1. Arquivos
  2. Oriente Médio

Conversa mole, realidade dura

18 de março de 2009 - 1:32:13

Como todos parecem criticar Israel por sua resposta militar aos foguetes lançados contra ele da faixa de Gaza, permita-me expressar também as minhas críticas. Os israelenses trocaram território por paz, mas eles nunca tiveram paz, portanto eles deveriam retomar os territórios.

Talvez algumas gerações de palestinos vivendo em paz em Gaza sob a ocupação de Israel e algumas gerações de tropas reprimindo terroristas – “militantes” para quem é sensível – estabeleceriam condições para que os palestinos pudessem livremente votar se gostariam de permanecer sob ocupação ou de ter seu próprio estado – sem os terroristas e seus foguetes.

Apenas o total de vítimas fatais deveria ser suficiente para mostrar que o povo palestino é o grande perdedor da atual situação, pois os terroristas em seu meio, atirando foguetes contra Israel, podem trazer ataques retaliatórios devastadores.

Por que os palestinos não votam em alguns representantes que poderiam fazer um acordo de paz duradouro com Israel? Porque qualquer candidato a essa tarefa seria morto por terroristas muito antes do dia da eleição. Assim, ninguém se apresenta para tal perigoso papel.

Não sabemos o que querem realmente os palestinos – e não saberemos enquanto eles forem dominados pelo Hamas, Hezbollah ou coisa parecida.

Quaisquer que sejam os benefícios da paz para a população palestina, o que vão fazer os terroristas em tempos de paz? Se tornarem bibliotecários ou vendedores de móveis?

A chamada “opinião mundial” tem sido um grande fator negativo nessa situação. Nada é tão fácil, para as pessoas que vivem em paz em Paris ou em Roma, quanto clamar por um “cessar-fogo” depois que os israelenses retaliam contra as pessoas que lançam foguetes sobre eles.

O tempo do cessar-fogo antecede o lançamento dos foguetes.

O que faz o clamor pelo “cessar-fogo” ou por “negociações”? Ele baixa o preço dos ataques. Isso não é verdade só no Oriente Médio, mas também em outras partes do mundo.

Durante a guerra do Vietnam, quando religiosos americanos clamavam “Pare o bombardeio!”, eles prestavam pouca atenção no fato de que a suspensão dos bombardeios tornaria mais fácil a movimentação de tropas norte-vietnamitas para o Vietnam do Sul a fim de matar tanto sul-vietnamitas quanto americanos.

Se, depois que a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, a primeira ministra Margaret Thatcher tivesse ouvido os clamores de “cessar-fogo”, isso teria simplesmente baixado o preço a ser pago pelo governo argentino por sua invasão.

Voltemos cem anos atrás – antes que existisse a ONU e antes que a “opinião mundial” tivesse de ser levada em conta.

A Argentina, depois da invasão das Ilhas Malvinas, teria arriscado, naquele tempo, não só um contra-ataque britânico para a retomada das ilhas, mas também um ataque contra si própria.

Em qualquer lugar do mundo, ataques do tipo perpetrados contra Israel não só teria sofrido retaliação, mas invasão e aniquilamento do governo que lançasse tais ataques.

Hoje, a chamada “opinião mundial” não somente limita o preço a ser pago pela agressão ou terrorismo, mas tem levado terceiros a conversas tolerantes sobre limitar a respostas daqueles atacados ao que seja “proporcional”.

Por esse raciocínio, deveríamos não ter declarado guerra ao Japão pelo bombardeio a Pearl Harbor. Deveríamos ter ido ao Japão e bombardeado um de seus portos – e só.

Alguém imagina que isso teria levado o Japão a se tornar tão pacífico hoje quanto ele se tornou depois dos ataques a Hiroshima e Nagasaki?

Ou a agenda real é se engajar num discurso moral presunçoso, de uma distância segura, às custas de outras pessoas?

Aqueles que pensam que “negociações” são uma resposta mágica parecem não entender que quando A quer aniquilar B, essa não é uma “questão” que pode ser resolvida amigavelmente em torno de uma mesa.

 

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo.