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Difamar Israel, um ato cidadão

12 de junho de 2010 - 9:34:19

Pensei em escrever uma réplica, mas o Saulo Tavares, diretor de comunicação da Sociedade Israelita do Ceará, já o fez e certamente melhor do que eu poderia. Seguem os trechos da coluna do Valdemar (grifos meus) e os comentários feitos por Saulo no
Povo online:

“A semana foi tomada pela repercussão do ataque, em águas internacionais, de Israel contra uma flotilha de barcos que se dirigia à faixa de Gaza para levar
ajuda humanitária
à população palestina, que passa por
enormes privações
devido ao bloqueio imposto à região pelos israelenses. Os barcos conduziam
manifestantes humanitários
de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. A morte de quase uma dezena deles, por soldados israelenses, sob o pretexto de que os manifestantes reagiram à repressão,
chocou o mundo
. Israel pode até ter o direito de saber se embarcações que se dirigem para a área trazem algum tipo de artefato que ameace sua segurança, mas não de impedir a chegada de suprimentos humanitários à população afetada. No máximo, seria possível aceitar que fossem estabelecidos mecanismos de controle das cargas levadas pelos navios, mas não impedir a entrega, pois é inaceitável o
embargo que provoca fome e desespero
na população civil palestina.

PREVISIBILIDADE
Israel

alega
que suas tropas foram recebidas com paus, chaves de fenda e outros objetos usados pelos militantes das embarcações abordadas. Ora, em primeiro lugar, a forma da abordagem foi errada (por assalto aéreo), pois acirrou os ânimos
(???)
. Em segundo lugar, deveriam ter sido utilizados instrumentos adequados de contenção para manifestações de massa, como se faz contra passeatas ou aglomerações indesejadas. A possibilidade de existirem “cabeças-quentes” que sempre reagem nessas situações está dentro das expectativas das
manifestações políticas de massa
(como acontece em qualquer passeata). Mas, essa reação não pode ser enfrentada com armas mortíferas. Isso é praxe nas forças de segurança, no mundo inteiro. Israel errou, e causou
indignação geral
.”

Agora, Saulo Tavares:

1- O curioso no comentário acima é a mostra de total falta de conhecimento do assunto por parte do responsável pela coluna ou, em caso contrário, sua absoluta e clara má vontade para com Israel. É dito que o país “impede a chegada de suprimentos humanitários à população de Gaza”, porém o atual bloqueio visa inibir a produção de foguetes pelo Hamas e evitar a entrada de armas e munições que possam ser utilizadas pelo grupo contra Israel (o Egito também bloqueou a sua fronteira terrestre com Gaza). Ao contrário do que é afirmado pela coluna Concidadania, os suprimentos tem entrado em Gaza em bases regulares, por via terrestre, atendendo às necessidades que a situação de beligerância permite, tendo sido inclusive oferecido à flotilha a opção de desembarque em porto israelense e, após inspeção da carga, seu envio ao território sob jugo do Hamas (o governo de Israel, antes dos navios chegarem à costa israelense, disse que poderia enviar a ajuda humanitária sem custo nenhum para Gaza, desde que a mesma passasse por checagem antes).

2 – A flotilha foi avisada que deveria seguir para Ashdod e como a resposta foi negativa a marinha israelense agiu de acordo com o San Remo Manual on International Law Applicable to Armed Conflicts at Sea (12 June 1994):

‘It is permissible under rule 67(a) to attack neutral vessels on the high seas when the vessels are believed on reasonable grounds to be carrying contraband or breaching a blockade, and after prior warning they intentionally and clearly refuse to stop, or intentionally and clearly resist visit, search or capture’.

