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Com quantos ministérios se faz uma canoa… furada?

29 de abril de 2010 - 23:15:44

Aonde foi que eu li esta frase “Quem quer resolver alguma coisa, vai lá e faz; quem não quer, cria um ministério”?

Se eu não perdi outras declarações do candidato do PSDB, Sr José Serra, já temos prometidos para o seu governo dois novos e extravagantes ministérios: o da “segurança pública” e o dos “portadores de deficiência física”. Neste ritmo, até o fim da campanha, ainda teremos mais doze, se a eleição acabar no primeiro turno, ou mais catorze, se for decidida no segundo…

Segundo Hans-Hermann Hoppe, as social-democracias constituem-se no pior dos infernos socialistas, porque tudo na vida está sujeito, indefinidamente, à barganha política. Ninguém faz mais nada, desde que acorda até o momento de se deitar, do que atacar a posição de alguém ou de se defender do ataque de outros grupos de pressão – e isto se não sonhar, durante o sono, com as reivindicações do dia seguinte”. Em nome da mais estrita igualdade, cada ato político de redistribuição de renda gera novas distorções, e os grupos sociais vão assim se revezando no papel de opressor e de vítima.

Esta batalha diária – a de procurar obter renda por meios políticos, antes do que por meios contratuais, por sua vez, gera um efeito cíclico extremamente danoso à personalidade dos cidadãos, que aos poucos vão se tornando progressivamente mais burros, mais indolentes e mais cínicos. Isto explica porque o crescimento do populismo oferece a oportunidade para as promessas mais esdrúxulas.

Apreciemos este trecho do filósofo alemão:

“Então, sob um sistema de equalização de renda e riqueza e também sob aquela política de salário mínimo, são principalmente os sem-posses os apoiadores da politização da vida social. Dado o fato que na média ocorre serem eles relativamente menos capazes intelectualmente, e em particular, verbalmente, o resultado para a política é a de sofrer uma grande carência intelectual, para dizer o mínimo”. (Hoppe, Hans-Hermann. Uma Teoria sobre o Socialismo e Capitalismo. P. 38)

Estamos como dantes no quartel de Abrantes. Getúlio Vargas vive! Vale a verve, a garganta, o flash momentâneo. Quem conhece a piada da Emobras? Bem, vou repassá-la, aqui meio sem graça, eis que não tenho talento pra comediante, mas só para conhecimento: trata-se de um político em um palanque que, para vencer o seu rival, e sem ter porcaria nenhuma na cabeça, avista uma placa ao longe com o letreiro “em obras”, e brada para a multidão presente: “meu povo, lembrem-se de quem trouxe a Emobras para a nossa cidade fui eu…”

Enquanto Serra vai anunciando um ministério novo a cada lugar ou feira que visita, cá eu venho oferecer a oportunidade aos leitores para fazerem as suas sugestões. Eu protestaria contra as ervilhas redondas: sempre rolam do sanduíche. Um ministério das ervilhas quadradas ou pelo menos discóides bem que cairia bem.

Serra e Dilma, Dilma e Serra…Marina aqui, Marina ali…. Onde está mesmo o Wally, digo, o Ciro? Nenhum destes sujeitos tem um pingo de liderança, bom senso ou uma proposta decente para oferecer. Vivem do que seus marqueteiros lhes sussurram aos ouvidos, ou aproveitam a moda lulista para dizer a primeira bobagem que vier à telha.

O dia em que a sociedade veja-se frente a um candidato que aponte para a realidade em que todos estamos vivendo, dando o nome aos bois e afirmando o que deve ser feito, possivelmente terá um surto, ou quem sabe, isto possa acontecer dentro de um futuro distante, sem traumas, quando os eleitores aprenderem a exigir deles o respeito e a cobrar-lhes a postura condigna com a gravidade da missão que reivindicam.

 

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