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Captura de Cienfuegos: golpe estratégico na diplomacia paralela das FARC

27 de maio de 2009 - 3:37:25

A recente captura no México do terrorista internacional das FARC, conhecido com a alcunha de Cienfuegos, é um golpe estratégico de grande transcendência para a diplomacia paralela e o recrutamento de delinqüentes de outras nacionalidades para engrossar as fileiras farianas.

A presença de células das FARC na populosa Universidade Autônoma do México (UNAM), tem sido um tema recorrente durante a última década. A morte de quatro terroristas mexicanos e a milagrosa sobrevivência de sua comparsa Lucia Morett, após o certeiro bombardeio contra o acampamento que Raúl Reyes tinha no Equador com a cumplicidade de Rafael Correa, somado à assistência de mais de 100 “estudantes” mexicanos aos eventos internacionais da Coordenadora Continental Bolivariana para respaldar às FARC, são parte do dossiê que compromete Cienfuegos.

“Inocente” como costuma acontecer com todo malandro flagrado com as mãos na massa, este personagem recusou-se a aceitar as denúncias, em que pese as graves evidências contra si. Filho de comunistas, do mesmo partido no qual militam Lozano, Caycedo, Gloria Ramírez, Borja e os demais “camaradas” que sempre atiram a pedra e escondem a mão, era “professor” universitário e “investigador em ciências sociais”… Qualquer um parecido com a terrorista mexicana, que chorou e posou para a imprensa com um ursinho de pelúcia e cara de boa menina, é pura coincidência.

Entretanto, os fatos históricos o enquadram dentro de outro esquema. Infere-se por seu perfil que Cienfuegos é um dos agitadores profissionais infiltrados nas universidades públicas, encarregados de recrutar estúpidos que crêem que abandonar as carreiras educativas e se meter nas montanhas para traficar coca, mentir, assassinar, enganar camponeses, seqüestrar, matar, roubar, extorquir, etc., vão mudar o velho modo de viver na Colômbia e ao mesmo tempo levar o país a um paraíso de bondades, semelhante ao que a ditadura cubana de Fidel Castro levou à maltratada ilha caribenha durante os últimos cinqüenta anos de opróbrios, negação das liberdades fundamentais e ascendente violação dos direitos humanos dos mal-governados cubanos.

Porém, os camaradas “amplos e clandestinos” não satisfeitos em bajular idiotas na Colômbia, ampliaram a base do conto-do-vigário em outros países, com a simpatia e apoio de Hugo Chávez, Rafael Correa, Luis Inácio Lula da Silva, Daniel Ortega, Fidel Castro e os dirigentes dos movimentos marxistas-leninistas latino-americanos filiados ao Foro de São Paulo, como por exemplo, os terroristas Narciso Isa Conde, Patricio Echegaray, Luis Merino, Quispe, María Augusta Calle, Osmar Martínez e outros.

Nessa ordem de idéias, o partido dos comunistas mexicanos se converteu em uma importante pedreira de jovens enganados que, soberbos com as palavras de ordem oportunistas anti-ianques que circulam em todo seu país, se vincularam aos projetos bolivarianos financiados pelo governo venezuelano, ideologizados por Cuba e operados pelas FARC, que produto da ação de sujeitos como Cienfuegos, hoje constituem o amplo reflexo do trabalho proselitista da diplomacia paralela do grupo terrorista, frente à nula ação da Chancelaria colombiana a respeito.

Bem diferente das trapaças de Correa, Chávez, Lula, Ortega e Kirchner, em cujos territórios se alojam e escondem terroristas das FARC dedicados a tecer conchavos para apoiar as ações armadas e facilitar o fluxo logístico do grupo delitivo, com muita sensatez e grande responsabilidade ética o governo mexicano expulsou o terrorista Cienfuegos de seu país, e o entregou às autoridades colombianas para que responda nas salas dos tribunais judiciais, pelos delitos cometidos contra a segurança nacional.

Como se diria em termos pugilistas, caiu um peso pesado. As células que Marco Calarcá, Rodrigo Granda, e os filhos de Jacobo Arena organizaram no México, acabam de perder um importante apoio. Este fato, somado ao sucedido aos terroristas mortos no Equador e à caça que desataram os organismos de segurança mexicanos contra as FARC, diminui o espaço de manobra ao grupo terrorista nesse país, no momento em que os cabeças do Secretariado insistem no manhoso convite à negociação política a partir do acordo humanitário, encabeçado e promovido por Piedad Córdoba.

