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As eleições no Irã e Israel

26 de julho de 2009 - 4:24:08

A revolução iraniana foi uma revolta contra o projeto de modernização da Dinastia Pahlavi. Desde as primeiras medidas modernizadoras tomas por Reza Xá Pahlavi (1925) o clero se opôs, pois o desenvolvimento industrial, os projetos de infra estrutura, a rápida construção de ferrovias, a reforma do judiciário criando uma justiça laica e a melhoria da saúde da população levou à urbanização, ao surgimento de uma classe média profissional e de trabalhadores qualificados, com o conseqüente afastamento da rigidez religiosa. A resposta há muito esperada pelos elementos mais reacionários do clero, foi avassaladora: em pouco tempo o Irã regrediu à Idade Média.

Muitos manifestantes pró-Mousavi podem ter acalentado sinceramente a idéia de um afrouxamento dos controles dos Aiatolás e um retorno a algum grau de modernização. Nada mais enganoso: o grupo de Mousavi, títere de Rafsanjani, representaria uma maior participação do clero na governança do país. Para Israel e o Ocidente nada mudou e nada mudaria.

Os dados novos com o quais Israel deve contar são ligados diretamente com a Casa Branca e o Departamento de Estado nas mãos de dois inimigos dissimulados, o pior tipo de inimigo que existe. As últimas juras de amor a Israel do Vice, Joe Biden, a meu ver nada mais representam do que a estratégia da tesoura, para iludir que há amigos por lá. Mas a política de defesa de Obama também trouxe indiretamente alguns benefícios, como a retirada das tropas do Iraque. Um Iraque independente, de maioria xi’ita, representa um grande perigo para a Arábia Saudita e para os Emirados Árabes pela possibilidade de união com os xi’itas do Irã e a formação de uma superpotência regional que desafiaria a capacidade bélica dos Sauditas, até agora a maior da região. Já se fala em contatos velados de Israel com esses reinos o que poderia levar até a uma permissão secreta de sobrevôo de seus territórios para a Força Aérea israelense atacar as instalações nucleares do Irã.

Em discurso sobre os desafios militares no Oriente Médio, patrocinado pelos Emirados Árabes Unidos no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, o chefe da Junta de Comandantes do Exército americano, Mike Mullen, afirmou que os esforços do Irã para adquirir uma arma nuclear e, mais tarde um míssil de grande raio de ação, “podem ter êxito em breve”. Em linguagem diplomática – não falada – isto quer dizer que ele sabe que já está perto de ser conseguida ou até mesmo pronta a arma.

Um ataque israelense preventivo não pode ser desconsiderado, pois certamente Israel será o primeiro alvo. É tranqüilizador saber que Israel se encontra bem preparado para obter informações e até agir por meios cibernéticos contra o Irã, segundo nos informou hoje Nahum Sirotsky.

Publicado no Jornal Visão Judaica, Curitiba, PR

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