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A mídia, os extremistas e as conspirações – Parte II

5 de maio de 2010 - 7:36:15

Porém, os Oath Keepers
1 tem algumas explicações a dar. Uma delas é por que eles se associaram com Alex Jones, o queridinho do canal de TV Rússia Today e o mais famoso ”
truthers“. Jones pode posar como um conservador, mas ele é tudo menos um deles.

Diz-se que os Oath Keepers incluem militares da ativa, veteranos, policiais e bombeiros. Dizem os Oath Keepers: “Nosso juramento é pela constituição, não pelos políticos, e não vamos obedecer a ordens inconstitucionais (e, portanto, ilegais) ou ordens imorais, como a obrigação de desarmar o povo norte-americano ou para colocá-los sob a lei marcial ou para privá-los de seu antigo direito a julgamento por júri”. “Nós, os Oath Keepers, estabelecemos certos limites. Não obedeceremos cegamente a ordens. Nosso lema é: “Não enquanto estivermos na vigia!”

O movimento é reminiscente da indignação popular que surgiu depois de Michael New, um especialista do exército, ter sido submetido à corte marcial na administração Clinton e desonerado por má conduta, porque havia recusado a obedecer a ordens de que deveria apresentar-se para servir numa operação militar controlada pelas Nações Unidas. Seu pai, Daniel New, e eu escrevemos um livro sobre o caso, intitulado Michael New: Mercenary or American Soldier (Michael New: Mercenário ou Soldado Americano). Recentemente, assessores de Barack Obama, trazendo maus presságios, recomendaram que ele enviasse mais tropas americanas para servir às Nações Unidas, em violação da constituição americana, da lei e dos juramentos militares dos soldados.

O problema é que Stewart Rhodes, o fundador dos Oath Keepers, e os membros do grupo têm mantido estreita colaboração com Alex Jones, que é critico agressivo da presença militar americana no mundo e chegou mesmo a defender a invasão russa de uma ex-república soviética: a Georgia, agora país independente. O novo filme de Jones, “Fall of the Republic” (A Queda da República), tem um “extra” que promove os Oath Keepers.

Curiosamente, Jones se tornou uma atração comum no Russia Today (RT), o canal estatal de propaganda do governo russo em inglês. Em setembro passado, foi ao ar, no Russia Today, uma série de televisão em três partes que apresentava o 11 de Setembro como um “inside job1.”

O RT, que tem um estúdio em Washington, D.C., atinge as cidades de Nova York, Los Angeles e Washington D.C. através vários sistemas de TV a cabo.

O Anti-americanismo do Russia Today

Mais recentemente, o RT espalhou anúncios que apresentavam imagens sobrepostas do presidente Barack Obama e do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e perguntavam: “Quem representa a maior ameaça nuclear?” A insinuação é a de que o arsenal nuclear americano é uma ameaça tão grande – ou maior – quanto as armas nucleares nas mãos de fanáticos muçulmanos do Irã.

Outro anúncio do RT compara as tropas militares americanas a terroristas islâmicos.

Como seus antecessores da era soviética, o Russia Today pretende enfatizar as histórias e entrevistas que fazem com que os Estados Unidos ganhem má fama internacionalmente. Como notaram os cultores Ariel Cohen e Helle C. Dale, da Heritage Foundation, em um novo estudo, “O Kremlin está usando o anti-americanismo como uma ferramenta estratégica para alcançar objetivos de política interna e externa. Através de meios de comunicação controlados ou detidos pelo Estado, o governo russo está deliberadamente espalhando venenosas propagandas anti-americanas na Rússia e no exterior, jogando a culpa de muitos dos problemas da Rússia no Ocidente, particularmente nos Estados Unidos.”

Na reportagem, “a revolução é a solução”, o RT entrevistou Carl Dix, do Partido Comunista Revolucionário, sobre a necessidade de uma revolução comunista nos EUA. O entrevistador russo passa a entrevista inteira como se nada tivesse acontecendo, sem expressão.

No dia 13 de agosto de 2008, depois que a Rússia invadiu a Geórgia, sua ex-república e agora um estado independente, com milhares de tropas, a emissora transmitiu uma entrevista com Gloria La Riva do Partido do Socialismo e Libertação, culpando imperialismo americano pelo conflito. Quatro dias depois, La Riva foi novamente citado pela RT, incitando os EUA a ficar de fora da região.

