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Ainda Sarney e o Estadão

4 de agosto de 2009 - 7:57:30

1- Sempre disse e sublinhei que Sarney é um dos maiores pilantras da política nacional, responsável pelo maior descontrole inflacionário de nossa história, nepotista, arrivista e tudo que pode ser derivado dessa constatação. O maior crime de Sarney foi ter avalizado a chegada de Lula ao poder e ter se tornado elemento importante de sua sustentação política, ao troco bem sabemos do que.

2- Disse também que boa parte dos fatos que foram relatados pelo Estadão já era de conhecimento público. A novidade é a produção em série das notícias, em doses homeopáticas diárias, com o nítido objetivo de destruir a figura pública do senador, tirá-lo da presidência do Senado e, eventualmente, do cargo de senador. O PT usou e abusou do Sarney e agora precisa se desfazer dele, pois o senador tornou-se um obstáculo na caminhada do PT em rumo da sucessão presidencial.

3- Sublinhei que as práticas políticas do Sarney não são nem piores e nem melhores da dos seus pares. É a velha prática da elite patrimonialista do Brasil, que nos tem governado desde a fundação. Se bem ela não faz, sabemos qual é o limite do seu mal: só querem “se arrumar“, empregar a parentela e enriquecer à custa do Erário, mas tem compromisso com a ordem que sempre esteve aí, do livre mercado. O ponto é que o objetivo do PT é bem outro, que roubar o partido o tem feito desde que ganhou a primeira prefeitura: quer o poder total, se possível absoluto, quer uma outra ordem, o fim da propriedade privada, um outro mundo possível. Quer inserir o Brasil no governo globalizado, a agenda suprema da esquerda. Em suma, quer destruir o mundo como sempre foi e pôr outro mundo possível no lugar. Quer, à moda do Chávez, instalar uma república nos moldes bolivarianos, ou seja, uma ditadura leninista. Reconstruir na América Latina o terreno perdido no Leste europeu…

4- Então, é preciso ver os fatos como eles são. Sarney não é vítima porque cometeu falcatruas, o que seria um mero caso judicial. Ele está sendo removido para que o PT torne-se o único senhor do poder Federal, fato de notável gravidade. Não perceber a extensão do que se passa é perigoso farisaísmo, é cegueira política. Os leitores que atentaram para meu texto sobre a entrevista de FHC estão informados do que tem se passado.

Por fim, é preciso, de uma vez por todas, acabar com a ilusão infantil de que a população tem algum palpite a dar no destino dos recursos públicos, como de o dinheiro dos “nossos” impostos fosse “nosso”. Quanta estupidez!  O dinheiro que o Estado nos toma é dele mesmo, que dele faz o que bem quer. Pagar impostos é sinônimo de submissão ao poder de Estado, não é atestado de cidadania, como alguns cretinos pensam. Não é assim que a coisa funciona.

A gritaria em torno da roubalheira do dinheiro público nasce dessa ilusão de ótica. Ora, o Estado sabe muito bem proteger o seu próprio patrimônio, tem suas inúmeras polícias, todo sistema de Justiça e o poder avassalador da burocracia estatal para ameaçar os que metem a mão, sem autorização, na sua grana. A começar pela Receita Federal, essa monstruosidade que está ficando maior do que o próprio poder de Estado.

Mas não há remédio para cretinismo e cegueira política. É por isso que os petralhas poderão chegar com facilidade ao poder total.

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