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Cine Segurança, em exibição no seu aeroporto

14 de janeiro de 2010 - 7:42:21

Nizar-Ann-MarieConsistia em um
agente de segurança da El Al questionando Ann-Marie Doreen Murphy, 32 anos, que acabara de chegar a Londres vinda de Sallynoggin, Irlanda. Em seu trabalho, como arrumadeira no Hilton Hotel em Park Lane, Murphy conheceu Nizar al-Hindawi, um palestino de extrema esquerda que a engravidou. Após instruí-la a “se livrar da coisa,” ele abruptamente mudou o tom passando a insistir no imediato casamento na “Terra Santa.” Ele também insistiu que viajassem separadamente.

Murphy, retratada depois pelo promotor público como uma “ingênua, tosca jovem irlandesa e católica”, aceitou incondicionalmente os preparativos de Hindawi para seu voo a Israel pela El Al em 17 de abril. Ela também aceitou uma mala de rodinhas, sem saber que continha um fundo falso com aproximadamente 2 quilogramas de Semtex, um poderoso explosivo plástico e também concordou em ser instruída por ele a responder às perguntas apresentadas pela segurança do aeroporto.

A passagem de Murphy pela inspeção padrão de segurança de Heathrow foi bem sucedida chegando ao portão com sua mala, onde foi questionada por um agente da El Al. Conforme recontado por Neil C. Livingstone e David Halevy na revista Washingtonian, ele começou perguntando se ela mesma tinha feito suas malas. A resposta foi negativa. Em seguida:

“Qual o propósito da sua viagem a Israel?” Lembrando das instruções de Hindawi, Murphy respondeu, “Tirar férias.”

“Sra. Murphy, a senhora é casada?” “Não.”

“Está viajando sozinha?” “Sim.”

“Esta é a sua primeira viagem ao exterior?” “Sim.”

“A senhora tem parentes em Israel?” “Não.”

“A senhora vai se encontrar com alguém em Israel?” “Não.”

“Suas férias foram planejadas por um longo período?” “Não.”

“Onde a senhora irá ficar enquanto estiver em Israel?” “No Hilton de Tel Aviv.”

“Quanto dinheiro a senhora está levando consigo?” “Cinquenta Libras.” O Hilton custando no mínimo £70 por noite, ele perguntou:

“A senhora possui cartão de crédito?” “Ah, sim,” respondeu ela, mostrando um cartão de identificação para sacar cheques.

Foi o suficiente, o agente encaminhou a mala dela para uma inspeção adicional, onde o dispositivo da bomba foi descoberto.

SegurancaBenGurionSe a El Al tivesse seguido os procedimentos de segurança ocidentais habituais, certamente 375 vidas teriam sido perdidas em algum lugar sobre a Áustria. A conspiração do atentado a bomba veio à luz, em outras palavras, através de uma intervenção não técnica, baseada na conversa, percepção, bom senso, e (sim) perfilhamento. O agente focou no passageiro, não no armamento. O contra-terrorismo israelense leva em conta a identidade dos passageiros; consequentemente, os árabes aturam uma inspeção particularmente rigorosa. “Em Israel, a segurança vem primeiro, explica” David Harris do American Jewish Committee.

É óbvio que, excesso de confiança, correção política e obrigação legal tornam uma abordagem como essa impossível em qualquer outro lugar no Ocidente. Nos Estados Unidos por exemplo, um mês após o 11 de setembro, o Departamento dos Transportes emitiu diretrizes proibindo seu pessoal de generalizações “sobre a propensão de membros de qualquer grupo racial, étnico, religioso e de origem nacional de envolvimento em atividade ilegal.” (Use uma hijab, brincando um pouco, oriento as mulheres que desejarem evitar uma segunda triagem da segurança do aeroporto.)

Pior, no entanto, imagine o apavorado Mickey-Mouse e os passos desconcertantes que a Administração da Segurança nos Transportes dos Estados Unidos implementaram horas após a tentativa de atentado à bomba em Detroit: a tripulação não será anunciada, “no que diz respeito ao roteiro de voo ou posicionamento sobre cidades ou marcos não serão conhecidos pelos passageiros” e todos os serviços de comunicações dos passageiros serão desativados. Durante a última hora de voo, os passageiros não poderão se levantar, pegar bagagem de mão, nem “estar com cobertores, travesseiros ou objetos pessoais no colo.”

Alguns tripulantes foram ainda mais longe, mantendo as luzes das cabines dos passageiros acesas durante toda a noite, desligando o entretenimento durante o voo, proibindo o uso de aparelhos eletrônicos, e, durante a última hora, exigindo que os passageiros mantenham as mãos em lugar visível, sem comer ou beber. As coisas ficaram tão mal, segundo relata a Associated Press, “A exigência de um comissário de bordo de que ninguém poderia ler coisa alguma… provocou arfadas de descrédito e gargalhadas.”

Amplamente criticada por tomar medidas tipo Clouseau, a TSA (no final decidiu acrescentar a “triagem avançada” para passageiros que passassem por ou viessem de quatorze “países preocupantes” – como se a opção de partida de um determinado aeroporto indicasse a propensão a atentados suicidas.

A TSA está engajada no “teatro da segurança” – passos do faz de conta, desajeitados e arrogantes que tratam todos os passageiros da mesma forma ao invés de correr o risco de ofender alguém ao focar, digamos, na religião. A abordagem alternativa é a Israelificação, definida pelo jornal Star de Toronto como “um sistema que protege do perigo sem irritar ao extremo.”

Qual deles nós desejamos – teatro ou segurança?

Atualização de 6 de janeiro de 2009: Faltou-me espaço na coluna para terminar esse decisivo cenário: E se um grupo grande de sequestradores entrasse em um avião, um número tal que apenas com a força bruta – sem facas, armas ou bombas – conseguissem dominar os passageiros e a tripulação? E se eles ameaçassem os pilotos de estrangular uma pessoa atrás da outra até que o avião ficasse sob seu controle? Não há tecnologia que possa evitar um cenário desses; somente um exame minucioso de quem está embarcando é capaz disso.

E enquanto não aparecer nenhum grupo desse tamanho, “Aqueles Quatorze Sírios a Bordo do Voo 327 da Northwest Airlines” representam um possível passo nessa direção.

Publicado no Jerusalem Post
Original em inglês: Security Theater Now Playing at Your Airport
Tradução: Joseph Skilnik

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