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Brasília, a mãe de todos os escândalos

26 de fevereiro de 2010 - 15:49:18

No recente carnaval do Rio, os bicheiros da Escola de Samba Beija-Flor também não se deram mal, faturando a partir de contrato com o governo do Distrito Federal mais de R$ 5 milhões para o desfile do samba-enredo “Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança”.

Na onda das festividades, o insaciável Arruda, homem para quem a política é a melhor forma de se navegar na lama, tratava também de trazer à Capital Federal, por alguns milhões de Euros, o ex-beatle Paul McCartney – queria ouvir de perto “Yesterday”.

Por sua vez, como a cultura no Brasil vive sempre farejando “bons negócios”, vários cineastas tupiniquins, permanentemente ativos na “captação” das perdulárias verbas públicas, trataram de articular projetos cinematográficos para louvar a Jóia da Coroa. O próprio Carlos Diegues, o velhíssimo Cacá, prefaciador de indigente livro de José Roberto Arruda sobre a mãe de Glauber Rocha (“Lúcia – A mãe de Glauber” – Geração Editorial, São Paulo, 1999), já havia se reunido em Brasília com o governador “mensaleiro”, tramando a produção de filme milionário para “celebrar” os 50 anos da “Capital da Esperança”.

Não sei se os leitores sabem, mas Brasília nasceu de um porre. O negócio foi assim: em abril de 1955, Juscelino Kubitschek, então candidato à presidência da República, saltou na pequena cidade de Jataí, Goiás, para fazer discurso de campanha. Lá para tantas, no final do comício, entre promessas, acenos e sorrisos, JK foi interrompido por um popular – o Toniquinho da Farmácia – que estava completamente embriagado. Sem se agüentar nas pernas, voz pastosa, a folclórica figura jataíense provocou o candidato:

– “Se vosmecê for eleito vai mudar a Capital Federal para o Centro Oeste, conforme reza a Constituição de 1891?”.

Tomado de surpresa, Juscelino, raposa velha, improvisou:

– “Sendo um preceito constitucional, daria, sim, os primeiros passos neste sentido”.

Mas logo depois, enxergando na provocação do bêbado um “negócio da China”, passou a fazer dela o cavalo de batalha do seu “plano de metas”.

Ninguém contesta hoje que Brasília é uma cidade visceralmente corrupta – páreo duro para Sodoma, a urbe que, segundo relato bíblico, por excesso de corrupção foi destruída por bolas de fogo e enxofre enviadas pela vontade divina. Para construí-la Juscelino, sujeito totalmente irresponsável, imprimiu dinheiro sem fundo, pediu empréstimos em larga escala e estourou inúmeros orçamentos, fomentando gastos colossais que levaram o país à inflação galopante e, por extensão, boa parte da população pobre à miséria brutal.

Na nova capital, o próprio JK incrementou um regime de privilégios e negociatas que fez de Brasília símbolo da degradação nacional. Para povoar o serrado desértico, ele importou do Rio uma burocracia sedenta de benesses, mais tarde transformada em nomenclatura despótica, a produzir, em ritmo alucinante, tão somente – papel, discursos e impostos.

(Neste universo degradante, fechado sobre si mesmo e afastado do trabalho produtivo, a padrão da moralidade pública viu-se reduzido à zero. Basta observar: transpira no lugar uma atmosfera diuturna de subornos, propinas, traições, mentiras e conchavos os mais indecentes, capaz de atordoar o próprio Demônio. Por conseqüência, convive-se neste ambiente doentio com elevados índices de alcoolismo, dependência tóxica, loucura, suicídio, prostituição, adultério, cleptomania, ociosidade e, inevitavelmente, o apelo à prática da baixa magia – esta, consagrada pelo rito do sacrifício animal).

Em retrospecto, no ano de 1961, Jânio Quadros – um louco de pedra – tomou posse do governo em Brasília prometendo prender JK, mas, de porre permanente, terminou por condecorar o sanguinário “Che” Guevara e renunciar ao cargo com 7 meses de mandato.

Por sua vez, ainda em Brasília, feito presidente, o latifundiário Jango, parceirinho de comunistas históricos (“Com Goulart em Brasília, nós já estamos no poder” – Luiz Carlos Prestes à revista “Manchete”, em junho de 1963), ao tentar golpear a nação e transformá-la numa república “popular sindicalista”, levou-a aos estertores – o que obrigou a milicagem de plantão, na base do contragolpe, a tomar o mando político do país.

Com o Marechal Castelo Branco em Brasília, estancado o drama da subversão janguista, vieram as cassações e a pretensão de se manter o poder sem a legitimidade do voto, o agitprop da subversão comunista, o AI-5 de Costa e Silva, as guerrilhas terroristas de Marighella e Fidel Castro, o vigoroso governo Médici e a estupidez estatizante de Geisel, Golbery e Figueiredo – generais “simpatizantes da esquerda” que devolveram o poder à mesma corriola vermelha pré-64.

Já na transição para a sôfrega “Democracia Permissiva”, Zé Sarney, o Impostor, típica flor do lodo brasiliense, não só estuprou a nação com a hiperinflação de 3% ao dia, como ajudou, pela inépcia, a eleger Collor de Mello, o “Caçador de Marajás”.

Figura insensata e vã, Collor de Mello, de formação 100% brasiliense, foi deposto do poder por causa de um Fiat Elba, indício, para o PT (bons tempos, hein!), de “grossa corrupção”. Seu sucessor, Itamar Franco, o “Inocente Inútil”, além das tolices de praxe, apenas adubou o terreno para o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, marxista protetor de banqueiros e criador do Proer e outros bichos arrepiantes.

Por fim, este velho senhor, sempre lépido e falante, depois de oito anos de poder, passou a bola para Lula, o Messiânico, afinado instrumento do totalitarismo petista, cujo governo já contabiliza para mais de 3 mil escândalos, todos rigorosamente impunes, entre os quais o do mensalão – modelo seguido ipsis litteris por Zé Arruda, o governador delinqüente.

Para concluir, eis o que previ sobre o “futuro de Brasília”, conforme solicitado por um editor de jornal do Rio, ainda a ser publicado (ou não): “Nada indica que Brasília mude de rota ou padrão ao completar meio século de existência. Pelo contrário. A perspectiva inelutável, nas próximas décadas, com gente da estatura de Dilma Roussef e congêneres no comando, é que a cidade se torne ainda mais sinistra, totalitária e deletéria, fazendo do resto do país refém de sua infinita miséria moral, política e ideológica, como bem evidencia o Programa Nacional de Direitos Humanos – o famigerado PNDH3 – assinado por Lula”.

PS – Alguns “formadores de opinião” têm por hábito tratar Brasília, ironicamente, como a “Ilha da Fantasia”. Nada mais irreal. Ali ninguém sonha com nada, tudo é muito concreto, na base do toma lá da cá. O mero voto aliado é trocado por rios de dinheiro e sua nomenclatura está sempre ávida por novos tetos salariais, isonomias e privilégios mesquinhos. Não é em vão que, sem produzir nenhuma riqueza socialmente útil, detenha há anos a maior renda per capita do país – em 2008 quase o triplo da renda nacional: R$ 37, 700 mil.

 

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