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Brasil: Paraíso de terroristas – Parte II

4 de maio de 2010 - 11:47:51

Tudo começou quando, na terça-feira 20 de abril, membros do EPP sacrificaram um animal da fazenda “Arroyito” para se alimentar. A polícia armou uma emboscada para capturar os guerrilheiros mas foram assassinados o sub-oficial da Polícia, Joaquín Agüero, de 25 anos, Omar Valiente, brasileiro de 49 anos, Jair Tavello, brasileiro de 35 anos e o paraguaio Francisco Ramírez. Encaminhado o pedido ao Senado e à Câmara, como matéria a ser votada “com urgência” em decorrência dos quatro assassinatos, o Estado de Exceção foi aprovado e começou no início da semana passada, sob protestos horrorizados dos comunistas da região.

Na segunda-feira 25 de abril, o vice-presidente Federico Franco disse ante as câmeras de televisão que o objetivo de Lugo não era capturar os cabeças do EPP, pois ele mesmo os apoiava quando foi bispo em San Pedro. E disso todo mundo sabe no Paraguai. Nesse mesmo dia, em uma coletiva de imprensa o senador Robert Acevedo disse não temer os ataques do EPP e, “coincidentemente”, no mesmo dia foi alvo de uma emboscada em Pedro Juan Caballero na qual saiu com ferimentos sem muita gravidade, mas dois de seus seguranças foram assassinados com entre 40 a 60 disparos de metralhadora.

O governo já realizou procedimentos nestas zonas para buscar o fazendeiro Fidel Zavala, que esteve seqüestrado durante 94 dias em outubro do ano passado em mãos do EPP, e libertado após o pagamento do resgate de US$ 550.000.

As autoridades paraguaias prenderam dois brasileiros – Eduardo da Silva e Marcos Cordeiro Pereira – acusados de pertencer ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e logo descartaram a possibilidade deste atentado ao senador Acevedo ter sido por ordem do EPP. O juiz de Campo Grande – MS, Odilon de Oliveira, que já prendeu 500 marginais do crime organizado na fronteira entre Brasil e Paraguai, em Ponta-Porã, e é amigo pessoal do senador Acevedo, confirma a atuação do PCC no Paraguai. Diz ele em comentário ao Estadão:

Existem documentos provando que o brasileiro Nilton Cezar Antunes de Véron, preso em Assunção desde 2005, quando foi flagrado transportando 102 quilos de cocaína colombiana jurou matar o senador (Acevedo). Véron é um dos chefes do PCC no Paraguai. Meu amigo senador sabia de todo esse esquema, mas é um incansável combatente contra o crime organizado. Certamente os pistoleiros tentarão abatê-lo novamente”.

Segundo Dr. Odilon, há dados comprobatórios de nexos entre o PCC e as FARC, do mesmo modo que a procuradora paraguaia, Sandra Quiñonez, afirma os nexos das FARC com o EPP.

A Drª Sandra solicitou uma ordem de captura contra Rodrigo Granda, membro do Secretariado das FARC que vive na Venezuela, e Orlay Jurado Palomino, um dos comandantes deste bando terrorista que já viveu comodamente no Brasil com o pleno conhecimento da Polícia Federal, pelo seqüestro e assassinato de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas. Sobre este crime hediondo também são acusados os terroristas Juan Francisco Arrom Suhurt, Anuncio Martí Mendez e Victor Antonio Colmán Ortega, beneficiados com o status de “refugiados políticos” dado pelo CONARE [1]. Não faz nenhuma diferença acusar o PCC pensando em inocentar o EPP, porque todos estes bandos terroristas agem conjuntamente com as FARC, e disso as autoridades comprometidas com a verdade, e não com os guerrilheiros, sabem muito bem.

Ao mesmo tempo, o Brasil volta a negar o pedido de extradição dos três terroristas paraguaios que vivem aqui como “refugiados políticos”, alegando que as provas enviadas pelo Paraguai “são frágeis” e que o CONARE dificilmente reverterá sua decisão que foi também aprovada pela ONU. Segundo o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto (que era o presidente do CONARE quando foi concedido e status de refugiados aos três terroristas), Arrom, Martí e Colmán vivem monitorados pela Polícia Federal e pela ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e não têm condições de enviar remessas para as FARC, conforme denuncia o Paraguai, pois “eles vivem no maior miserê, moram em quitinete e andam de ônibus” [2]. Entretanto, não foi isto o que descobriram as corajosas jornalistas Maria C. Prates, do Estado de Minas, e Fernanda Odilla, do Correio Braziliense. Leiam o que dizem elas:

Hoje, os três paraguaios vivem sob o manto da discrição. Martí mora na Vila Operária, em Maringá (PR) e trabalha como lavrador. Arrom se fixou com a mulher e a filha, que nasceu no Brasil, na capital federal, onde faz tratamento no hospital Sarah Kubitscheck, e Colman, depois de uma temporada no Mato Grosso, está de mudança para Brasília, de acordo com Vasconcelos.

Apesar de não trabalharem, alugam um amplo apartamento, com varanda, três quartos, um deles com suíte e banheira de hidromassagem, em Águas Claras, cidade satélite de Brasília. Gira em torno de R$ 800 o aluguel Residencial Águas Claras II [3], construído em 1996 numa iniciativa da Cooperativa dos servidores do Banco de Brasília na gestão do então petista Cristovam Buarque.

