1. Arquivos
  2. Conservadorismo

A mídia, os extremistas e as conspirações – Parte 1

17 de abril de 2010 - 7:12:11

Este termo de Phillips não se destina a rebaixar ninguém; é descritivo do que fazem os homossexuais masculinos. Tal comportamento tão inatural e extremo, além de perigoso, faz dos valores morais tradicionais e religiosos tão caros aos conservadores objeto de derrisão.

Vogel, no entanto, afirma que os homossexuais foram na verdade bem recebidos, em virtude do fato de que houve “zombaria” dirigida contra “um ativista anti-gay na CPAC que condenou os organizadores do evento por terem convidado o grupo republicano gay GOProud a participar.”

O que ele ignora é a prova de que a “zombaria” veio principalmente de não-conservadores, muitos deles libertários, e que o “ativista anti-gay”, Ryan Sorba, do Young Americans for Freedom3, estava a refutar um orador pró-gay, um líder de um grupo que, segundo ele mesmo me disse, não é conservador de maneira alguma.

Esclarecendo as coisas para Kenneth Vogel e outros na mídia, vamos deixar claro que um verdadeiro conservador como Howard Phillips, que tem sido um líder no movimento conservador por décadas, entende que o conservadorismo se traduz em valores religiosos e morais tradicionais, em uma defesa nacional robusta e em liberdade econômica. Não há nada de complicado ou de confuso quanto a isso. O movimento homossexual, fundado por um membro do Partido Comunista chamado Harry Hay, simplesmente não tem as qualificações para ser admitido no conservadorismo, não importa quantos libertários na platéia da CPAC aplaudam a GOProud ou zombem de Ryan Sorba.

A fim de purgar o movimento conservador dos seus extremistas, a CPAC terá que remover os próprios organizadores que os deixaram entrar.

Definindo a “margem”

O artigo ignora o problema real de como o “establishment conservador” – sob a forma dos organizadores da CPAC – escolheu os atuais e verdadeiros extremistas para co-patrocinar o evento. E esses foram os autodenominados “conservadores gays”, que rejeitam o conservadorismo social, que tem sido parte essencial do movimento conservador.

O famoso e consolidado Family Research Council4 retirou-se da CPAC porque David Keene, organizador do evento, decidiu permitir que a GOProud, uma organização relativamente nova que trabalha em prol da eleição de republicanos esquerdistas e “centristas”, participasse do evento. Mas Vogel faz vista grossa a este erro.

O “establishment conservador” não é definido por Vogel em seu artigo, mas os “extremistas” são os birthers5, os truthers6, os movimentos milicianos ou a John Birch Society.

De acordo com Vogel, cujo artigo fala em expelir os supostos extremistas das fileiras conservadoras, há uma “nova abordagem” para purgar estes membros, no entanto, há também “obstáculos”, os quais estavam à mostra durante a CPAC, obstáculos tais como a inclusão da John Birch Society como co-patrocinadora. Vogel acrescentou: “E, embora os organizadores da conferência tenham vetado um painel de debates a respeito do problema da cidadania de Obama, um grupo de birthers conseguiu marcar presença, como também o fizeram os Oath Keepers7, que co-patrocinaram a conferência”.

Vogel descreve os Oath Keepers como uma “organização ligada a milícias”, num esforço óbvio de conectá-las às organizações civis armadas que foram culpadas – por alguns – pelos atentados de Oklahoma City, em 1995. Mas a evidência apresentada é um artigo do New York Times que descreve os Oath Keepers como “novos membros de um movimento miliciano ressurgente”. Este artigo, por sua vez, fala sobre “ligações informais” entre os grupos, seja lá o que isso significa.

Bem mais preocupante é a colaboração estreita entre os Oath Keepers e o radialista Alex Jones, que se tornou um favorito da televisão russa e até compareceu à rede Russia Today para defender a invasão da Geórgia – um Estado independente – pelo Kremlin. (Mais sobre este assunto na segunda parte desta série).

Diz-se que a tal presença dos “birthers” no CPAC, através de um “link” do no artigo de Vogel, é apenas um certo “Philip J. Berg, um advogado da Pensilvânia e partidário de Hillary Clinton”, que exigiu a documentação da cidadania americana de Obama em juízo e estava no CPAC. Assim, com efeito, o movimento birther cruza fronteiras ideológicas.

