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Confecom: o grito do silêncio

15 de dezembro de 2009 - 7:29:31

O que ensurdece todos os brasileiros é o silêncio da grande mídia sobre a Confecom. Tenho informações seguras de que as grandes empresas do setor decidiram não apenas ficar de fora da Conferência, como também ignorá-la como matéria jornalística. Mesmo o UOL tendo passado o sábado último com um enorme banner pago anunciando o evento a Folha de S. Paulo o ignorou por completo, tanto no noticiário como no espaço opinativo. O Globo, da mesma forma. Para esses dois veículos, assim como para a revista Veja, o evento não existe.

O Estadão quebrou o silêncio nos editoriais por mim anteriormente comentados e ontem, domingo, trouxe uma matéria insossa informando sobre a Conferência. Antes assim, seus leitores pelo menos passaram a saber que um megaevento, que afetará a vida de toda gente, começa hoje. Na edição de hoje o Estadão reprisa a matéria de forma sintética. Qual o seu enfoque? Falar das “propostas” que o repórter chamou de “polêmicas”. Podemos ler no lead da matéria publicada ontem: “A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que começa amanhã, em Brasília, vai juntar, numa mesma assembleia, propostas polêmicas – controle social sobre a mídia, recriação de estatais extintas há quase 20 anos, como a Embrafilme – e reivindicações puramente corporativistas, como a tentativa de recriar velhos cabides de emprego“.

Ora, se a reportagem mostra algum alento por quebrar o silêncio e por trazer à luz essas idéias ridículas que conspiram contra a liberdade de imprensa, ela passa a falsa impressão que o evento é apenas isso e não uma tentativa do PT de estatizar e controlar toda a cadeia produtiva das comunicações, desde a infra-estrutura aos provedores de conteúdo. Podemos dizer, na plenitude do léxico, que se trata de uma revolução nas comunicações, que assim passarão a ser escravas da estratégia totalitária dos partidos de esquerda, liderados pelo PT.

A reportagem também ignora que a forma de feitio da Conferência é um arremedo de democracia direta basista, nos moldes bolcheviques, utilizando da mesma maneira como o PT pratica o que ele considera uma forma de democracia direta. É na verdade um democratismo inteiramente controlado pelas lideranças das principais facções partidárias, legitimando seu mando discricionário. Essa democracia basista tem por finalidade precisamente destruir a democracia representativa, visto que a Confecom foi chamada precisamente para retirar do Congresso Nacional as prerrogativas de formulação e discussão dos destinos nacionais no campo da comunicação, inclusive dos seus marcos regulatórios.

Ao ocultar o que realmente se passa o Estadão acaba por desinformar seus leitores, desarmando assim a prontidão daqueles que estão preocupados com a preservação da economia de mercado e da democracia representativa. O jornal paulista, mais uma vez, se torna companheiro de viagem dos revolucionários que agora mandam no Palácio do Planalto. Na edição de hoje (14), ao lado da nota sobre a Confecom, tem uma longa matéria sobre a EBC, a novíssima estatal criada pelo ministro da Propaganda, Franklin Martins, dando conta de que ela está elevando seu milionário orçamento para 2010, sem que seja feita qualquer elo entre o fato e a Conferência.

A Confecom terá como subproduto direcionar o esforço do Estado para estatizar e expulsar as empresas privadas em toda a cadeia produtiva das comunicações, permitindo o controle total do acesso e do conteúdo pelos agentes políticos. Será um passo alargado no rumo do totalitarismo. A tática de silêncio dos grandes veículos é errada e suicida. O retardamento da reação poderá ser tarde e ineficaz. Ela deveria ter sido iniciada tão logo o decreto de chamamento da Confecom foi publicado, em abril último. Todos esses meses de silêncio serviram apenas para desarmar a opinião pública brasileira contra o assalto do totalitarismo bolchevique. Uma fez concluída a Confecom qualquer reação será tardia e extemporânea e – lamento dizer – inútil, impotente.

O caminho escolhido da acomodação feito pelos barões da mídia é suicida. Eles deveriam estar à frente da resistência contra os totalitários. Preferiram o estúpido grito do silêncio, a covarde omissão que poderá custar caro aos brasileiros.

 

Para entender a CONFECOM

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