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Catolicismo de aparências

24 de maio de 2009 - 2:14:16

Catalogarei alguns comentários e serei o mais sintético possível. Um certo Sr. Serafim me responde da seguinte forma, direcionando o seu recado ao editor do MSM: “Prezado Editor Edson Camargo, Escrevo para lamentar o artigo “Os focolarinos e sua economia de comunhão comunista”, de Leonardo Bruno. Estudo a Economia de Comunhão há 10 anos e fiquei surpreso com a virulência, desrespeito e preconceito discorridos pelo autor”. Curiosa argumentação, já que o sr. Serafim não especifica esses preconceitos, usando seus argumentos de maneira genérica e evasiva. Da minha parte, não houve desrespeito algum, mas tão somente uma descrição dos fatos que eu li, da parte do próprio movimento focolarino. Se o Focolares não consegue responder pelo que escreve, aí é outra questão. Por outro lado, o Sr. Serafim não justifica a idéia focolarina; busca o pressuposto de uma autoridade para justificar o seu pensamento. Ele diz: “Por fim, se a proposta econômica fosse tão tola, como afirma o autor, um dos mais respeitados economistas italianos – Stefano Zamagni – não se interessaria por ela, e nem o Parlamento Europeu pediria para que Chiara Lubich se pronunciasse a respeito da Economia de Comunhão, como aconteceu em 1999”. Ora, se buscarmos a autoridade de uma idéia apenas no reconhecimento de uma entidade ou de um economista, o movimento socialista, que tem o controle de uma boa parte das universidades e escolas de nosso país, elegeria Cuba, Ex-União Soviética e China como o cúmulo do modelo sacrossanto de “economia de comunhão”, sem que ninguém se escandalize com isso (salvo eu, claro, os articulistas do MSM e alguns outros conservadores sensatos). E a União Européia, que é um antro de social-democratas, não é a entidade apropriada para se falar de economia. Chiara Lubich e União Européia estão juntas nos ideais. A burocracia mundial é o sonho delas.

Por outro lado, um Sr. chamado Galeno veio me ensinar história, ainda que de forma inapropriada. Ele diz: “No seu infeliz exemplo (os países anglo-saxões), o sr. não falou o essencial: Os países anglo-saxões ficaram ”ricos” devido também aos roubos a países católicos que dominavam os mares na época, e que eram as potências (Espanha, Portugal, Itália,…) do mundo. Será que o sr. se esqueceu que foram os calvinistas que invadiam territórios portugueses e espanhóis?”. Sua argumentação é de uma particular vitimização histórica dos países católicos e, portanto, incorreta. Países como EUA, por exemplo, não ficaram ricos por conta dos saques dos países católicos. E por mais que a Inglaterra usasse do expediente nem um pouco honesto da pirataria, nem isso foi o fator determinante que fez desta nação uma potência rica. Foi o investimento de capitais no comércio e na indústria é que fizeram da nação inglesa a mais rica da Terra. Isso porque não sei de onde o nosso amigo tirou a idéia de que a Itália fosse potência de alguma coisa! A Itália dos séculos XIV, XV e XVI nem existia como país e era um aglomerado de feudos, cidades, repúblicas e principados que guerreavam entre si e que estavam em franca decadência econômica no século XVII. Os calvinistas, com todos os pecados teológicos visíveis na sua doutrina, em países como EUA e Inglaterra, escolheram o caminho certo dos valores democráticos e parlamentaristas. As sociedades católicas acabaram sufocadas pelo absolutismo monárquico e pela burocracia patrimonalista e parasitária, sustando o seu desenvolvimento comercial e mesmo político, já que as cortes e parlamentos perderam força nestes países. Isso responde, com muito mais propriedade, a pobreza de alguns países católicos e a riqueza de alguns países protestantes. Espanha e Portugal não entraram e decadência por conta da pirataria inglesa. Os fatores de sua miséria foram intrínsecos.

