1. América Latina
  2. Arquivos

Criminosa manipulação para libertar o cabo Moncayo e os demais seqüestrados

26 de abril de 2009 - 0:08:57

As FARC e seus cúmplices internacionais em Caracas, Havana, Quito, Manágua, La Paz, Buenos Aires e Brasília jogaram um ás, porém perderam a partida. Pretendiam utilizar a recente Cúpula das Américas para ressarcir o cacarejado e reiterativo consenso dos comunistas do Foro de São Paulo, segundo o qual é urgente “a paz” na Colômbia, a partir do engendrado acordo humanitário que lhes retire o rótulo de terroristas.

Porém, o inusitado protagonismo do presidente norte-americano Barack Obama, ofuscou os demais e deixou em segundo lugar e sem protagonismo midiático a audaciosa flechada das FARC. É essa, e não outra a razão pela qual a figura visível de “Colombianos pela Paz” insiste em que o governo é quem está demorando.

Se lhes desbaratou o plano. Do mesmo modo que quando não tinham o menino Emanuel, ou quando foram capturados em Bogotá três terroristas com as provas de sobrevivência de Ingrid Betancourt e outros seqüestrados, ou quando foi abatido Raúl Reyes e os analistas de inteligência decifraram os gravíssimos segredos registrados nos computadores do cabeça e a forma como vinha em marcha o complô contra a Colômbia.

A artificiosa etapa anterior à anunciada libertação de Moncayo, não é nada diferente dos estratagemas publicitários descobertos nos computadores de Reyes, em honra de conseguir o reconhecimento de beligerância das FARC.

Tampouco é nada diferente às linhas de ação dispostas no Plano Estratégico do grupo terrorista. Nada distinto dos quiméricos sonhos dos jurássicos marxistas-leninistas de tomar o poder na Colômbia por meio da combinação de todas as formas de luta, para implantar uma sanguinária ditadura comunista similar à cubana.

E os atores da partilha da comédia voltam a ser os mesmos. O presidente Lula, com sua atitude de “não fui eu, foi tudo pelas minhas costas e a única coisa que quero é a paz da Colômbia”, desenvolve o papel de protagonista na cena teatral.

Como bom comunista, o presidente brasileiro segue aferrado às idéias do proletariado triunfante, da supressão do capitalismo mesmo que tenha que utilizá-lo como um meio para alcançar seu fim, da unidade marxista-leninista de todos os governos latino-americanos e a destruir por todos os meios o capitalismo do chamado “império norte-americano”.

Por sua parte, os autodenominados “Colombianos pela Paz” também cumprem sua parte na partilha do elenco. Em vez de forçar as FARC para que libertem todos os seqüestrados sem contrapartida e ao mesmo tempo convencê-los para que se submetam à lei de justiça e paz, sua loquaz representante tem o descaramento de falar: “prisioneiros de guerra”, “as FARC exército do povo”, “o comandante Cano” e outras pérolas que só servem para referendar sua afinidade ideológica e sua parte no show.

Nem aos terroristas, nem aos “pacifistas” do sui generis grupo “Colombianos pela Paz”, lhes parece importar um segundo sequer a dor dos seqüestrados. Uns e outros se cobrem com a mesma cobiça e, pelo contrário, se evidencia que estão mancomunados para fazer as entregas a conta-gotas, com mistérios, com impropérios e desqualificações contra o governo nacional, com retardos calculados, com a busca de padrinhos internacionais, com desdobramentos midiáticos e com a óbvia intenção de que a audaz mediação postule ao ou a candidata à Presidência, projetada para ser o(a) presidente(a), que negocia com os terroristas a desmobilização de suas estruturas, em troca do governo de transição para o governo integrado ao Socialismo do Século XX que pulula no continente.

Se fosse certo que os chamados “Colombianos pela Paz” se interessam pela paz e o bem-estar dos compatriotas, não atuariam como multiplicadores do cavalo de Tróia que se esconde na proposta do acordo humanitário tendente a legitimar os terroristas, nem contribuiriam para que as FARC abusem da estupidez funcional do pai do cabo Moncayo que, do mesmo modo que a mãe de Ingrid Betancourt, se dedicou a falar mal do presidente Uribe em vez de importunar os terroristas que seqüestraram, torturaram e maltrataram seu filho.

Os “intelectuais” de esquerda que se identificam como colombianos pacifistas amigos da Colômbia, não são imbecis. Pelo contrário, são pessoas com os cinco sentidos em ordem. Portanto, sabem e entendem que as libertações a conta-gotas são uma macabra e sinistra manipulação da dor humana. Conscientes ou inconsciente fazem parte da Síndrome de Estocolmo coletiva, que os terroristas querem impor a todos os colombianos.

Por essa razão, é incompreensível que se prestem a semelhante monstruosidade. Se na verdade são amigos da Colômbia e na realidade querem a paz, então que o demonstrem com fatos concretos; mais que com “mediações humanitárias” que escondem ardis publicitários. A única opção pacifista é a desmobilização dos terroristas, e é isso que lhes deveriam apontar aqueles que na sanha de tirar do caminho o presidente Uribe brincam com Deus e o diabo, sem se importar que com suas atitudes maniqueístas fazem parte da decomposição política do país e o futuro da institucionalidade.

Já é hora de, tanto os soberbos anti-uribistas como os indiferentes, se dêem conta de que o presidente Uribe não é o problema, que as FARC não são a solução para os males estruturais do país e que legitimá-los não contribui com nada, pois os terroristas não representam a ninguém mais que o arcaico Partido Comunista Colombiano.

Se a Colômbia inteira se manifestou de maneira multitudinária contra as FARC e exigiu a libertação incondicional de todos os seqüestrados como verdadeira mostra de paz, a obrigação dos que se autodenominam “colombianos pela paz”, em suposta representação do sentimento popular, deve ser de respaldo ao país e ao cumprimento irrestrito de um claro mandato coletivo da nação.

Por esta razão, já é hora de a Colômbia deixar para trás o silêncio e exigir dos terroristas que libertem o cabo Moncayo e os demais seqüestrados, sem atos propagandísticos, sem mediadores manhosos como Lula, sem a turva intenção de Chávez, Correa e Ortega em legitimar as FARC, e sem a estupidez funcional dos que acreditam que fazem um grande favor ao país com tanto show desnecessário. Esse seria o final da comédia…

E também já é hora de o professor Moncayo ponderar para onde deve apontar a artilharia, pois o mais certo é que doutrinado pelos seqüestradores, seu filho vá sair repetindo as mesmas frases que disseram Luis Eladio Pérez, Alan Jara e Sigifredo López ordenadas pelas FARC, para pressionar o governo colombiano de que a única opção é a troca humanitária nas condições impostas pelos terroristas.

*Analista de assuntos estratégicos – www.luisvillamarin.co.nr

Fonte: http://www.eltiempo.com/blogs/analisis_del_conflicto_colombiano

Tradução: Graça Salgueiro

{slide=Artigos Relacionados}{loadposition insidecontent}{/slide}

{slide=Artigos do Mesmo Autor}{loadposition insidecontent2}{/slide}