Discretos, se fecham em silêncio e evitam falar sobre o assunto, orientados pelo advogado. Procurados pelo Estado de Minas/Correio Brasiliense, não quiseram falar nem mesmo sobre as sessões de tortura”. (Maria C. Prates/Estado de Minas, Fernanda Odilla /Correio Braziliense, 16/11/2005).

Barreto afirma que os três terroristas não pertenciam ao EPP mas ao Partido Pátria Libre (PPL), o que é uma manipulação barata apostando na ignorância e desconhecimento dos brasileiros, pois no Paraguai todos sabem que o EPP é oriundo do PPL. Por outro lado, o deputado petista, Doutor Rosinha, afirmou “nunca ter ouvido falar do EPP como um grupo guerrilheiro”. Tanto para os jornais brasileiros, que sempre chamam terroristas de “supostos” e “acusados de”, quanto para os petistas que negavam a existência do Foro de São Paulo, todas estas denúncias não passam de calúnias e difamações da “extrema direita golpista”. Segundo Rosinha, “o EPP pode não passar de um grupo imaginário montado pela direita para desestabilizar o governo Lugo”.

Entretanto, vejam o que diz o site “América economia” a respeito do EPP:

O EPP seria o quarto grupo armado em atividade na América do Sul, depois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e Exército de Libertação Nacional (ELN), além do peruano Sendero Luminoso.

O EPP estaria integrado por aproximadamente uma centena de pessoas, das quais umas 20 formariam o grupo operacional com treinamento em combate, que se encontram escondidos nas densas matas da região. As demais ofereceriam apoio logístico e refúgio.

O grupo, considerado pelas autoridades locais como um bando de delinqüentes comuns, adotou sua atual denominação há alguns anos, após o assalto a um estabelecimento agrícola onde queimaram maquinarias. Alguns de seus membros participaram de outros seqüestros, roubos e ataques a policiais desde 1997″.

Não dá para engolir a farsa de que este deputado desconheça estes fatos! Para eles as FARC não são terroristas, o Foro de São Paulo não existe, os computadores de Raúl Reyes são invenção da CIA e Oliverio Medina não é o embaixador das FARC no Brasil, mas um padre perseguido pela maldade do presidente Uribe. E isto é agir de má-fé calculada, não ignorância ou ingenuidade.

E para completar a “espiral do silêncio” e o desapego total à Justiça e à Verdade, uma notícia publicada numa acanhada notinha – e que não mereceu nenhuma consideração – do jornal “O Globo” de 3 de março pp., dava conta de que um juiz da comarca do Rio de Janeiro havia condenado Cesare Battisti a dois anos de prisão domiciliar e a prestar “serviços comunitários” por uso de passaporte falso no país. Quer dizer, com esta medida estende-se o prazo de permanência deste terrorista no Brasil por pelo menos dois anos fora da cadeia, tempo suficiente para seu julgamento no STF cair no esquecimento e o presidente brasileiro negar o pedido de extradição sem que o povo tome conhecimento, uma vez que todos os olhos e ouvidos estão voltados para as eleições presidenciais.

Num país que tem uma aberração chamada “Comissão de Justiça e Paz” comandada por comunistas conchavados com terroristas, é natural que marginais de todos os países sintam-se bem protegidos e seguros de que nada lhes irá acontecer que contrarie suas vontades e a de seus bandos delinqüenciais. E, paraíso de terroristas como no Brasil, só mesmo na Venezuela, mas isto já é tema para outro artigo.


Notas:

[1]Para conhecer toda a trama a respeito dos acobertamentos dados a terroristas pelo Brasil, leiam também “Brasil: Paraíso de terroristas” de minha autoria.

[2] De acordo com as determinações do CONARE, uma das condições para receber o status de “refugiado político” é que o candidato se abstenha totalmente de dar declarações públicas sobre questões políticas. E apesar de viverem “monitorados pela PF e ABIN”, segundo o ministro da Justiça, não é bem o que faz o terrorista Juan Arrom, pois em maio de 2007 ele emitiu um comunicado como Secretário Geral do Partido Pátria Libre, (quer dizer, mesmo vivendo no Brasil já como cidadão protegido pelas leis brasileiras, ele continuou sendo o principal articulador do partido ao qual “pertenceu”) ao bando argentino “Quebracho”, em solidariedade aos dirigentes deste grupo que foram detidos pela Justiça argentina. No comunicado ele “exige” o fim da “perseguição política de Esteche e Raú ‘Boli’ Lezcano, detidos pela Justiça argentina por destruir um local partidário de Sobisch, em protesto pelo assassinato do docente neuquino Carlos Fuentealba”. Confiram aqui: http://www.diarioperfil.com.ar/edimp/0465/articulo.php?art=21440&ed=0465.

[3] A reportagem foi feita em 2005, portanto, esse valor do aluguel deve ter, no mínimo, dobrado de valor.

[4] “Exército Paraguaio do Povo”, “Exército do Povo Paraguaio” ou “Exército Revolucionário do Povo”, são todas denominações do mesmo bando terrorista que se assume “comunista marxista-leninista”, cujo objetivo é o mesmo das FARC, embora como todos os demais neguem qualquer relação com os terroristas colombianos, ditos pela boca de Carmen Villalba que se auto-denomina “porta-voz” do bando. Leiam a entrevista que ela concedeu em 2008, ao site “Ultima Hora”: “Ejército Paraguayo del Pueblo ya incursiona militarmente.

 

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