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Data vênia, nóis vai… não!

22 de maio de 2010 - 5:22:20

Entretanto, não guardo ilusão de este blog vir a ser lido com a mesma procura dos blogs de fofocas televisivas, tomados estes como exemplo. Por mais que me utilizasse de uma linguagem mais simplificada, o fato é que o povo brasileiro tornou-se extremamente frívolo, de modo que o que exigem mesmo é que se faça a comunicação dentro já não dos moldes de um aceitável coloquialismo, mas como um simulacro de linguagem, totalmente ferida de morte nas suas ligações lógicas, e portanto, incapaz de transmitir racionalmente as idéias, principalmente as mais enlevadas.

Talvez os leitores com um pouco mais de idade venham a recordar de um antigo artigo de opinião exarado por um cidadão brasileiro nas páginas amarelas da revista Veja. Em seu texto, aquele senhor nos exortava a modificar a letra do Hino Nacional, haja vista que ele próprio, somente após muito custo, passou a compreender o seu significado. Por um destes milagres que são de difícil explicação, uma grossa corrente de indignação percorreu todo o país, com a firme convicção de que o hino deveria permanecer tal como foi consagrado. Chegou-se mesmo a utilizar como bordão o célebre neologismo funarista: “- o hino é imexível”. Sinceramente, não sei como a população de hoje reagiria….

Conheci a letra do Hino Nacional ainda no ensino fundamental pelo brilhante trabalho de minha professora de Português, a Sra Edith Stöckl Simão, que o expôs em ordem direta, para analisá-lo com os alunos. Nada de extraordinário: apenas o bom trabalho que toda professora de português deveria ter feito. Nunca mais me esqueci da letra do Hino, e sei corretamente o que diz a letra, que transcrevo ao final destas considerações.

Tenho, portanto, de carregar a tocha acesa da instrução do bom exemplo e do bom ensino que aquela mestra me proporcionou. Que maravilhoso é poder se valer das palavras dentro de uma estrutura gramatical correta e culta, mesmo quando conversamos com nossos familiares e amigos. Que bonito é ver alguém se expressando bem!

A comunicação verbal não precisa descer para os porões da gíria, da tosca concordância e dos infernais vícios cacofônicos para demonstrar naturalidade. Uma certa sensação de imitação pode ocorrer aos que estão se esforçando para corrigir a fala, mas com o tempo isto se torna tão espontâneo que passa despercebido, tanto a elas quanto aos seus interlocutores. Uma pessoa que sabe se expressar com desenvoltura tem muito menos dificuldade em transpor o seu pensamento para a linguagem escrita, e consegue formar expressões e raciocínios mais elaborados do que as pessoas de linguajar mais tosco.

Não, meus caros leitores! Não vou ajudar a mudar o hino! O hino é “imexível” mesmo. Não vou colaborar com o trabalho de alienação das pessoas. Elas é que têm de se convencer a serem mais estudiosas, mais sérias e mais educadas. A ignorância das massas aproveita bem à esquerda; aproveita aos petistas e comunistas, que se valem da mentira, da dissimulação, da empulhação e da mistificação para enganar a todos e implantar o seu projeto totalitarista.

Tendo o que vai acima compreendido, é mais ou menos certo que não tenho muito como ajudar diretamente o “povão”, a não ser, claro, pelos poucos casos de exceção. Quando descemos, seja por nosso falar ou por nossos atos, criamos um novo padrão, situado agora num patamar inferior, e uma nova demanda para piorar tudo se levanta. Por isto é que o trabalho consiste em trazer estas pessoas mais simplórias para o alto, ao invés de descer com elas. Foram o construtivismo e o relativismo que percorreram o caminho inverso e causaram tamanho estrago na educação do nosso Brasil.

Os meus escritos vão para as pessoas que têm a capacidade de compreender o que eu e outros escritores e articulistas mais cultos escrevem, mesmo que para isto se esforcem, o que não deixa de ser meritório. São estas pessoas que, em trabalho do tipo “formiguinha”, vão acabar puxando pela mão aqueles seus próximos que estão mais por baixo. É trabalho longo e penoso, que levará tanto tempo ou mais do que todo o processo de embrutecimento a que o povo brasileiro foi submetido durante as últimas décadas.

Não obstante, se há algo de que tenho horror, é ao uso extravagante e afetado das palavras, como muitos fazem, para cobrir com uma capa de veludo a mentira ou a mera ignorância. A comunicação aqui sempre tem sido simples, moderada, e sobretudo, honesta. E vamos ao Hino Nacional Brasileiro (em ordem direta):

 

Parte I

 

Ouviram o brado retumbante de um povo heróico às margens plácidas do Ipiranga

E nesse instante o sol da liberdade brilhou em raios fúlgidos no céu da pátria

Se conseguimos conquistar o penhor dessa igualdade com braço forte

A própria morte desafia o nosso peito em teu seio, ó liberdade

Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança desce à terra

Se (quando) a imagem do Cruzeiro resplandece em teu formoso céu, risonho e límpido

Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza, terra adorada,

Brasil, tu és terra adorada entre outras mil

Ó Pátria amada!

És mãe gentil dos filhos deste solo

Pátria amada, Brasil!

 

Parte II

 

Ó Brasil, florão da América, fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo, deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo

Teus campos risonhos (e) lindos têm mais flores do que a terra mais garrida

“Nossos bosques têm mais vida”, no teu seio nossa vida (tem) mais amores

Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!

Brasil, o lábaro que ostentas estrelado seja símbolo de amor eterno

E o verde-louro dessa flâmula diga – “Paz no futuro e glória no passado”

Mas, se (tu) ergues a clava forte da justiça

Verás que um filho teu não foge à luta

Nem teme quem te adora (:) a própria morte

Brasil, tu és terra adorada entre outras mil

Ó Pátria amada!

És mãe gentil dos filhos deste solo

Pátria amada, Brasil!

 

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