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As FARC por dentro

2 de dezembro de 2009 - 4:01:09

Excetuando-se o livro
“En el Infierno”, de minha autoria, no qual Johny, um ex-integrante das guardas pessoais de Jacobo Arenas, Raúl Reyes, Tirofijo e Alfonso Cano, ou do testemunho da terrorista que escapou com um seqüestrado, são muito escassos os relatos acerca da crueldade interna das FARC, da barbárie cotidiana, da ausência absoluta do valor que tem a vida humana nas guaridas do braço armado do Partido Comunista Colombiano e da sinistra frieza como os cabeças vivem como reis, enquanto a “guerrilheirada” vive em péssimas condições.

Não obstante, Colombianos pela Paz e os bandidos de colarinho branco que governam o Brasil, a Venezuela, o Equador, a Bolívia, Nicarágua e Cuba, do mesmo modo que os politiqueiros torpes de sempre, fazem vista grossa frente a esta realidade. De uma forma ou de outra dão cobertura política aos terroristas. Chamam-nos de “insurgentes”, “rebeldes”, “subversivos” e inclusive chegam aos aberrantes casos, como Chávez e Correa, de considerá-los como um “Estado paralelo”, ou como Piedad Córdoba de exaltar a Tirofijo e convidar os estudantes universitários a fazer subversão.

Por outro lado porém, os cônsules, embaixadores e plenipotenciários com ribombantes cargos diplomáticos que nos representam no exterior, dormem sobre os lauréis do exílio dourado da diplomacia, sem fazer nada consistente e sistemático para desmascarar as FARC ante o mundo inteiro.

Ao contrário, aproveitam, como Noemí Sanín, as oportunidades eleitorais para conseguir os votos necessários que lhes permita continuar no mesmo papel de corpo de rei ou de rainha, a custa do erário nacional sufragado por nós que pagamos impostos.

É de se supor que o governo nacional e as Forças Militares não vão deixar no terreno do esquecimento nem à espera de que “alguém” faça “algo”, com este incalculável tesouro de informação que a Revista Semana acaba de divulgar e que, ademais, era um segredo guardado a sete chaves.

Já é hora, por exemplo, de que o ministro Silva deixe de lado a verborréia e ânsia de protagonismo midiático e politiqueiro que herdou de seus antecessores Martha Lucía Ramírez e Juan Manuel Santos, para que, assessorado por pessoas que na realidade entendam de guerra política e guerra psicológica, elaborem uma estratégia pontual, clara, concreta, sistemática e progressiva, de metódica difusão da informação encontrada nesses computadores.

Esse é o momento propício para que se escrevam dezenas de livros com testemunhos, provas, análises e descrições desta realidade tão palpitante porém tão desconhecida dentro e fora do país. Que esses textos em forma de livros, DVD’s, revistas, etc., sejam traduzidos a idiomas como inglês, francês, russo, italiano, português, basco, catalão e outros, para que nossos acomodados serviços diplomáticos saiam da consuetudinária modorra e indiferença e vão às universidades, ONGs, centros de pensamento político, academias militares, para difundir com provas fidedignas qual é a realidade do que pretendem as FARC e seus comparsas como Lula, Chávez, Correa, Evo, a ditadura cubana e Ortega.

Entretanto, que se desate no campo interno uma intensa campanha de propaganda sistemática e articulada por todos os meios de comunicação, para induzir os terroristas a depor as armas e aos camponeses a delatá-los ou servir de mediadores para que se entreguem. Já caiu de moda o conto batido de “guerrilheiro entrega-te, uma nova vida te espera”. Isso não convence nem tem fundo.

Nesta tarefa não pode haver águas turvas nem vacilações, pois se trata de desarmar quadrilhas de bandidos que pretendem meter a Colômbia na onda da “Selvageria do Século XXI” encabeçada por Chávez e seus sequazes.

Mas, além disso, este não pode ser um trabalho feito ao acaso. Deve ser dirigido por especialistas e executado por pessoas convencidas de que a guerra psicológica é fundamental no combate contra o totalitarismo comunista, pois esse foi o ensinamento que a guerra fria deixou ao mundo.

Cícero disse bem claro há mais de 15 séculos: “Se não se aproveitam as lições do passado o mundo permanecerá em sua infância intelectual. Desconhecer o ocorrido em outros tempos é permanecer eternamente adolescente”.

Esta conclusão é para convidar o governo nacional e o ministro da Defesa a refletir que a espada e a mente formam o conjunto vital da guerra, porém que a espada sempre estará sujeita à mente.

Senhor Ministro Silva, deixe de lado sua auto-suficiência e desnecessária arrogância. O senhor é um bom executivo em temas cafeeiros, porém um neófito em termos de estratégia, guerra política, anti-terrorismo, defesa nacional geopolítica e técnicas de guerra revolucionária. Entenda que os serviços de inteligência, os escritórios de Ação Integral e as quatro Forças Armadas sob sua representação política, têm um incalculável tesouro informativo que merece ser difundido para ganhar a batalha política contra os terroristas, seus comissários internacionais e a erva daninha que pulula em “Colombianos pela Paz”.

Porém, é claro, tudo depende do manejo que o senhor dê a este tema. Isto é um trabalho que deve ser feito por experts em guerra psicológica e conhecedores profundos do Plano Estratégico das FARC. Não nomeie carreiristas nestas lides porque todos sabemos que abundam as Fundações cheias de oportunistas interessados em manipular elevados orçamentos, porém escasseiam dos verdadeiros conhecedores do tema. Em resumo, mãos à obra.

 

* Analista de assuntos estratégicos – www.luisvillamarin.com

Fonte: El Tiempo

Tradução: Graça Salgueiro

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