Conspirações Políticas

Ele diz que a John Birch Society (JBS) – que tende a ser conhecida por adotar um ponto de vista conspiracionista da história – é uma organização que deve ser removida do movimento conservador. A comentarista lésbica da MSNBC-TV, Rachel Maddow – que nunca faria uma história sobre como o comunista Harry Hay fundou o movimento pelos direitos dos homossexuais – martelou à exaustão o co-patrocínio da JBS à CPAC porque, segundo ela, a JBS acredita em teorias conspiratórias demais a respeito de tramas comunistas.

Para início de conversa, conspirações políticas existem, como todos sabemos. É por isso que escândalos acontecem. Se alguém quer uma prova de uma conspiração política, não é preciso procurar muito longe: há um artigo de 1.500 palavras de Michael Calderone, publicado no Politico, sobre como o ex-candidato presidencial democrata John Edwards escondeu e mentiu sobre o seu caso de adultério. A falha da grande mídia em perscrutar Edwards “é preocupante em um mundo político mudado em que os homens públicos – sejam eles Barack Obama ou Sarah Palin – podem irromper nos palcos nacionais e tornar-se candidatos para os mais altos cargos do dia para a noite” argumenta Calderone.

A diferença, claro, é que Palin foi atacada e escrutinada pela imprensa, enquanto a Obama foi dado um passe-livre em questões como a de ter um mentor como Frank Marshall Davis, membro do Partido Comunista, e o fato de o FBI ter um arquivo de 600 páginas sobre esse mentor . Nossa mídia não quis nem quer investigar isso.

O comunismo foi e é uma conspiração. Sem comentar que cada acusação feita pelo JBS ou seus líderes ao longo dos anos, a sua reivindicação central – de que os líderes dos Estados Unidos estão trabalhando com os comunistas e outros para estabelecer as bases de um governo mundial – não pode ser descartada assim de imediato. Objetivamente falando, alguém tem que admitir que o debate sobre taxas globais e governo mundial é comum nas notícias e não se pode dizer que são fantasias da turma do “black helicopter8“. Mesmo o Papa manifestou a sua crença numa “Autoridade Política Mundial”. O próprio jornal do Vaticano publicou uma crítica favorável da teoria marxista.

A esta altura, ninguém pode duvidar seriamente que algum tipo “Nova Ordem Mundial” é iminente. As verdadeiras questões são sobre a medida em que ela será deliberadamente concebida para subverter a posição dos EUA no mundo e o “American Way of Life9,” e qual é o papel que o presidente Obama está exercendo nela.

Os críticos da JBS têm de admitir que a organização está na pista certa a respeito de um governo mundial emergente.

Sobre a questão dos famigerados truthers e birthers, são duas questões completamente diferentes. Pessoas agrupadas no “movimento pela verdade” sobre o 11 de Setembro são tanto de direita quanto de esquerda. Eles incluem os talk shows do Alex Jones, supostamente da direita, e do comunista Van Jones, da esquerda. Eles compartilham uma profunda desconfiança de que o governo seja dominado por corporações e agências de inteligência, que supostamente estão atrás do cenário manipulando as cordinhas.

A falha de inteligência no 11 de setembro

No caso do 11 de Setembro, entretanto, há provas abundantes de uma enorme falha de inteligência que levou aos ataques muçulmanos. A questão real é se os erros foram corrigidos e se os funcionários do governo responsáveis por essa falha de inteligência foram devidamente julgados. Claramente a resposta é não.

Os truthers do 11 de Setembro ignoram o fato de que, se os funcionários americanos orquestraram o atentado, por que esses mesmos funcionários não poderiam ter plantado armas de destruição em massa no Iraque para justificar a derrubada do regime de Saddam Hussein? Isso teria sido relativamente fácil, em comparação aos complicados e elaborados esquemas necessários para que se atacasse o World Trade Center e o Pentágono, para depois pôr a culpa dos ataques em muçulmanos que seqüestraram aviões comerciais americanos.

