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Editorial farisaico do Estadão

18 de julho de 2009 - 19:55:55

Por conta disso, o Estadão tem gerado manchetes diárias de escândalos atrás de escândalos, envolvendo Ribamar Sarney. Sempre dá primeiro, sempre ataca, é o destino final das ações fos arapongas do PT dentro do Senado. O editorial de hoje (16) (
“A captura de uma instituição”) destoou um pouco, pois aparentemente faz uma crítica ao governo Lula. Mas apenas aparentemente, pois o alvo é mesmo malhar o Judas, isto é, Ribamar Sarney. Vejamos o texto: “O escândalo dos escândalos é a transformação do Senado da República em repartição do governo Lula. A captura da instituição tornou-se a meta principal, nas relações com o Legislativo, de um presidente escaldado pela única derrota séria que a Casa lhe infligiu, ao derrubar a prorrogação da CPMF, em dezembro de 2007, e obcecado em remover do Congresso o menor obstáculo ao programa de aceleração do crescimento da candidatura Dilma Rousseff – a “sucessora”, como não se peja de proclamar, indiferente ao prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para o início da campanha”.

Quem lê desavisado vai achar que o Estadão está acima da disputa. O editorial rememora a questão da CPMF, não como uma vitória da cidadania brasileira, mas como uma derrota de Lula. Na seqüência, coloca o fantasma de Sarney atrapalhar o PAC, esse monstrengo elegido para dar a Lula a marca que todo governo esquerdista tem que ter, um “plano”, mesmo que seja uma enorme colcha de retalho com todas as obras que estejam em execução. Ora, o fato real é que Sarney encarna o obstáculo à re-reeleição de Lula. Sarney tem todos os defeitos e provavelmente cometeu todos os pecados políticos que um político da sua laia pode vir a cometer, mas esse, de apoiar o terceiro mandato, parece que ele não cometeu. De fato, Sarney “melou” o plano de Lula de se perpetuar no poder e a sua simples presença na presidência do Senado tornou-se uma garantia de que o continuísmo, seja lá por que método for, não passará. Talvez o PT tenha alguma carta na manga nesse sentido, daí a urgência com que tem levado a efeito a operação de caça (e cassa) ao Sarney. Por conta disso, começo a achar que os democratas desse país precisam defender o velho Ribamar da maré vermelha que está subindo, a fim de afogá-lo. E, com ele, o que resta da nossa democracia.

Contraditoriamente, o editorialista, talvez para dar um mínimo de coerência do seu discurso ao público leitor, escreveu: “Para tutelar o Senado, o Planalto não precisou recorrer a um meio tão rudimentar como foi o mensalão na Câmara. Bastou acertar-se com as suas caciquias – as dos Sarneys, Calheiros, Jucás, em suma, a escolada primeira divisão dos profissionais do PMDB – e o resto, previsivelmente, veio por gravidade. Rudimentar, isso sim, é a forma como o esquema aplasta não só a desvitalizada oposição, no curso daquilo que na linguagem política é o “jogo jogado”, mas qualquer entendimento entre os blocos partidários que contenha ao menos um semblante de respeito ao direito da minoria na Casa outrora chamada Câmara Alta. A tática da terra arrasada funcionou a pleno vapor no deplorável espetáculo da instalação da CPI da Petrobrás, anteontem, passados dois meses da sua criação. Com a leonina vantagem de 8 cadeiras a 3 no colegiado, a maioria impôs os nomes que desde a primeira hora Lula queria ver na presidência (o seu fraternal amigo petista João Pedro) e na relatoria do inquérito (o ex-ministro e líder do governo Romero Jucá)”. Em sendo assim, o editorial deveria dar foco à relação corruptora do governo Lula com o Congresso. O fato é que só uns poucos senadores, Sarney incluso, separam o PT do poder total, inclusive aquele da re-reeleição. Não é o Senado que está podre, apenas, é toda a estrutura de poder no Brasil que apodreceu. O fedor é muito maior na esfera do poder Executivo, algo que o editorialista não aponta. Credito ao Senado o mérito de não deixar o PT se transformar em um instrumento ditatorial, como vimos Chávez fazer com o Congresso da Venezuela.

Por isso, pôde o editorial concluir: “A sessão em que se instalou a CPI foi dirigida e sumariamente encerrada pelo decano da Casa, o peemedebista Paulo Duque, de 81 anos. Ele era o candidato do líder do partido, Renan Calheiros – outro sustentáculo de Lula -, para presidente do Conselho de Ética que já recebeu três representações contra Sarney por quebra de decoro. Duque espelhou à perfeição a esqualidez moral deste Senado jungido pelo lulismo ao dizer que “ficar vasculhando a vida dele é bobagem”. Renan é obstáculo a Lula no que ele tem de continuista, apenas. De resto, tem feito tudo que o PT manda, como aliás também o fez Ribamar Sarney. Que Renan se cuide, pode ser o próximo da fila a ser objeto da campanha farisaica do Estadão, o moralismo de fachada que persegue implacavelmente os inimigos do PT.

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