E também com os Acordos de Oslo. Outra tolice na coluna é a tentativa de contestação da agressão sofrida pelos soldados israelenses que abordaram o barco do Hamas (O comboio “humanitário” consistia de seis navios. O único no qual houve o incidente com mortes foi aquele organizado pelo grupo IHH -Insani Yardim Vakfi, ‘fundo de ajuda humanitária’, organização turca que têm ligações com Al qaeda, Hizbollah, Irã e Hamas, portanto tendo entre seus integrantes terroristas daquele grupo. Todos os outros navios aceitaram pacificamente se dirigir ao porto de Ashdod, para que as mercadorias fossem checadas, e depois enviadas para Gaza. Aquele não aceitou).

3 – Em vídeo amplamente divulgado pode-se ver claramente que os “manifestantes humanitários” atacaram os soldados de Israel, depois de esgotadas as negociações. Foram mostradas imagens pela televisão dos “manifestantes humanitários” a bordo do navio, em que estes recebem os soldados com socos e tiros, além de facadas e golpes de porretes e barras de ferro. Mal os soldados desembarcam pacificamente são atacados, ao contrário do que concidadania, a liga árabe e seus aliados estão argumentando (que o exército israelense entrou atirando e etc…). Fala-se do filme, mostra-se o filme, fica confirmada a agressão. Mas o texto de condenação a Israel, sem matizes, segue adiante. O autor fala da “possibilidade de existirem cabeças-quentes” que “sempre reagem” no grupo. Ora, o que é mostrado no vídeo é quase o linchamento dos militares antes de sua reação. Uma ação planejada com frieza e que buscava exatamente criar a situação apresentada. Plano de um grupo com objetivo bem definido e não a ação impulsiva de “cabeças-quentes”… O mais engraçado, no entanto é a indicação de que a forma de abordagem, “assalto aéreo”, foi errada e foi o que “acirrou os ânimos”. Ora meu caro, os ânimos já vinham acirrados e já havia a disposição à reação violenta e jamais à negociação, não importando o modo como Israel agisse, o objetivo não era prestar ajuda humanitária a Gaza e sim criar uma questão internacional. A prova cabal da armação veio no final da tarde desse domingo (06/06/2010) quando o Irã, financiador do hamas, país que ameaça constantemente Israel de aniquilação ofereceu escolta às próximas flotilhas que se dirigirão a Gaza.
Concidadania errou feio dessa vez.

Iiiiiihhh. Agora complicou, Valdemar… “Cineasta brasileira que estava na ‘Flotilha humanitária’ admite: ‘Não tenho imagens incriminatórias contra Israel’. De volta aos EUA, onde mora, a cineasta brasileira Iara Lee admitiu que as imagens colhidas por sua equipe durante a reação israelense à flotilha Mavi Marmara, que tentou furar o bloqueio em Gaza, não condenam o Exército de Israel.”

O leitor Diego Almeida continua:


Saulo, o VM é um desses gauches de boutique, seus comentários se baseiam em oba-oba e preconceitos esquerdistas, um deles é o anti-semitismo. O colunista jamais contraria o uso de crianças por parte do Hamas e Hizbollah, nem mesmo ao apedrejamento de mulheres, mas basta Israel defender seus cidadãos, que sai da frente: VM torna-se procurador dos árabes terroristas.

O que me admira é que se coletarmos as opiniões de VM nos últimos cinco anos leremos uma sequencia de engolimento de moscas, que vão do irrestrito apoio ao fascismo chavista ao apoio oblíquo à destruição de Israel (não implica nisso apoiar Ahmadinejad)? E ele ainda é editor sênior do jornal.

Saulo finaliza:

Na verdade há bem mais tempo. Desde 2002, no episódio dos atentados com homens bomba. Ele se manteve calado durante 14 meses enquanto a população de Israel era alvo de atentados praticamente diários. Bastou Israel reagir para que O Povo começasse uma violenta campanha antiisraelense com editoriais, artigos, comentários e charges condenatórias, o que me obrigava a um contato diário com a ombudsman da época. A largada foi dada justamente por Concidadania… De lá para cá o que mudaria?

 

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