Por outro lado, o Sr. Galeno comete outros erros históricos graves: “Será que o sr. se esquece que o tirano Henrique VIII na inglaterra tomou na marra mosteiros e Igrejas (a mesma coisa aconteceu na Alemanha com o imbecil do Lutero) só porque o Santo Papa, na época, se negou a dar-lhe o divórcio? Será que o sr. não sabe que os huguenotes roubavam e invadia terras da Espanha e Portugal?”. Primeiramente, a Inglaterra era assustadoramente pobre até a segunda metade do século XVIII. Com certeza não foi o roubo de Henrique VIII que tornou a Inglaterra mais rica. Pelo contrário, a sociedade inglesa empobreceu absurdamente, uma vez que os serviços da Igreja, que atendiam os pobres e mendigos, foram extintos. Quem ficou rico foi o Estado inglês, que confiscou os bens eclesiásticos. Por outro lado, ainda não entendi qual a relação entre a riqueza protestante e a rebelião luterana na Alemanha? O luteranismo não fortaleceu o capitalismo, tal como se diz por aí e, e sim o feudalismo alemão, já que os príncipes protestantes se outorgaram na autoridade de nomear sua própria Igreja, acabando de vez com a unidade do Sacro Império Romano-Germânico. Por outro lado, a Reforma causou uma guerra civil feroz entre os príncipes alemães e cem anos depois, no século XVII, a Alemanha foi palco da guerra dos trinta anos, dizimando várias cidades e povoados, pilhadas tanto por tropas católicas e protestantes. Enfim, eu não me esqueci de nada, ao contrário do Sr. Galeno!

Se não bastasse esse jogo de aparências, de argumentos falaciosos, eis que recebo, também, a indicação de um Sr. chamado Munir Cury, homem que, pelas credenciais, dá o aval de sua importância pomposa e inútil. Identifica-se como Procurador de Justiça e fala de todas as premiações de sua vida (como se isso fosse importante para o debate!). Ninguém queria contratá-lo, porém, mesmo assim ele expôs seu curriculum vitae no MSM. E ele me critica no chamado conceito do “bem comum”, ao qual descrevi em meu artigo. Assim ele afirma: “Refiro-me inicialmente à sua abordagem superficial e lacunosa em relação ao bem comum, instituto jurídico que vem sendo analisado desde São Tomás de Aquino, passando por renomados juristas, desde Marrés, Desrosiers e Vermeersch, feliz e sabiamente sintetizado pelo inesquecível Papa João XXIII na sua conhecida encíclica “Mater et Magistra”, nos seguintes termos, “in verbis”: o bem comum “abarca todo um conjunto de condições sociais que permitem aos cidadãos atingir a sua perfeição com maior plenitude e facilidade. (…) Mencionei as referidas autoridades na matéria, exatamente em razão da vazia erudição da sua abordagem a qual não só desinforma o leitor, mas e sobretudo, desloca o foco e provoca equivoco na sua mente”. Aí eu pergunto ao genérico e pedante jurisconsulto: que condições sociais são essas? É curioso que um sujeito que se diz católico reduza a discussão do bem comum a um termo de “condição social” e não a uma seara de princípios éticos, morais e naturalísticos que definem a hierarquia de valores da sociedade política. Por outro lado, vejo uma profunda falta de humildade e ressentimento no discurso presunçoso. Todavia, o Sr. Munir acha que damos a mesma importância aos diplomas dele, tal como ele próprio. Um caso curioso de bacharelismo rasteiro. Entretanto, como dizia a frase que eu ouvia na Academia: quanto maior o anel, mais burro é o bacharel. A razão da autoridade é algo que não me assusta.

Mas o Sr. Procurador não se deixa de rogado. Ele diz: “E o dever do jornalista parece-me ser outro, aliás, muito diverso! De outra parte, é no mínimo preocupante o seu sectarismo radical quanto à trilogia proclamada pela Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade, e se as duas primeiras você as reverbera com argumentos frágeis, quanto à fraternidade demonstra total desconhecimento histórico, político, jurídico e humanista”.

