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A união FARC-ELN e a volta do terrorismo urbano

28 de dezembro de 2009 - 6:23:12

Tudo indica que os acontecimentos recentes não são isolados. A já recorrente palhaçada dos mal chamados “Colombianos pela paz”, que descaradamente servem de multiplicadores à sinistra manipulação das FARC para liberar os seqüestrados, somada ao anuncio de fusão do ELN com as FARC (equivocadamente desprezado pelo novato ministro da Defesa e minimizado pelo alto comando militar), a ressurreição do terrorismo urbano com o seqüestro e assassinato do governador de Caquetá, as desafiantes declarações do chanceler brasileiro, Celso Amorim, acerca da presença militar gringa na Colômbia e a quixotesca sugestão do Monsenhor Castrillón, denotam um giro estratégico das FARC e seus cúmplices empenhados em tirar Uribe do caminho para conduzir a Colômbia ao socialismo castro-chavista.

Dentro e fora da Colômbia os comunistas são conscientes de que as FARC estão em um mal momento militar. Por essa razão, forçaram a fusão com o ELN, mediante a qual pretendem reestruturar e reforçar as frentes para recuperar zonas de onde fossem desalojados. Do mesmo modo, ter uma força guerrilheira forte para apoiar seu cúmplice Hugo Chávez, no momento em que este decidir atacar a Colômbia para forçar a entrada de sua arcaica ideologia política e, de passagem, reconhecer como seus aliados militares e políticos os terroristas colombianos e seus reconhecidos padrinhos políticos.

Entretanto, os governos comunistas de Lula, Correa, Evo Morales, Daniel Ortega, a Kirchner e o bispo vermelho do Paraguai, se opõem à presença militar norte-americana porque têm o plano, ainda no começo, de outorgar status de beligerância às FARC, seja porque ocorra cada dia mais a iminente agressão armada chavista contra a Colômbia, ou seja porque a União Européia dê condições para que se negocie em seu território a libertação dos seqüestrados, com o implícito reconhecimento político e supressão do qualificativo de terroristas às FARC.

Desde há alguns meses Monsenhor Castrillón anda como mediador e facilitador. Os contatos foram feitos com terroristas do ELN residentes na Europa, muito próximos a um importante setor da Igreja Católica e por bandidos das FARC que, isolados ou escondidos com identidades falsas, portam passaportes venezuelanos ou equatorianos expedidos legitimamente e com a ciência das respectivas chancelarias desses países, viajam pela Europa como se estivessem em casa e inclusive têm muita aproximação com politiqueiros na sede do governo francês, alguns desinformados parlamentares europeus e membros dos partidos comunistas da Espanha, França, Itália, Dinamarca, Noruega, Suécia, Suíça e Grécia.

O covarde e demencial assassinato do seqüestrado governador do Caquetá se converteu na peça que falhou na estratégia publicitária e propagandística montada pelas FARC, Lula e seus demais sequazes. A idéia era sinistra. Com o governador seqüestrado e ante a mentirosa proximidade da libertação de Moncayo, as FARC pediriam desde a Europa como condição única para iniciar a libertação dos seqüestrados, a supressão do qualificativo de terroristas, o reconhecimento de status de beligerância e o início de uma farsante mesa de diálogo para aclimatar a suposta paz, enquanto Chávez os ajuda a se instalar nas posições-chave do governo.

Essa é a razão para que a porta-voz fariana incrustada no grupo de Danielzinho, o travesso, e demais idiotas úteis das FARC, se fizesse de desentendida e manifestasse não ter conhecimento das datas das libertações.

Essa é a mesma razão para que o língua solta Monsenhor Córdoba anunciasse perus e ceias natalinas nas casas das vítimas. É a mesma razão para que os mal chamados “Colobianos pela Paz”, depois de “não saber nada”, anunciassem por meio de sua loquaz porta-voz que as liberações de Moncayo e Calvo se produziriam em janeiro.

A explicação é simples: tudo isto seria feito com um governador seqüestrado e os camaradas das FARC pressionando em foros internacionais o acordo humanitário já, assim como a estultícia do Monsenhor Castrillón servindo de brinquedo útil à manobra político-estratégica das FARC e do Foro de São Paulo.

Porém, o plano terrorista falhou. A reação imediata das Forças Militares encurralou os seqüestradores do governador. Sanguinários e desapiedados, os sicários degolaram a vitima e ao mesmo tempo decapitaram uma jogada de mestre, idealizada em Brasília por Amorim, os delegados das FARC e o governo venezuelano.

Desesperados para não perder o cartaz político, os terroristas forçaram Monsenhor Castrillón a dar a “boa-nova” de que vai se reunir com o delegado de Alfonso Cano porque essa é a outra carta que lhes resta. É por essa razão que Amorim se viu obrigado a bancar o palhaço com o conto das bases gringas, em que pese que ele e seu chefe Lula sabem que não são bases gringas, senão pessoal militar norte-americano dentro das bases militares colombianas que já existem. Que falta faz que a chancelaria e o governo colombiano exijam que Lula mande calar esse boquirroto…

Uma vez mais, do mesmo modo como sucedeu por esta mesma época com o caso de Emmanuel, filho de Clara Rojas, a razão está do lado do governo nacional. Porém, claro, falta a ação diplomática massiva de embaixadores, cônsules e demais plenipotenciários, para que o mundo inteiro deduza quais são as verdadeiras intenções do Foro de São Paulo, pois as FARC já não atuam sozinhas nem se movimentam sós, mas são interdependentes do projeto totalitário comunista articulado por todos os que fazem parte do Complô contra a Colômbia. Dentro e fora do país.

O mal e o feio do assunto é que os militares e policiais continuam seqüestrados, e esta situação favorece a estupidez funcional do professor Moncayo, que não apenas ataca o presidente Uribe com o mesmo nível de imbecilidade que a mãe de Ingrid Betancourt desatava, senão que cometeu o embuste de candidatar-se ao Congresso pelas listas do Polo, quer dizer, no mesmo grupo onde militam alguns dos moleques de recado das FARC, ao que parece, para pressionar pelo acordo humanitário.

Há aí duas opções: que os neurônios do professor Moncayo não sejam suficientes para entender que as FARC e os mal chamados “Colombianos pela Paz” estão brincando com sua dor, ou que, por desgraça, ao aceitar a militância no Polo, na realidade Moncayo pertence à esquerda pró-chavista e sua atuação é consciente para favorecer o projeto totalitário comunista contra a Colômbia.

O certo é que o governo nacional tem que andar com pés de chumbo no caso da “boa-nova” do Monsenhor Castrillón, pois este gesto de paz fariano não deixa de ser outra tentativa de emboscada do Foro de São Paulo, que está dolorido porque seus mandatários não puderam crucificar Uribe na UNASUL, e agora jogam outra tarrafa e outros anzóis em outro cenário geopolítico, para ver se conseguem abrir caminho para o status de beligerância das FARC e a aclimatação na Colômbia de um governo títere de transição para o comunismo chavista, a partir de 7 de agosto de 2010.

 

* Analista de assuntos estratégicos – www.luisvillamarin.com

Tradução: Graça Salgueiro

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