É hora de o governo nacional ser claro e concreto ante o mundo inteiro. O que se tece por trás desta manobra publicitária, objetivando lançar Piedad Córdoba como candidata presidencial do governo de transição – do qual as FARC vêm falando desde a Oitava Conferência Guerrilheira em 1993 -, é nada mais e nada menos que o reconhecimento do status de beligerância aos terroristas por parte dos conspiradores do Foro de São Paulo, com a imediata abertura de embaixadas em Caracas, Quito, Havana, Manágua, Brasília, La Paz, Buenos Aires, e o apoio militar à ofensiva final das FARC.

Não é nada gratuito que Correa acabe de dizer que não é delito ser amigo das FARC. Que Lula se recuse a qualificá-los como terroristas. Que Chávez abrace Uribe enquanto tem um punhal pronto para cravá-lo em suas costas. Que os camaradas incrustados em “Colombianos pela Paz”, tão dados a ver a palha no olho alheio e não a viga no próprio, andem de amores primaveris com os “odiados ianques capitalistas imperiais”, que no caso do cabo Moncayo, graças à estupidez funcional do professor pastuso, tenha se convertido no substituto da comédia de Ingrid Betancourt, etc., etc.

A oferta de negociação de “paz duradoura” e “saída dos esquemas tradicionais do regime que combatemos” como acaba de sugerir Timochenco, a qual coincide com as deliberações do Plano Renascer de Cano; das panfletárias análises do Semanário Voz dos camaradas; e a “novidade” da proposta política do PCCC das FARC incrustado nos “Colombianos pela Paz”, tende a buscar a legitimação fariana para lançar a ofensiva final contra a Colômbia, em concordância com o Plano Guaicapuro da Venezuela e da UNASUL de Lula.

Por isso lhes dói, e seria o pior para as FARC, como manifestou Ingrid Betancourt recém libertada, que Uribe fique mais um período, pois continuaria a guerra frontal contra o terrorismo comunista na Colômbia, cairiam mais cabeças, se incrementariam as deserções e com maior credibilidade os colombianos acrescentariam o alto repúdio contra as FARC. Mais do que já existe atualmente.

Dadas estas razões, o governo nacional não pode ceder ante os cantos de sereia dos pacifistas e dos sem critério mas com iniciativa, como o ex-presidente Samper, responsável pelos fracassos estratégicos de las Delicias, El Billar, Patascoy, San Juanito, La Carpa, Miraflores, Uribe, Puerres, pois Samper era o comandante supremo das Forças Militares e, por norma, todo comandante responde pelo que façam ou deixem fazer os subalternos. Não se pode esquecer que Samper foi o primeiro governante que se prestou à palhaçada de libertar seqüestrados em uma zona despejada, com o show midiático que incluiu a Cruz Vermelha e “amigos internacionais” da paz na Colômbia…

Aqui não vale o conto de que foi pelas suas costas, ou o estilo de comando do general René Pedraza Pélaez em Cali, ou do ministro da Defesa que acaba de sair. O êxito é virtude do chefe e o erro é culpa do subalterno imediato.

A para cúmulo da insensatez, o ex-presidente Pastrana, cuja debilidade de caráter e miopia estratégica permitiram que os terroristas que não só o manusearam como governante inepto, como violaram todas as leis nacionais e internacionais em um espaço cedido de propósito, agora tem o descaramento de dizer que Uribe viola a Constituição Nacional. É o mundo às avessas. Ou em Quac também há tempo para o humor, diria James Garzón.

Por situações tão comuns na folclórica paisagem política colombiana, é que para sair adiante dentro das liberdades democráticas, do desenvolvimento integral e da incorporação ampla no mundo da globalidade atual, a Colômbia requer continuidade pontual da Estratégia de Segurança Democrática, ação veemente da anquilosada Chancelaria para conseguir que os países do orbe sigam o exemplo do México contra os terroristas; e na ordem interna uma referência, para que as Cortes, a Procuradoria e demais entes encarregados de fazê-lo, atuem com prontidão e firmeza contra os vinculados na FARC-Política.

A captura do terrorista Cienfuegos no México é um grande passo, porém a “cobra continua viva”, como diz o presidente Uribe. Necessita-se maior constância na guerra contra o terrorismo e a busca da verdadeira paz na Colômbia. Não a paz dos sepulcros caiados que jogam uma audaz carta estratégica com os autodenominados “Colombianos pela Paz”, enquanto na ordem internacional seus delegados protegidos por governos pró-terroristas conspiram com Chávez, Correa, Lula e seu grupelho, empenhados em impor, por meio de trapaças, o paquidérmico Socialismo do Século XXI no país.

* Analista de assuntos estratégicos – www.luisvillamarin.co.nr

Tradução: Graça Salgueiro

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