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De cara, Anajure troca princípios universais pela opinião das massas

11 de dezembro de 2012 - 17:14:02

A despeito dessas obviedades, o Dr. Uziel prefere lavar as próprias mãos. Se o povo é quem decide, vida longa a Barrabás! Segundo o presidente da ANAJURE, toda legislação de ordem moral precisa ter legitimidade. Disso ninguém discorda. Contudo, ele conclui daí que “impor uma conduta moral do Parlamento para baixo, sem ouvir o povo, isso não representa bem o estado democrático”. Não sabemos ao certo o que Dr. Uziel entende por democracia, mas será que devemos também submeter ao crivo popular os direitos e garantias fundamentais? Não teriam os direitos do indivíduo origem numa ordem moral que é anterior à própria existência dos homens e das sociedades? Eis aí uma boa questão para o Dr. Uziel meditar.

E se ele porventura perdeu a confiança nos ensinamentos bíblicos, poderá ao menos consultar os sábios conselhos da filosofia clássica:

“A razão reta, conforme à natureza, gravada em todos os corações, imutável, eterna, cuja voz ensina e prescreve o bem, afasta do mal que proíbe e, ora com seus mandados, ora com suas proibições, jamais se dirige inutilmente aos bons, nem fica impotente ante os maus. Essa lei não pode ser contestada, nem derrogada em parte, nem anulada; não podemos ser isentos de seu cumprimento pelo povo nem pelo Senado; não há que procurar para ela outro comentador nem intérprete; não é uma lei em Roma e outra em Atenas, uma antes e outra depois, mas una, sempiterna e imutável, entre todos os povos e em todos os tempos; uno será sempre o seu imperador e mestre, que é Deus, seu inventor, sancionador e publicador, não podendo o homem desconhecê-la sem renegar-se a si mesmo, sem despojar-se do seu caráter humano e sem atrair sobre si a mais cruel expiação, embora tenha conseguido evitar todos os outros suplícios” (“De Republica”, Livro III, xvii).

Em toda a história humana, o livre mercado das ideias é pródigo em criar sofismas que respaldam moralmente as mais diversas condutas, desde que concorram para alcançar seus objetivos — afinal, “os fins justificam os meios”, não? Ideologias como o nazismo, o comunismo e o fascismo legitimaram — muitas vezes com apelos populares — práticas abomináveis como o genocídio, o terrorismo, a tortura e a eugenia. As trágicas lições deixadas pelo século passado deveriam sensibilizar até aquelas almas mais refratárias aos fundamentos divinos da ordem moral, que resiste intrépida às inovações bizarras de um “direito achado na rua”. Será que vamos repetir todo esse descalabro histórico? A experiência é uma escola muito cara — dizia Benjamin Franklin — mas é só nela que os tolos aprendem…

Vale destacar o quão grave é o pulo na armadilha que a ANAJURE armou, com o apoio de segmentos da bancada evangélica. Recorrer aos referendos, mas acolher seus resultados apenas quando convém, é uma tática usada de forma recorrente pela elite globalista, abertamente anticristã e politicamente correta, que agora leva a União Europeia à beira do abismo. Com tal posicionamento, a ANAJURE segue as trilhas da eco-paranoica Marina Silva, que, embora se declare evangélica, em questões sensíveis do direito natural, prefere flertar com os humores instáveis das massas.

A par da hegemonia cultural esquerdista em nosso país, financiada e dirigida por uma tecnocracia global que promove, entre outras coisas, o aborto e a eutanásia, fica ainda mais evidente o risco que se corre diante da proposta da ANAJURE, bem como se pressupõe a ingenuidade (se realmente é o caso) dos articuladores políticos da instituição.

A bem da verdade, a posição assumida pela ANAJURE é um ato de traição aos movimentos pró-vida, pró-família e de todos aqueles que defendem os valores judaico-cristãos nos espaços públicos, tendo-os como universais, irrevogáveis, inegociáveis, transcendentes e os únicos capazes de, quando adequadamente defendidos, proteger a civilização contra a barbárie e o democratismo barato.

Fazer com que princípios absolutos, auto-evidentes, se submetam à chancela das massas como primeira medida é relativizá-los de antemão. E nenhum cristão convicto pode dar apoio a uma instituição que, já em seus primeiros passos, assume um discurso demagógico para angariar a simpatia de poderosos globalistas e seus aliados brasileiros, especialmente políticos como Marina Silva.

 

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