brasília, mas vive no Rio), tergiversou e, na saída da sessão,  depois de arquivar cinco ações encaminhadas contra Zé Sarney (duas delas, por ter mentido de forma deliberada ao Congresso, o que caracteriza quebra de decoro parlamentar), afirmou a um repórter que o entrevero vivido no Senado naquela tarde-noite poderia ser associado ao título de um filme de pistoleiros: “Bang Bang ao anoitecer”.

A afirmação de Paulo Duque (um tipo que não conseguiu sequer eleger-se deputado estadual no Rio de Janeiro), por associação, lembrou-me outra, proferida por Al Capone a um dos seus asseclas, durante comemoração mafiosa no Salão de Honra do Hotel Cícero na Chicago dos anos 1930, em louvor ao massacre do dia de São Valentim, planejado pelo gangster. Al Capone queria saber em detalhes como foram metralhados os capangas de Bugs Moran, o rival que estava invadindo seu “território” no contrabando de bebidas.

Segundo relato de John Roeburt, na sua extensa reportagem “Al Capone” (Allied Corporatin, 1949), a descrição do assecla Frank Mônaco foi minuciosa. Ele assegurou ao chefe que o plano funcionara perfeitamente bem:

– “Quando parte do nosso pessoal chegou à garagem da Rua North, vestido de policial e falando como “tira”, surpreendeu o bando de Moran conferindo barris de uísque. Eles tomaram um susto, sem saber o que fazer. Mas eu sosseguei o bando dizendo que se tratava apenas de um flagrante de prisão. Então, pedi para que largassem as armas e se voltassem contra a parede, com as mãos levantadas. Eles obedeceram e, aí sim, metralhamos para valer. Em três minutos, cabeças, troncos, braços, pernas estavam picotadas de balas. O armazém ficou parecendo um matadouro”.

– “Ah, então foi um abate ao entardecer!” – constatou feliz Al Capone, o chefão da máfia de Chicago.

Como se sabe, Paulo Duque, Renan Calheiros, Collor de Melo, Jader Barbalho, etc., cada um deles são apenas “capo”. O “capo di tutti cappi” estava instalado no Trono do Poder, planejando passo a passo, meticulosamente, o massacre político do que se tem como oposição. Lá, no Trono, Lula açulava com empenho especial senadores como Renan Calheiros e Collor de Mello a partir para o jogo bruto na defesa de outro “capo”, Zé Sarney, figura que manipula como um trapo velho no desejo supremo de impor à nação, como sua substituta, a “companheira de armas” Dilma Rousseff, caso necessário.

Neste sentido, o próprio Collor de Mello, ainda que solidário à candidatura Dilma, manifestou inteira solidariedade (e a dos pares) à permanência de Lula no poder. No jornal “Valor Econômico”, em 05/05/09, ele declarou: “Lula só não terá o 3º mandato se não quiser. Eu não tenho a menor dúvida que (o Congresso) aprova. Aprova, e aprova de uma forma entusiástica”.

(De igual modo, com ou sem a candidatura Dilma Rousseff, Zé Sarney, conforme se depreende, parece não se opor ao 3º mandado por razões objetivas: sem o apoio de Lula pouco poderá fazer para manter em liberdade Fernando Sarney, seu filho, indiciado em inquérito na Polícia Federal sob a acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica – isto, para não falar na sua própria condição de presidente do Senado, mantida pela conveniência do “Capo di tutti cappi”.

Um fato, no entanto, parece óbvio: com Lula, Dilma Rousseff ou mesmo Zé Serra, o País não mudará um só milímetro. Com Lula, sempre matreiro, rumaremos firmes (na “velocidade de um Volks”, segundo Chávez) para o “socialismo do século XXI”, visto que, em essência, não passa de uma “cria” de fanáticos intelectuais comunistas (da USP) com os anticristos da Teologia da Libertação e terroristas treinados nas periferias de Havana.

Com Dilma Rousseff, a “transição para o socialismo do século XXI” na certa ganhará a velocidade de uma Ferrari. “Companheira” cuja “biografia” está ligada por um hífen à Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-Palmares), movimento clandestino responsável por inúmeros assaltos a bancos e atentados terroristas, a atual chefe da Casa Civil atua com todas as armas para chegar ao poder.

Por exemplo: diante dos escândalos em torno do presidente do Senado e sua família, Dilma declarou, sem o menor constrangimento: “O executivo não tem nada a ver com a crise do legislativo” – assim, desse jeito, como se Lula, com objetivo de limpar caminho para entronizá-la no Palácio do Planalto, não estivesse  por trás de Sarney, Collor e Renan Calheiros. Aliás, neste sentido, quem sabe para manter a família Sarney fora de devassa fiscal, a própria chefe da Casa Civil teria convocado (na Folha, em 09/08/09) a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, para que “agilizasse logo” a fiscalização das empresas do filho de Sarney – interferência que a funcionária da Receita entendeu como claro recado para que a investigação fosse encerrada.

(E, por favor, não duvidem do caráter da “companheira” Dilma: além de consentir a maquiagem do próprio currículo, para atender os arreganhos da repressão ela entregou de bandeja, em janeiro de 1970, Natael Custódio Barbosa, operário de Osasco e “companheiro” de subversão).

Já Zé Serra, em aparência tipo mais confiável, de fato só tem uma obsessão: chegar ao socialismo pela elevação sistemática da carga tributária. Serra acredita como um louco no fisco crescente e impositivo. Com ele no Planalto, seguramente o brasileiro terá de trabalhar mais de sete meses (anuais) só para pagar tributos e encher os cofres oficiais, sob o pretexto utópico de, assim procedendo, “criar uma sociedade mais justa e igualitária”, velha aspiração dos tempos em que era “capo” da AP, o movimento clandestino anterior e posterior à queda de Jango.

Resumo da ópera: o que pode fazer a oposição? Não muito, mas que tal começar pela investigação dos superfaturamentos das empresas terceirizadas operantes no Senado? Ou pela convocação de Dilma Rousseff para esclarecer a denúncia de Lina Vieira, a ex-secretária da Receita Federal?

Pode até não dar em nada, mas pelo menos acendem os holofotes.

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