Defendendo a Rússia

Alex Jones, descrito como “o jornalista investigativo americano”, compareceu à emissora em 26 de agosto de 2008, insistindo que o “complexo militar industrial internacional privado” dos Estados Unidos “lançou um ataque surpresa aos “enclaves russos” na Geórgia, a fim de “apoiar os georgianos protegidos por Israel, EUA e OTAN.” Jones disse que os EUA eram culpados de “crimes sem precedentes” e instou a Rússia a continuar ocupando as regiões que haviam invadido.

“Eu, como americano, peço desculpas por termos permitido que nosso governo fosse dominado de tal maneira”, disse Jones, que passou a culpar o “neo-cons2 da OTAN, dos EUA e de Israel”, que “querem ver uma nova Guerra Fria”.

Algumas das outras aparições de Jones na rede de propaganda Rússia Today, segundo o site do canal, incluem:

  • No dia 7 de abril de 2009: “Os EUA são um fantoche dos banqueiros privados.” Este artigo, sobre o filme “The Obama Deception” (A decepção Obama), de Jones, afirma a “A América se tornou um fantoche nas mãos de banqueiros privados que trabalham em prol de uma nova ordem mundial.”
  • No dia 29 de abril de 2009. “Obama é um candidato a ditador.” A descrição diz: “Em seus primeiros cem dias no cargo de presidente, Barack Obama surfou uma onda de apoio vinda de todo o mundo, mas nem todo mundo nos Estados Unidos foi convencido pelo desempenho do presidente, como, por exemplo, o importante radialista Alex Jones”.
  • No dia 20 de maio de 2009. “Alex Jones: As Intenções Maléficas do Clube Bilderberg”.
  • No dia 14 de julho de 2009. “Líderes soviéticos e norte-americanos estavam em conluio.” A descrição diz: “Como o radialista Alex Jones asseverou em um documentário recente, parece que tudo aconteceu no Bohemian Grove da Califórnia, um local de encontro da elite mundial controladora.”
  • No dia 23 de novembro de 2009. “Os EUA precisam de uma revolução pacífica.” Na descrição está escrito: Em uma entrevista exclusiva com Anastasia Churkina do RT, o locutor de rádio e cineasta americano Alex Jones revela um lado alternativo das recentes políticas americanas. Trata-se do filme “A Queda da República.”
  • No dia 6 de fevereiro de 2010. “O radialista Alex Jones vê os novos passos para proteger os EUA de ataques cibernéticos como tentativas de limitar a liberdade de expressão.”

O site www.infowars.net, de Alex Jones, também é consultado pela emissora Russia Today para inspirar suas matérias, como quando ele foi citado como fonte do artigo de 2 de maio de 2009, afirmando que as companhias farmacêuticas americanas foram responsáveis pelo surto de gripe suína.

“Barack Hussein Obama, que concorreu como sendo um candidato anti-guerra, continuou a guerra no Iraque, expandiu maciçamente a guerra no Afeganistão e desencadeou um novo conflito no Paquistão,” disse Jones em “Queda da República”, seu novo filme. “Obama está promovendo o maior orçamento de defesa da história, fazendo com que a máquina de guerra de George Bush pareça pequena em comparação.”

“Obama expandiu a doutrina de Bush de detenção indefinida sem julgamento aos estrangeiros,” diz Jones, provando seu ponto ao mostrar um vídeo da comentarista liberal lésbica Rachel Maddow, em que ela lamenta no seu programa da MSNBC-TV que Obama tinha apoiado a política de “detenção prolongada” para terroristas acusados.

Assim, Alex Jones e Rachel Maddow são os críticos de Obama da esquerda. Talvez eles possam figurar cada um no show do outro.