Trilogia proclamada por quem, cara pálida? Argumentos frágeis é o do Sr. Procurador, que parece desconhecer o histórico da “fraternidade” da revolução francesa: a fraternidade dos maçons fanáticos que cortam cabeças de nobres, clérigos e católicos, em nome “igualdade” totalitária e socialista. E a “liberdade” do bonapartismo implantando militarismo em tudo e destruindo literalmente a liberdade. E, convenhamos, Sr. Procurador, papinho de humanista o quê? O seu “humanismo”, com certeza, não é católico. É o humanismo laicista que domina uma boa parte do linguajar curiosamente socialista dos Focolarinos. O humanismo, que na prática, é ateu e colabora muito bem com os inimigos da Igreja.

Todavia, o Procurador tem o vício típico daqueles fazedores de regras característicos dos nossos positivistas de plantão. Basta um decreto embelezado para resolver todos os nossos problemas. Ele diz: “Digo isto porque, na condição de advogado que é, deveria ter ao menos conhecimento da forte corrente doutrinária mundial que vem se afirmando em inúmeros países, desde o primeiro mundo aos emergentes (como é o caso do Brasil), aplicando a fraternidade como princípio jurídico fundamental”. Sr. Procurador, quem adora modismos bonitinhos é V.sa. Sinceramente, uma fraternidade garantida por decreto não é verdadeira fraternidade. Com todo o respeito, isso é coisa de jurista imbecil! Ninguém é irmão de alguém por decreto governamental, salvo nas cabecinhas infestadas de ideologia de engenharia social.

Por outro lado, o Sr. Procurador se acha o mais avançado porque se entrosa com discurso da moda: “Em suma, a sua abordagem, falha, peca e ignora o que existe de mais moderno no Brasil e no mundo”. Em suma, é o mesmo argumento de vender um peixe ideológico ao passá-lo por “progressista”. A justificativa do Sr. Procurador é, no mínimo, ridícula. E ele ainda reitera: “O mesmo se diga – desinformação e desatualização – quanto à comunhão e mesmo dos grandes progressos alusivos ao ecumenismo”. Lamento, caro colega: não compartilho do “ecumenismo” que destrói a Igreja como Verdade e a transforma num gosto como outro qualquer, tal como macumba de encruzilhada, Santo Daime ou horóscopo de I Ching. Isso é catolicismo de focolarino, que vai ao FSM, assina uma carta globalista da ONU e ainda prega economia de “comunhão”, que é mera reprodução messiânica de socialismo. E acrescento mais, sr. procurador: seu “progressismo” não passa de uma notória besteira iluminista, que desprezo com profundo prazer!

Antes que historiadores toscos e juristas pedantes e tolos apareçam para destilar autoridade que não possuem aqui, faço os seguintes desafios ao Srs. Serafim, Galeno e Munir: por que uma associação católica participaria em um movimento proto-comunista do Fórum Social Mundial? Por que o movimento focolarino, em seu site, defende o domínio mundial da ONU e a destruição da soberania dos povos, inclusive, adulterando o sentido do princípio da subsidiaridade da Igreja, afirmando, categoricamente, que os Estados nacionais serão subsidiários da própria ONU?! Inclusive, neste mesmo congresso globalista, os focolarinos usam os slogans da Revolução Francesa, liberdade, igualdade e fraternidade, a despeito das perseguições religiosas que a Santa Madre Igreja sofreu com os revolucionários franceses. Por que o movimento Focolares assinou um documento que “urge reforçar a ONU” e, ainda, no sentido de “tornar-se uma autoridade mundial”? Gostaria de ver essa força contra os inimigos da Igreja Católica. Com o devido acatamento aos senhores aborrecidos, esse catolicismo focolarino é só mera aparência. . .

http://www.focolare.org/page.php?codcat2=1216&codcat1=278&lingua=PT&titolo=os%20caminhos%20do%20di%C3%A1logo&tipo=declara%C3%A7%C3%A3o%20pela%20paz

Está na página dos focolares. Gostaria, desde já, que os focolarinos se retratassem e explicassem o que significam essas idéias. . .

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