1. Arquivos
  2. Terrorismo

A tática humanitária e a estratégia terrorista

2 de abril de 2010 - 18:09:43

Três objetivos estão por trás da parafernália humanitária. Primeiro, avançar no reconhecimento das FARC como força beligerante. As libertações serão aproveitadas para intimar os candidatos presidenciais a realizar o chamado “acordo humanitário”, sobre a base de que o novo governo as gradue como uma organização política alçada em armas e não como um grupo terrorista.

Nessa linha, desejam esgrimir o “acordo” para permitir que “países amigos” intervenham na “saída negociada”, o qual lhes outorga de entrada o status político e um tratamento de igual para igual com o Estado. Sonham com o chamado “Grupo Contadora”, acordado por Hugo Chávez e Iván Márquez em novembro de 2007. Com a participação de vários dos governos de esquerda no hemisfério, quiseram integrar um conjunto de países destinado a reconhecer as FARC como beligerantes e pressionar o governo da Colômbia a uma negociação.

O segundo propósito é posicionar a “saída negociada ao conflito social e armado” na campanha presidencial. Como no passado, querem que os candidatos emulem em matéria de segurança e paz, a partir das proposições das FARC. Para consegui-lo, repetem a manobra que realizaram em março de 2006. Nessa oportunidade, dois agentes da polícia foram libertados no Putumayo em instância do candidato Álvaro Leyva. A firmeza cidadã em rechaçar os seqüestradores fez a ação fracassar.

Romper essa firmeza contra o crime, dividindo os cidadãos entre partidários e contraditores do acordo humanitário e do diálogo com as guerrilhas, é o terceiro objetivo. Buscam obter legitimidade, demonstrar que são atores políticos e pressionar o governo mobilizando setores da população a favor da negociação e da “solução política”. É a paz como palavra de ordem de agitação e mobilização.

Com a tática humanitária e a palavra de ordem do diálogo, pretendem transferir a responsabilidade dos seqüestros e da violência guerrilheira ao governo e aos candidatos presidenciais que não se alinhem com as demandas farianas. Os assinalamentos de que Uribe, antes de finalizar seu período, deve celebrar o “acordo humanitário”, procura “provar” que ele foi o obstáculo e sublinhar a necessidade de um novo governo que “aposte na paz e não na guerra”, certamente, que não será um que continue com a Política de Segurança Democrática, senão que aceite seu desmonte como ponto de partida para um processo de paz. Um governo de apaziguadores.

A guerrilha repete o mesmo estribilho. Sempre, antes das eleições presidenciais, a organização terrorista reclama negociação, assinala que está disposta a abordar em uma mesa de diálogo a “solução das causas que deram origem ao conflito” e que requer-se um presidente que tenha real vontade de resolver os problemas dos colombianos como requisito para pactuar a paz. Todos esses não são mais do que recursos táticos empregados no marco de seu plano estratégico, não para alcançar a paz, senão para escalar a guerra.

Do mesmo modo ocorre com as ações terroristas. Cada final e começo de um novo governo está marcado por atentados e massacres. O “menino-bomba” que morreu em El Charco e o carro-bomba que deixou 9 mortos em Buenaventura, procuram demonstrar que a Política de Segurança Democrática fracassou, e que seria inevitável a negociação com as FARC. Com isso também querem manipular, através do medo, a vontade dos cidadãos.

Embora, em princípio, os atentados fortaleçam o rechaço às FARC, Alfonso Cano e Mono Jojoy sabem que, se são capazes de aumentar suficientemente a freqüência e elevar o número de vítimas, podem afetar a vontade dos cidadãos. Daí que as Nações Unidas tenham razão quando advertem sobre a possível execução de mais atos de violência.

Em síntese, estamos ante uma ofensiva terrorista e uma campanha de propaganda orientada a quebrar a vontade de luta do Estado contra as guerrilhas, pela via política.

Embora Álvaro Uribe tenha lhes devolvido o balão e neutralizado temporariamente a manobra fariana, ao aceitar a possibilidade de um acordo humanitário, a atitude responsável seria que os candidatos rechacem o acordo de forma unânime; exijam a libertação imediata e sem condições de todos os seqüestrados e restrinjam qualquer diálogo à decisão irrevogável da guerrilha de renunciar à violência e de desmobilizar-se. Assim se acaba com o aproveitamento, por parte das FARC, das contradições e com a utilização do acordo humanitário e do diálogo como uma tática a serviço de uma estratégia de guerra.

* – Professor de Análise do Terrorismo – Universidade de Rosário

Fonte:
http://www.facebook.com/l/af8d4;
http://politicayseguridad.blogspot.com

Tradução: Graça Salgueiro

 

{slide=Artigos Relacionados}{loadposition insidecontent}{/slide}

{slide=Artigos do Mesmo Autor}{loadposition insidecontent2}{/slide}