A conexão com Lyndon LaRouche

Jones, que atrai alguns conservadores à sua causa misturando algumas informações conservadoras em seus filmes, depende muito de Webster Tarpley, um ex-membro da organização Lyndon LaRouche, que se especializa em culpar os sionistas, o Reino Unido e da Rainha de Inglaterra pelos problemas do mundo. Em vez de ser algum tipo de conservador, LaRouche é um ex-marxista e ex-candidato democrata à presidência que dormiu um tempo na prisão por conta de acusações de fraude financeira. Seu grupo teve seu começo como uma facção do Students for a Democratic Society (Estudantes por uma Sociedade Democrática). Era então conhecido como o National Caucus of Labor Committees (Convenção Nacional de Comitês de Trabalho).

Na década de 80, o movimento LaRouche foi considerado como porta-voz de uma linha pró-soviética em assuntos externos. Seus membros eram especialistas em confundir conservadores sobre as intenções comunistas e soviéticas.

Tarpley, que aparece com destaque em “A Queda da República” e também no “The Obama Deception”, escreveu um livro sobre Obama, insistindo que Frank Marshall Davis, o seu mentor infância e membro do Partido Comunista, não era um verdadeiro marxista e que o próprio Karl Marx era um agente britânico.

As idéias de Tarpley circulam entre o pessoal da direita e da esquerda. Na conferência de “reforma midiática” de 2007, promovida pela esquerda nacional e patrocinada pela Free Press, que por sua vez é subsidiada por George Soros, os livros de Tarpley estavam sendo vendidos juntamente com exemplares de “progressistas” famosos como Noam Chomsky e Howard Zinn.

Tarpley foi por duas horas um convidado especial da agora falida America Air, uma rede liberal de rádio. Seu site divulga suas próprias aparições na emissora Russia Today, incluindo um caso recente em que ele afirmava que “o recente ataque que falhou em um jato de passageiros americanos viajando de Amsterdam para Detroit era uma provocação armada e controlada pela inteligência americana…”

Os livros de Tarpley estão disponíveis através de um site de interessante nome: Progressive Press (isto é, Publicações Progressistas). Mas não procure por nenhum artigo sobre como será que a colaboração “progressista” de Alex Jones e Tarpley Webster constitui um problema para o establishment esquerdista.

A Conexão da Revista Nation com LaRouche

Neste contexto, é interessante notar que a revista The Nation, uma publicação “progressista” de primeira linha, apresenta textos de Robert Dreyfuss, outro ex-colaborador da LaRouche.

Como articulista que escreve para a Nation, para o TomPaine.com, para a Mother Jones e para a Rolling Stone, Dreyfuss falou na New America Foundation sobre o tema do “falso choque de civilizações” entre o Islã e o Ocidente. Quando trabalhava para a LaRouche, Dreyfuss especializou-se em expor “conluios” sionistas. Seu foco atual é escrever contra a “ocupação” americana do Iraque, argumentando que os EUA podem aceitar um Irã com armas nucleares.

A editora do Nation, Katrina Vanden Heuvel, emprega Dreyfuss, que escreve num blog daquela publicação e elogia o retorno do “truther” comunista Van Jones ao Center for American Progress. Ela escreveu: “Sim, assinar a petição do site 911truth.org foi um passo em falso.”

“Mas Jones negou a autenticidade da sua assinatura e disse que o texto da petição nunca representou seus pontos de vista no passado e nem os representa agora.”

Ela não diz nada sobre o envolvimento dele na organização revolucionária comunista STORM3 (tempestade), que também deu margem a que as opiniões dele fossem objeto de exame, nem sobre a razão pela qual a declaração de demissão dele ter sido escrita por funcionários da Casa Branca sem que houvesse uma só palavra de Jones. A informação que liga Van Jones a Valerie Jarrett, assessor de Obama, e ao próprio Obama, apareceu um pouco antes de ser anunciada a renúncia de Jones.

Também foi quando a nossa mídia decidiu não contar a história.

 

Notas:

1Os detalhes sobre estes nomes estão nas notas do tradutor da página anterior: (link do artigo)

2 – Neo-conservadores

3 – Standing Together To Organize a Revolutionary Movement (Permanecendo Juntos para Organizar um Movimento Revolucionário)

 

Leia também a primeira parte: A mídia, os extremistas, e as conspirações – Parte 1.

Cliff Kincaid é o editor do Accuracy in Media – www.aim.org

Tradução: Rafael Resende Stival, do blog Salmo 12.

Revisão: Alessandro Cota


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