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Ataques do EIIS no Ocidente

29 de maio de 2015 - 22:03:13

É evidente que os jihadistas de Garland tinham alguma ligação com o EIIS. O líder, Elton Simpson, usou o Twitter para trocar ideias com Muhammed Abdullahi Hassan (também conhecido como Mujahid Miski), 25, recrutador do EIIS que cresceu em Minneapolis para perpetrar o ataque. Em 23 de abril Hassan tuitou o seguinte: “os irmãos do ataque contra a redação do Charlie Hebdo fizeram a parte deles. Chegou a hora dos irmãos nos EUA fazerem a parte deles”, ligando uma reportagem do Breitbart.com sobre o concurso de caricaturas de Maomé. Parece que isso chamou a atenção de Simpson para o evento em Garland, Simpson então retuitou essa convocação para a ação respondendo: “quando será que eles vão aprender. Eles estão planejando selecionar o melhor desenho da representação de (Maomé) no Texas”. Hassan então incitou Simpson ainda mais: “um indivíduo é capaz de colocar uma nação inteira de joelhos”.

Após o ataque em Garland, o EIIS assumiu a responsabilidade pelo feito, chamando os atiradores Simpson, 30, e Nadir Hamid Soofi, 34, de “dois soldados dos soldados do califado” cujas mortes os levarão “ao mais alto patamar do paraíso”. A Rádio Bayan se aproveitou do ataque para alertar os americanos que “o que está por vir será pior e mais feroz”, e que os “soldados do Estado Islâmico” farão “coisas terríveis”.

Elton Simpson jurou aliança com o líder do EIIS.

Mas até onde se sabe, nem Simpson nem Soofi receberam dinheiro do EIIS, nem armamentos ou treinamento do EIIS, nem trocaram ideias sobre seus planos com o grupo terrorista, nem pediram permissão a ele. Nenhum deles visitou a Síria ou o Iraque.

Isso se encaixa em um padrão: o EIIS não planeja nem coordena ataques, mas se aproveita da fama para estimular muçulmanos a se voltarem contra seus vizinhos não-muçulmanos, como já aconteceu em Oklahoma City. O Estado Islâmico proporciona orientação espiritual, seleção de alvos e inspiração, mas logística, comando e controle não é a sua praia. Quando assume responsabilidade, o faz no tocante a inspiração e não a organização.

Por esta razão é possível descartar como fanfarrice a gabação do EIIS de ter treinado 71 soldados em 15 estados americanos, os quais estão “prontos para atacar qualquer alvo que desejarmos, somente a espera da nossa ordem”, muito menos os 23 deles que se voluntariaram para desfechar “missões do tipo” do ataque em Garland. Mas os agentes da lei dos EUA seguem milhares de pessoas como Simpson e Soofi que se comunicam com o EIIS e que poderiam, a qualquer momento, irromper em violência. Os anos de vigilância sobre Simpson, no final das contas, demonstraram ser inúteis. O conceito de (lobo solitário) se tornou irrelevante em tempos de jihad global, quando qualquer muçulmano devoto é potencialmente um “soldado do califado”.

O cenário do ataque em Garland,Texas.

Diferentemente da Al-Qaeda (cujo modelo estamos mais acostumados), se comunica frequentemente com seus agentes e orienta detalhadamente seus passos, o negócio primordial do EIIS não é o de organizar estratégias para atacar infiéis no Ocidente. Melhor dizendo, seu objetivo é controlar território no Oriente Médio (como por exemplo na Líbia, Iêmen, Síria e Iraque). Ele conclama os muçulmanos no Ocidente a se mudarem para a Síria, ataques no Ocidente são apenas alternativas pontuais, promovidas primordialmente por meio do contrabando de seus membros via Mar Mediterrâneo para a Europa.

Não obstante, o modelo do EIIS é o mais perigoso. Seus ataques podem ser mais amadorísticos e menos mortais do que os da Al-Qaeda, mas podem, potencialmente, ocorrer com maior frequência. Seus ataques são mais fáceis de serem frustrados, mas mais difíceis de serem previstos. A abordagem do EIIS é mais eficaz se o que estiver em jogo não forem corpos e sim impacto político, por exemplo: dissuasão de ridicularizar Maomé.

Em outras palavras, vínculos inspirativos são mais preocupantes do que organizacionais. Tudo que o EIIS precisa fazer é publicar o nome do alvo em sua revista ou tuitar palavras encorajadoras nas redes sociais e um exército em potencial estará notificado, não há a necessidade de desenvolver comunicações seguras, treinar milícias, transferir dinheiro através de fronteiras, escolher e sondar alvos, dar ordens para atacar e fornecer instruções táticas.

Uma análise realizada pela BBC não entendeu o âmago da questão ao afirmar que se o EIIS pudesse “provar que planejou e coordenou (o ataque em Garland), e não apenas sustentar uma alegação após o ataque, isso sim seria um desdobramento significativo”. Não é bem assim, o ISIS é muito mais assustador por não planejar e coordenar, mas simplesmente por falar e escrever.

A propósito, assim como o regime iraniano apresenta o maior perigo para o Oriente Médio, o EIIS apresenta a próxima, mais evoluída e mais ameaçadora forma de violência islamista no Ocidente. Será que esses inimigos mortais serão reconhecidos a tempo?

O Sr. Pipes (DanielPipes.org, @DanielPipes) é o presidente do Middle East Forum. © 2015 por Daniel Pipes. Todos os direitos reservados.

Publicado no The Washington Times.

Original em inglês: ISIS Attacks on the West
Tradução: Joseph Skilnik