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Calma antes do furacão?

4 de junho de 2010 - 6:18:40

Os significados da decisão israelense são óbvios a qualquer um. Começa como afirmação de falta de confiança na insistência iraniana de que o seu programa nuclear objetiva alimentar reatores para fins pacíficos. Quer manter o Irã sob observação mais eficiente do que a dos satélites e poder agir preventivamente se necessário.

A informação significa simplesmente que Israel, pais de 20 mil quilômetros quadrados, ou cerca de 80 vezes menor que o Irã, não aceita o risco de ser o primeiro a ser atacado, pois já foi qualificado de pais de uma só Bomba. Os dirigentes iranianos não perdem oportunidade de proclamar seu ódio ao país judeu. É um cenário no mínimo preocupante.

Há poucos dias Israel realizou uma semana de exercícios de defesa civil. Foi um cenário de ataque virtual. As sirenes soaram com o seu penetrante som. De brincadeira, com a população prevenida, não se sente o medo que penetra quando de verdade. Como aconteceu na guerra com o Hizbalá do Libano há dois anos quando visitamos amigos em Haifa e corremos para abrigos dos mísseis que chegavam.

O exercício baseou-se na imaginação de um ataque de mísseis com ogivas de armas de destruição em massa. As químicas e físicas. Não incluiu defesa contra armas atômicas. Foi explicado à população que se imaginava ataques de mísseis do sul, do Hizbala, Síria, Hamas no norte. As estimativas dão ao Hizbala dezenas de milhares de mísseis, 50 ou 60 mil, muitos podendo alcançar qualquer parte de Israel. O Hamas ao norte, em Gaza, também contaria com grandes arsenais. O que se discute abertamente, e não se desmente, é a possibilidade um ataque maciço de mísseis na hipótese de mais uma guerra que terá características sem precedentes.

Israel era um país de 600 mil habitantes no seu primeiro confronto com forças árabes em 1948, ano da proclamação da sua existência como estado independente. Em 2010, após 7 guerras, conta com 7 milhões e meio de habitantes, sendo milhão e meio de árabes israelenses. Cerca de 41 por cento de toda a população mundial de judeus, estimada em menos de 16 milhões, vive em Israel. Jamais na história moderna um tal percentual de judeus concentrou-se sob uma bandeira própria. Ainda não se pode afirmar que a atual tranqüilidade perdure. Que não seja somente a calma antes de um furacão.

 

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