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A vitória de Maria Benevides e do corporativismo acadêmico petista

26 de março de 2009 - 3:41:47

Agora, a revista Brasileiros estampa em sua primeira página a efígie de dona Maria Vitória Benevides, que é apresentada nas chamadas como “uma mulher de garra”, “socióloga, educadora e cientista política”, que “vira fera para defender os direitos dos cidadãos”. Trata-se, evidentemente, de um desagravo que se faz à, vá lá, educadora, mas antes de comentá-lo é necessário tecer algumas considerações sobre a própria revista Brasileiros.

A publicação é um dos mais evidentes exemplares de jornalismo chapa branca dos meios de comunicação brasileiros. Não por acaso integra sua diretoria de redação o ex-secretário de imprensa de Lula, o petista histórico Ricardo Kotscho. Por acaso ainda menor, dos oito anunciantes que a publicação ostenta em suas 100 páginas, quatro são do governo, a saber: o Ministério da Educação, a Infraero, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil.

Responde por um anúncio de página dupla a empresa de telefonia Oi, aquele bilionário imbróglio que reuniu na mesma mamata Daniel Dantas, Lulinha, José Dirceu e Luiz Gushiken. O sexto anúncio, bem menor, é da Associação Paulista de Medicina, uma entidade classista, e o sétimo e o oitavo, respectivamente de uma empresa jornalística e de uma churrascaria nas proximidades da redação de Brasileiros, têm todo o cheiro de permutas.

Enfim, o fato de a revista estampar na capa Maria Vitória Benevides neste exato momento deixa claro o corporativismo mafioso que está por trás de personagens e publicações semelhantes, como a revista Piauí e a Caros Amigos, que se dedicam exclusivamente ao proselitismo esquerdista, travestido de jornalismo investigativo, e à ação entre amigos que é dar prestígio às figuras de esquerda dos meios jornalísticos, artísticos e acadêmicos, por meio de um colunismo social com textos mais extensos, que se pretende jornalismo cultural ou de opinião.

Por que corporativismo? Porque Maria Vitória Benevides acaba de trombar com a Folha de S. Paulo no episódio do célebre editorial de 17 de fevereiro, que chamou o regime militar de 1964 de “ditabranda”. Diante do protesto histérico que dirigiu ao jornal por isso, Benevides (bem como Flávio Konder Comparato) foi chamada de “cínica e hipócrita”, o que é, de fato, pois sua suposta atuação no âmbito dos direitos dos cidadãos limita-se àqueles com quem compartilha a ideologia política.

Maria Vitória Benevides é simpatizante da ditadura cubana e do socialismo bolivariano chavista. Além disso, é uma estelionatária intelectual de marca, de vez que transformou sua atuação no campo científico ou pedagógico em militância política. Benevides é uma das criadoras da chamada “Educação em Direitos Humanos” que nada mais é do que esvaziar a pedagogia de seus conteúdos educacionais, substituindo-os pela propaganda política.

Nas palavras da encomiástica reportagem de Brasileiros, “um ensino que tenha como preocupação central o fortalecimento de um espírito democrático, uma cultura de paz, de tolerância coma diversidade e o exercício da cidadania”. Em suma, a “pedagogia do oprimido”, um ensino politicamente correto…

Ora, uma revista mensal – particularmente uma revista mensal bancada com o dinheiro público – dedicar sua reportagem de capa ao desagravo de Maria Vitória Benevides deixa bem claro o comportamento da “intelekitualidade” esquerdista nacional: mexeu com um, mexeu com toda a patota, que sai incontinenti em defesa do par que se considerou ultrajado.

Não bastasse o abaixo-assinado com cerca de 3,5 mil assinaturas e o ato público feitos em solidariedade à professora diante da redação da Folha, que contou com cerca de 300 participantes, soma-se agora a capa de uma revista mensal, que visa dar a Benevides uma importância maior do que de fato tem. A reação é, evidentemente, desproporcional à relevância dos fatos, mas por isso mesmo serve para mostrar o ânimo e o poder de fogo da corporação acadêmica petista.

http://observatoriodepiratininga.blogspot.com

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