Se o 11 de Setembro foi uma conspiração membros do governo americano, por que o governo também não jogou a culpa na al-Qaeda pelos ataques com antraz ocorridos depois do 11 de Setembro? O FBI, porém, recusou-se terminantemente a fazê-lo, a despeito de evidências seguras ligando os membros daquele grupo terrorista muçulmano aos assassinatos causados pelo antraz. Como já argumentamos, isto demonstra a estupidez e a incompetência por parte funcionários do governo, a ponto de caracterizar corrupção. O problema do governo federal, sob as administrações Bush e Obama, foi e é a incapacidade de compreender e lidar com a ameaça islâmica, não a orquestração ou o amparo a tal ameaça.

Enquanto os conservadores estão sendo convocados para purgar os “truthers” de suas fileiras, o “truther” Van Jones está retornando ao Center for American Progress10 (CAP), financiado por George Soros, que tem fornecido pessoal e idéias para a administração de Obama. Na verdade, Jones trabalhou anteriormente para o CAP antes de trabalhar na Casa Branca.

A alegação de que o 11 de Setembro foi um “inside job11” é um desvio do esforço sério para analisar e responsabilizar os membros do governo que não conseguiram fazer o seu trabalho de prevenir os ataques aos Estados Unidos. Não é nenhuma surpresa que a al-Jazeera e a Russia Today – verdadeiros canais de propagandas financiadas pelos seus governos – têm promovido “movimento da verdade sobre o 11 de Setembro”, sabendo que desviar a atenção dos reais autores destes atos terroristas e inspira um ódio ainda maior aos EUA.

Os “Birthers”

A questão dos “birthers” é completamente diferente. Em seu artigo, Vogel define os birthers como “conservadores acreditam que Obama não nasceu nos Estados Unidos e que, portanto, é inelegível para ser presidente”. Como vimos em seu artigo, o “birther” do CPAC é um democrata partidário de Hillary Clinton.

Esta é uma questão que cruza fronteiras ideológicas porque mesmo esquerdistas honestos reconhecem o simples fato de que a cópia da certidão de nascimento divulgada pela campanha de Obama é carente de informações básicas e essenciais sobre quem estava presente no parto e em que hospital ele ocorreu. Um dos proeminentes céticos quanto à autenticidade deste documento é o ex-oficial da CIA Larry Johnson, um partidário de Hillary Clinton nas primárias do Partido Democrata para escolher um candidato à presidência.

Glenn Beck disse que breves referências de jornal sobre o nascimento de Obama vêm somar-se às provas de que ele de fato nasceu no Havaí. Mas estas notas também são carentes de informações essenciais, tais como os nomes do hospital e do médico que realizou o parto.

Ao publicar uma cópia da minha própria certidão de nascimento, eu tentei demonstrar quais são as outras informações necessárias sobre o nascimento de Obama que estão faltando. A única maneira de resolver estas questões é identificar exatamente onde ele nasceu, em que hospital e qual médico estava presente. Todas essas informações deveriam estar em uma certidão de nascimento original. Há uma razão inexplicável pela qual esse documento não foi liberado. É por isso que a questão “birther” ainda é legítima e é por isso que Beck e outros não deveriam descartar de maneira arrogante aqueles que, como Joseph Farah do WorldNetDaily, estão dispostos a continuar fazendo as perguntas difíceis.

Os assim chamados “conservadores” da mídia – como aqueles mencionados no artigo de Vogel no Político, que se recusam mesmo a tolerar as perguntas sérias e difíceis sobre o passado de Obama – ou foram intimidados pelos esquerdistas ou têm medo de realizar o árduo trabalho necessário para obter respostas. Em qualquer caso, eles não fazem parte de nenhum “establishment conservador” e não têm direito à influência sobre a mídia conservadora como um todo. Na verdade, eles sujam o nome do jornalismo conservador.

Na parte II: Alex Jones, a televisão russa e os Oath Keepers.

Cliff Kincaid é o editor do Accuracy in Media – www.aim.org

Fonte: http://www.aim.org/aim-column/the-media-extremists-and-conspiracies-part-one/

Tradução: Rafael Resende Stival, do blog Salmo 12.

Revisão: Alessandro Cota

Notas do tradutor.

 

{slide=Artigos Relacionados}{loadposition insidecontent}{/slide}

{slide=Artigos do Mesmo Autor}{loadposition insidecontent2}{/slide}