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Discutindo a relação

13 de setembro de 2009 - 20:04:56

As enormes passeatas gays pelo mundo afora são o epítome do fenômeno. Mesmo que lá estejam as homossexuais femininas, são elas ofuscadas pela enorme quantidade de homens, sua grande maioria. Certamente uma mudança tão profunda na forma de ser masculina tem algo a ver também com a mudança ocorrida no feminino. As mulheres têm, paulatinamente, modificado seu papel social e também sua relação com os homens, não apenas seus companheiros de vida, mas também os filhos e pais. Essa modificação parece ter sido feita em seu próprio benefício: parecem ter mais liberdade, independência econômica, disposição de fazer a vida a seu modo, sem dar bolas para restrições de espécie alguma.  Modificaram sobretudo a forma de criar os filhos: estão distantes, trabalham, a ausência feminina parece dar um contributo decisivo nessa metamorfose da psique masculina.

As crianças hoje em dia, sobretudo as de famílias mais pobres, alcançaram o ideal nazista e comunista da forma que seus teóricos originais nem suspeitavam que iriam conseguir: foram separadas dos pais desde tenra idade e deixadas aos cuidados dos funcionários do Estado, nas creches e escolas públicas. A educação infantil está plenamente estatizada. A quebra da transmissão dos valores tradicionais começou por aí. Bem sabemos que esses diligentes funcionários públicos pregam o marxismo aos seus pupilos e deformam os pequenos desde tenra idade.  Mais: praticam o marxismo cultural, em boa hora denunciado pelo padre Paulo Ricardo. Em sua maioria, são funcionárias, praticamente não há homens nessa profissão. Portanto, não há modelos masculinos para formar os meninos. A coisa é muito séria.

A epidemia de divórcios e a multiplicação de lares sem a presença masculina são outra causa dessa falta de modelos masculinos. O menino vê-se praticamente cercado pelo mundo das mulheres, em casa, e o mundo desgraçado dos comunistas condutores das escolas públicas, do outro, também sob a custódia feminina. Os homens adultos estão cada vez mais distanciados da educação dos meninos, uma marca geracional. Não é por acaso que a rapaziada veste camisa cor-de-rosa, usa brincos, aplica adstringente no rosto e segue o trio elétrico das paradas gays. E recusam o casamento, cada vez mais. A perpetuação da vida atomizada, sem família e voltada única e exclusivamente ao hedonismo é o destino de larga proporção dos homens das gerações que chegam.

A presença feminina tem um papel sagrado na composição da vida de um homem, como mãe, esposa e filha. Essa presença sempre foi muito forte e o ditado popular consagrado, que diz que, por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, é uma verdade imemorial. De forma alguma o papel tradicional da mulher a diminuía, ao contrário, a santificava. A mulher sempre foi o esteio do matrimônio e a fonte do equilíbrio e da motivação do homem. E a formadora maior dos filhos, junto com a presença modelar do marido.

A crônica da metamorfose dos papéis dos sexos tem em duas peças cinematográficas duas cenas memoráveis.  Uma no filme O Poderoso Chefão Ii, aquela em que Kay fala para Michael, que lhe pedia perdão pelo aborto que ela padecera supostamente por causa do atentado e ela, mortífera, fala para ele que ela mesma praticara o aborto, um menino, “para acabar com dois mil anos de história“. A morte do masculino cristão, a alusão não poderia ser mais direta. A morte da virilidade. A tapa que levou foi memorável, uma das mais eletrizantes cenas do cinema de todos os tempos, com Pacino mostrando o olhar de ódio do homem que ainda era o masculino tradicional, que estava derrotado diante da mulher impiedosa, matadora do próprio filho. O impensável aconteceu: o casamento do poderoso chefão foi desfeito, o divórcio, contra os valores cristãos, foi consumado. Sempre que eu vejo essa cena me comovo.

Outra cena está no filme de Kubrick, De Olhos Bem Fechados. Nicole Kidman, demoniacamente bela, fumando maconha com o marido no quarto do casal faz-lhe a confissão mais terrível que uma esposa poderia fazer ao marido, que tivera devaneios sexuais com outro homem e que, se o outro homem desconhecido quisesse, teria largado tudo e seguiria com ele. Antes, riu-se de forma incontrolável, demoníaca, da segurança que o marido ostentava de sua fidelidade, suposta pelo fato de ser a sua esposa. Fidelidade que não se resume jamais nos atos, mas também nos pensamentos. A fraqueza de Bill Harford diante da bela mulher, do feminino enquanto tal, foi eletrizante e toda a história do filme passará a girar em torno dessa confissão cruel. Kubrick, na sua genialidade, registrou também essa mudança que aconteceu no relacionamento homem/mulher nos últimos séculos.

Meu ponto é que não será possível o retorno aos valores e à religião sem que o casamento como instituição seja restabelecido. Não teremos homens desprovidos de camisas cor-de-rosa e de brincos nas orelhas, arremedando mulheres, e nem seguindo trios elétricos de passeatas gays, sem restaurar esse sacramento, confiando o cuidado da educação dos filhos aos pais biológicos, como sempre foi. É o tempo de se discutir a relação, como é clichê no meio das mulheres. Mas do ponto de vista masculino. Uma contra-revolução precisa ser iniciada nesse campo, que tem sido a vitória mais espetacular da revolução cultural marxista. Os meninos têm sido as vítimas preferenciais dessa degradação.

Vivemos sob a égide de Marcela, o personagem de Cervantes em Dom Quixote. O feminino que dispõe de si mesmo sem levar em conta a emoção dos homens que lhe amam, sejam os maridos, filhos ou mesmo pais. A conseqüência disso tudo é a tragédia que se desenvolve cotidianamente, com os rapazes exibindo modos de simulacro de feminino, nas vestes, nos adereços, no modo de andar e na forma de falar. Grotesco.

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