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A pergunta que não quer calar

28 de dezembro de 2009 - 6:33:07

A suposição de que esse depoimento foi marcado e que teria contribuído para a decisão do suposto suicídio deu ares dramáticos, até conspiratórios, ao papel de Marcelo Cavalcante. Não custa lembrar aqui que Cavalcante era funcionário subalterno, sem acesso às decisões de financiamento de campanha, residindo em Brasília. A impressão que tenho é, de novo, a conexão entre corrupção e a revolução em marcha no Brasil, nos moldes do que estamos a assistir no Distrito Federal. Fatos, verdadeiros ou falsos, são utilizados pelo aparelho jurídico-policial para destruir os inimigos políticos do PT. Este partido quer ganhar as eleições
antes dos eleitores irem às urnas, mediante escândalos e batidas policiais. O PT inviabilizou os nomes de José Roberto Arruda e de Yeda Crusius, fortes candidatos naturais à própria sucessão, usando o mesmo expediente.

A imprensa, à época do falecimento de Marcelo Cavalcante, também se referiu a uma suposta carta escrita por Lair Ferst para a governadora Yeda Crusius, a ser entregue por Marcelo Cavalcante. Quem escreve cartas hoje em dia? Quem se propõe a gerar um documento desses, com graves denúncias contra as autoridades constituídas? Claro, aqueles que querem gerar um fato de comunicação política. De novo fiquei com a impressão de coisa plantada contra Yeda Crusius.

É nesse contexto que devemos ler com lupa a entrevista dada à revista Veja, referida em meu artigo anterior. Magda Koenigkan recitou direitinho o script do que deveria dizer. Sua fala pareceu mais uma peça de acusação. Até a entrevista ela ainda defendia a tese de suicídio, que mudou posteriormente. Afinal, como a necropsia não atestou morte por afogamento parece não restar dúvida de que Marcelo Cavalcante morreu antes de ser jogado no lago. As imagens das câmaras da Ponte JK mostraram que ele estava lá por volta das 14:00 do dia 15 de fevereiro, a pé, e desde então não mais foi visto. Impossível ter-se jogado naquela hora, naquele lugar, sem ser percebido. A tese de suicídio ficou insustentável.

Não podemos esquecer que quem mexe os paus em Brasília para derrubar José Roberto Arruda são os mesmos que quiseram derrubar Yeda Crusius. O nome do pai de Luciana Genro, o ministro Tarso Genro, se eleva como um Beria tupiniquim. A decisão antecipada das eleições, por ação policial espetacular, tornou-se rotina desde que ele passou a comandar a Polícia Federal. O cadáver insepulto de Marcelo Cavalcante, por não acusar afogamento, causou um grande constrangimento aos que arquitetaram o plano. Só nisso falharam, mas isso é decisivo. Se Marcelo não se afogou alguém o matou, algo elementar. Esta é a pergunta que não quer calar: quem matou Marcelo Cavalcante?

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