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E se Hobbes visitasse Bissau?

4 de abril de 2009 - 2:48:02

 

Não, trata-se de um problema político mais profundo.

 

O catálogo local de golpes, ligações ao narcotráfico e traições políticas não deve aprisionar o pensamento num “paroquialismo” empobrecedor.

 

É necessário descer para aí uns três séculos e tentar compreender como se contrói a estabilidade num país. Medir, enfim, a distância entre o estado da natureza e o Estado.

Huntington, num livro esquecido de 1968 (A ordem política nas sociedades em mudança), criticando Kwame Nkrumah, tocara no aspecto decisivo: ao contrário da suposição romântica, o “bom governo” não é descoberto.

 

Este fora, aliás, o grande equívoco de um certo nacionalismo autoritário, com o seu rendilhado burocrático que entravava, em larga medida, o investimento estrangeiro e a redução do desemprego.

 

O “reino político” é construído e não achado.

 

Na Europa, a partir da paz de Westefália (1648), a atenção dos estadistas e homens públicos mais esclarecidos voltou-se, justamente, para o difícil problema da “construção de Estados”. Uma rica tradição filosófica formou-se neste domínio.

 

A guerra não é necessariamente um mal africano. O “fetichismo” mediático é insustentável. De Thomas Hobbes a Clausewitz, ela atormentou a consciência crítica e mobilizou, num gesto de cidadania, os “antídotos” necessários. Combate-se pela guerra; combate-se também pela paz. Trata-se de uma opção fundamental dos povos e das suas elites.

Em África, mais de trinta anos após as independências, discute-se sobretudo a “ajuda” externa. As instituições, as verdadeiras fundações da prosperidade, são esquecidas.

Acredita-se, por isso, num “príncipe” qualquer ao virar da esquina. Hum!, a boa fé das nações…

 

Em África confia-se, antes de tudo, na magia dos políticos.

 

Quando é que se discutirá a política?

 


(1) A sociedade civil é um fenómeno extraordinário: é o patamar de exigência em que aquele que possui a “espada” se submete ao cidadão desarmado. Para mais informações, ver Ernest Gellner, Conditions of liberty: civil society and its rivals, Penguin Books, 1996.

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