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Do despreparo politiqueiro de Silva Luján

30 de dezembro de 2009 - 6:23:08

A mais recente pisada em falso do ministro Silva Luján foi o desnecessário vazamento para a imprensa de um documento de segurança nacional que, de acordo com as normas e protocolos de contra-inteligência e segurança militar, tem classificação de
ULTRA-SECRETO, quer dizer, que só podem ter acesso a ele o presidente da República, o ministro da Defesa e os comandos militares comprometidos com sua execução, ou alguma comissão acidental do Congresso que esteja investigando algo a respeito.

Há alguns anos, quem vazasse um documento destes para os meios de comunicação ou ao potencial adversário, que neste momento é o megalômano governante venezuelano, era submetido a conselho verbal de guerra por traição à Pátria ou por fornecer informação ao inimigo. Porém, como diz o adágio popular: “aqui não acontece nada…”.

Com fins politiqueiros e egocentrismo populista, Santos publicou por meio de um amigo todos os pormenores da Operação Xeque. Romperam-se assim os códigos de segurança militar, colocou-se no pelourinho público os que executaram a operação e advertiu-se às FARC e seus sócios Lula, Chávez, Correa, Ortega e demais bandidos de colarinho branco, sobre qual é o modus opernandi das Forças Militares e qual é a forma do planejamento estratégico para as operações militares na Colômbia.

Desconhecedor absoluto dos protocolos de Estado-Maior, Contra-inteligência, Guerra Psicológica, etc., o senhor Silva Luján, impregnado de uma soberba e auto-suficiência meridianas, permitiu ou facilitou por inação, o vazamento de um documento-chave para a readequação do potencial bélico com o propósito de garantir a segurança nacional, ante a iminente agressão armada dos comunistas contra a Colômbia.

Sem dúvida, com este documento na mão o boquirroto inquilino do Palácio de Miraflores em Caracas terá mais argumentos para justificar a preparação de um ataque contra a Colômbia, e a busca de legitimar as FARC com status de beligerância sem rótulo de terroristas, propósito que é compartilhado pelo Partido Comunista Colombiano, o setor dos “comunistas chiques” do Polo Democrático, os “Colombianos pela Paz” que militam nas FARC mas que aparecem como pacifistas ante os olhos do mundo, e uns quantos idiotas funcionais como César Gaviria, Pardo Rueda, Daniel Samper, Mauricio Vargas e outros mais, que por estar pensando em tirar Uribe do caminho abrem as comportas para que as FARC e seus propagandistas agridam a Colômbia.

Ministro Silva, para que o senhor não caia no erro de seus antecessores (sem exceção) desde 1991 até esta data, e que entraram no cargo sem diferenciar um cabo de um general e saíram do mesmo sem entender muito de segurança e defesa nacional, sugerimos que comece a ler e estudar o livro intitulado “In Retrospect”, escrito por Roberto Mc Namara que, para seu conhecimento, de gerente da Ford passou a ocupar a pasta de Guerra dos Estados Unidos durante a época do Vietnã.

As confissões auto-críticas de Mc Namara serviriam ao senhor para que reflita, aterrisse, localize seus objetivos e entenda que o fato de ser gerente de um grêmio econômico não o converte nem em sabe-tudo, nem em expert em temas dos quais, pela lógica, o senhor é ignorante ou novato.

Em segundo lugar, leia, analise e entenda qual é o Plano Estratégico das FARC, leia todos os correios eletrônicos dos computadores de Raúl Reyes, consulte o livro “Cese al Fuego” escrito por Jacobo Arenas, faça uma análise pontual dos falidos processos de paz de diferentes governos com os grupos terroristas na Colômbia, avalie o que é que o Foro de São Paulo pretende e qual é o objetivo final, tanto do Movimento Continental Bolivariano quanto o dos mal chamados “Colombianos pela Paz”. Porém, além disso leia e digira os chamados documentos programáticos das FARC, que são vários.

Uma vez que tenha claro estes temas, adentre-se no conhecimento do estudo da guerra. Leia Clausewitz, Moltke, Mauricio de Turquia, Sun Tzu, Frederico, o Grande, Vauban. Não para usar duas ou três conhecidas frases desses estrategistas como tiques repetitivos, mas para que entenda o que é a estratégia e qual é a relação do poder civil com o militar, assim como quais são os alcances táticos e estratégicos de um adversário atual como as FARC ou de um em potencial, como a malta comunista sedenta de posicionar as FARC no poder na Colômbia.

Quando tiver compreendido os complexos inóspitos da variante geopolítica hemisférica, a estratégia nacional, a estratégia operacional, a segurança nacional, a defesa nacional, a mobilização de recursos, a alta logística e, em particular, o valor da contra-inteligência para evitar a espionagem contra os documentos, a sabotagem contra as instalações e as agressões armadas contra o pessoal que o senhor representa, nesse momento pode avaliar o que publica e o que não. Porém, sobretudo o que diz e o que não diz, para que não caia no imediatismo popularesco porque, lembre que a língua nunca foi boa companheira dos altos cargos, nem públicos nem privados.

Além disso, ministro Silva, o senhor é o representante político da maior empresa da Colômbia e, essencialmente, dos homens que neste momento histórico cumprem a missão de combater uma das mais graves interferências substanciais que a Segurança Nacional teve ao longo da vida republicana.

Tenha em conta que o sangue, o suor e o sacrifício desses homens que o senhor representa, são superiores às suas ambições politiqueiras pessoais e ao seu colombianíssimo desejo de figuração midiática permanente.

Ao menos por respeito aos contra-guerrilheiros e suas abnegadas famílias, seja mais discreto em seus desejos pessoais e mais veemente em seu serviço à Colômbia. Não esqueça que somos os colombianos que pagamos impostos quem arrecadamos tributos para pagar seu salário, com a finalidade de que, do seu cargo, o senhor dirija a estratégia de defesa nacional e não para que faça politicagem brega a seu favor.

Os segredos de Estado não se revelam, muito menos quando se trata de planos de contingência para fazer face a uma agressão de um vizinho. Os planos militares se preparam e se praticam no terreno, porém não se revelam. Faça como os dirigentes técnicos das equipes de futebol antes de cada partida. Treine de portas fechadas e não revele qual vai ser a disposição tática no terreno.

Dado que o que está em jogo é o prolongamento do Estado de Direito e a liberdade dos colombianos, sob pena de cair nas garras dos cúmplices das FARC, oriente os esforços do seu trabalho para a eficiência militar, administrativa e operacional, não para elevar mais seu ego sideral, pois o senhor e todos os funcionários públicos são e serão passageiros. O que deve prevalecer é a institucionalidade. Portanto, a obrigação de quem ocupa um cargo é enriquecer esse projeto.

Reflita em torno da frase do general Rafael Reyes: “Mais administração e menos política”… menos politicagem, diria qualquer pessoa sensata.

PS: Oxalá que o vazamento desse documento não tenha sido “pelas suas costas”…

 

* Analista de assuntos estratégicos – www.luisvillamarin.com

Fonte: www.eltiempo.com

Tradução: Graça Salgueiro

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