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A noite dos mortos-vivos: o Pravda on-line, em português

20 de agosto de 2009 - 14:47:07

Email que me foi disparado pelo comunista do Tatuapé – um boçal que vive do bolsa-ditadura e que passa os dias a fazer proselitismo pela internet para um seleto mailing de vigaristas – dá conta de que o Pravda – jornal fundado pelos velhos bolcheviques e que se tornou o porta-voz do Partido Comunista da União Soviética – está vivo na internet e compreende edições em russo, inglês, italiano e português, sem falar numa seção dedicada aos eleitores e às eleições a todos os níveis, outra especial de informação para jovens e mais outra sobre informática e ecologia.

Segundo o email, as páginas do Pravda são visitadas mensalmente por 4 milhões de internautas e o número diário de pageviews é de 250 mil. Além disso, em linguagem capenga de release, em que as informações deixam muito a desejar em matéria de exatidão, o texto informa ainda que “o Pravda.ru foi a primeira empresa na Runet (Internet russa) a editar notícias. Este trabalho começou em outubro de 2000, em versão inglesa, e é atualmente a edição 
online mais popular, no que toca à frequência de citações e de renovação da informação [onde?]. Existem planos para publicar versões em chinês e árabe [por que será, né?]. O Pravda.ru tem uma reputação estável e sólida [em que meios?] e mantém-se num ranking muito alto [qual?]”.

Enfim, lá fui eu dar uma espiada na edição portuguesa do Pravda, onde me deparei com um artigo intitulado “A esquerda, a direita e o futuro”, cujo teor se evidencia já no primeiro parágrafo: “Muitas foram as vitórias da Esquerda política ao longo de quase dois séculos, retirando o poder concentrado nas mãos dos poucos que dominavam o capital, recursos e riqueza e que restringiram os serviços públicos a um tipo de jogada monetária, servindo os interesses do clique de elitistas que controlava as sociedades. Porém longe de estar derrotada, a Direita está ressurgente, está bem, está sendo eleito e está fazendo progressos em todas as frentes”.

O artigo prossegue, dando conta que foi essa mesma direita que sabotou a experiência socialista na Rússia e no Leste europeu, levando-a ao colapso, mas essa é uma verdade que me parece tão evidente, que não me dei ao trabalho de continuar a lê-lo. Pulei para uma reportagem informando que “a Força Aérea do Pentágono ambiciona instalar uma base na costa do Nordeste brasileiro, perto do Recife, embora julgue difícil consegui-la devido ao ‘relacionamento político com o Brasil'”.

A matéria tinha como fonte uma reportagem publicada no Vermelho, site do Partido Comunista do Brasil que, por sua vez, se baseava num documento
do US Air Mobility Command, que está 
on-line e onde não existem nada mais do que especulações sobre possíveis estratégias militares dos Estados Unidos no mundo todo. Nem é preciso dizer que, se o documento está na rede, é porque seu caráter é meramente especulativo, um 
paper de 
scholars da Estratégia, e que destacar as duas linhas sobre base em Recife, entre tantas outras bases especuladas nos cinco continentes num documento de 50 páginas, é o mais puro sensacionalismo.

Deixei de lado a reportagem, assim como dois outros artigos sobre a ameaça que constituem as bases americanas na Colômbia, um dos quais com declarações do ex-ministro da defesa Waldir Pires (!!!), e fui dar uma olhada numa seção intitulada “Contra a homofobia”, que insere as bibas e sapatas no contexto da luta contra o capital e o imperialismo, informando, entre outras coisas, que a 3ª. Parada gay de Alagoinhas (BA) atraiu 15 mil pessoas (te cuida, São Paulo!). Será que o fato de a bicharada baiana estar no Pravda é uma mera coincidência ou as articulações internacionais entre comunistas e ativistas homossexuais não são um simples delírio do Olavo de Carvalho, aquele direitista incorrigível?

Chega, não é? O Pravda 
on-line em português ainda tem uma série imensa de reportagens e artigos contra os Estados Unidos e a Geórgia, traz belas fotos de armas e veículos militares russos, denúncias contra o criminoso de guerra Saakashvili (o presidente da Geórgia) e Rasmussen (o secretário-geral da Otan), contra o agronegócio no Brasil (que fez do país o maior consumidor mundial de veneno) e até uma nota das feministas de Honduras manifestando sua solidariedade ao presidente Zelaya, que, por sinal, será recebido no Palácio do Planalto hoje. Chega a dar impressão que se está lendo a Carta Capital ou Caros Amigos…

http://observatoriodepiratininga.blogspot.com

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