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Compromisso com a mentira

17 de abril de 2009 - 23:21:09

Há apenas três dias o Mídia Sem Máscara publicou um artigo meu, em que já denunciava isto, vindo a se confirmar com a matéria publicada pelo Portal Terra sobre o comunicado das FARC anunciando a soltura do cabo Pablo Emilio Moncayo, seqüestrado pelo bando terrorista desde 1997.

O que há por trás deste gesto tão “magnânimo”, de uma libertação unilateral, a imprensa não dá um pio sequer porque contraria os desígnios do Foro de São Paulo, do presidente Lula, de Chávez e das próprias FARC, que querem lançar sua candidata à presidência da Colômbia, “Teodora Bolívar”, alcunha da senadora comunista Piedad Córdoba.

Ocorre que, como aqui no Brasil, este é um ano pré-eleitoral na Colômbia e o sonho dourado das FARC é lançar Teodora como candidata, posto que ela abriria o caminho para a regularização do bando como “grupo beligerante” e posteriormente como partido político legal, ganhando o respeito e o respaldo internacional, como ocorreu na Nicarágua com os sandinistas e em El Salvador com o FMLN.

Esta libertação, entretanto, não é um ato isolado de pessoas piedosas enternecidas pelo espírito da Páscoa, como querem deixar parecer os jornais coniventes com a patifaria, comprometidos com a mentira; há toda uma trama urdida desde as entranhas do Foro de São Paulo. Chávez sabe que está perdendo terreno e poder financeiro com a crise econômica mundial agregada à exorbitante queda do preço do petróleo. Sabe que os documentos encontrados nos computadores de Raúl Reyes são autênticos – embora ele e seu boneco de ventríloquo Correa esperneiem e gritem que é tudo obra do “império” – e que, por isso, o presidente Uribe o tem sob controle. Todavia, não perde a pose, a malícia e a astúcia.

No dia 14 pp. o presidente Uribe esteve na Venezuela para realizar alguns acordos comerciais e em conferência coletiva de imprensa reiterou seu pedido de que as FARC aceitem um cessar fogo por pelo menos quatro meses, como prova de que realmente querem tentar um acordo de paz com o governo. Então, o que fez Chávez? Rapidamente enviou um recado velado aos seus camaradas dizendo que “nem é aliado nem inimigo das FARC” e pede ao bando terrorista que “aceite” o pedido de Uribe, conforme pode-se conferir neste vídeo divulgado pelo jornal “El Tiempo” de Bogotá, transmitido pela rede TeleSur.

No dia seguinte, em mensagem publicada no site de Teodora Bolívar, Alfonso Cano informa que irá libertar unilateralmente, quer dizer, sem qualquer contrapartida, o cabo Moncayo seqüestrado há 12 anos. Ao mesmo tempo, Cano envia um comunicado aos participantes da Cúpula das Américas, na verdade, um mini encontro do Foro de São Paulo, pedindo que “discutam caminhos civilizados para superar o conflito na Colômbia mediante a concretização de um acordo humanitário que possibilite um intercâmbio de prisioneiros de guerra, e trabalhem para proteger a população civil dos efeitos da confrontação militar”, como se eles fossem as grandes vítimas e não os causadores de toda esta barbárie que desola a Colômbia!

O que esta “imprensa” não divulga, por exemplo, é em que circunstâncias este cabo foi capturado. No dia 21 de dezembro de 1997, cerca de 300 guerrilheiros das FARC atacam a base militar onde funcionava a Estação de Comunicações do Exército no morro de Patascoy, no limite entre Nariño e Putumayo, ocupada por integrantes do Batalhão de Infantaria Batalha de Boyacá. O ataque começou às 2 da madrugada. 22 soldados foram assassinados, 18 seqüestrados, dentre eles os cabos Pablo Emilio Moncayo e Libio José Martínez, os únicos daquele ataque ainda em poder das FARC. De Libio nada se sabe, sequer se ainda está vivo. Na ocasião Mono Jojoy teria debochado dizendo que “a peleja não durou senão 15 minutos”. Segundo Teodora, as FARC devem liberar Moncayo entre 20 e 30 dias. Por que a imprensa não conta estes detalhes? Esta é a verdade que TEM que ser escondida do público a qualquer preço para não macular as santas imagens dos protegidos de Lula, Chávez e do Foro de São Paulo!

Fazendo as sinapses, pois estes fatos não são coisas isoladas, Chávez aplainou o caminho para que as FARC pudessem mostrar perante o mundo e 21 chefes de Estado que são bons, generosos e incompreendidos; que a única possibilidade de paz na Colômbia é através dos “acordos humanitários”, e não com as soluções militaristas como quer Uribe; que esses acordos só são viáveis com a interveniência da humaníssima senadora das FARC, Piedad Córdoba; e, de quebra, o professor Mocayo, pai do cabo e que ficou conhecido por sua peregrinação pelo país implorando pela libertação do seu filho, seja o idiota útil mais útil dos terroristas, servindo de cabo eleitoral da futura candidata à presidência, Teodora Bolívar, a quem está infinitamente agradecido. A libertação do cabo Moncayo, como fica claro, não foi por compaixão mas por estratégia, considerando que durante 12 anos este pobre rapaz não passou de um número dentre os tantos seqüestrados; agora, entretanto, Chávez acendeu a luz verde de sua serventia, como fez ano passado com outros libertados.

Eles só esqueceram que no meio do caminho tem uma pedra, e essa pedra chama-se Álvaro Uribe Vélez.

 

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