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Esquerda e terror, um caso de amor

12 de março de 2010 - 19:58:46

A estratégia de mostrar as FARC como um ator “patriótico” e “anti-imperialista”, que não deve ser combatido senão que, ao contrário, deve ser convidado a “dialogar” e a aceitar “compromissos” de governo, cobra força de novo. O impulso vem, uma vez mais, das ditaduras da Venezuela e de Cuba. Porém não só delas. Partidos extremistas europeus e partidos comunistas da América Latina, disfarçados agora em MCB (Movimento Continental Bolivariano), estão totalmente metidos nisso. O documentário de propaganda
“As FARC: Insurgência do século XXI” foi concebido e realizado por gente do PC argentino. A biblioteca “Manuel Marulanda Vélez” foi montada com o patrocínio do Ministério da Cultura da Venezuela.

A isso somam-se outros sinais na Colômbia: alguns candidatos à Câmara de Representantes por Huila pedem que se abandone a política de Segurança Democrática; um candidato presidencial deixa ver que lhe agradaria dialogar sobre paz com as FARC; outro, lamenta-se pela não apresentação de desculpas de Bogotá pelo bombardeio de um acampamento das FARC no Equador. Outros sugerem que Bogotá entregue os computadores de Raúl Reyes a Rafael Correa.

Essa turva e bem financiada aliança entre ditaduras abjetas e movimentos políticos que dizem encarnar a “esquerda democrática”, já está à frente de várias operações muito sujas nas quais se está misturando de tudo: desde grupos islamitas violentos e ativistas do “socialismo do século XXI”, até traficantes de armas, heroína e cocaína.

Ao mesmo tempo, coalizões ainda mais ofensivas e secretas, como a que um juiz espanhol acaba de revelar entre o ETA e as FARC, que estariam preparando desde a Venezuela atentados contra personalidades colombianas na Espanha, inclusive o presidente Álvaro Uribe, mostra que o “socialismo do século XXI” é um animal com dezenas de braços e que está embarcado em uma vasta ação internacional, a qual só pode ser confrontada com ação diplomática, militar, policial e de segurança da Colômbia, em aliança com outros países democráticos.

Vejamos o que ocorreu há alguns dias na Alemanha e o paralelismo que há com a Colômbia.

Em 26 de fevereiro passado, os 76 deputados de Die Linke, o partido da extrema esquerda pós-comunista, foram expulsos em bloco de uma sessão do Bundestag na qual se discutia o tema do Afeganistão. A deputada de Die Linke, Christine Buchholz, que acabava de chegar do Afeganistão, e os membros de seu grupo, levantaram faixas e cartazes, e acusaram o exército alemão de haver matado civis em um bombardeio de setembro em Kunduz. Em vista disso, o democrata-cristão Norbert Lammert, Presidente do Bundestag, os expulsou (depois os convidou a votar a moção que se discutia). Assim, por 429 votos a favor e 111 contra, com 46 abstenções do Partido Verde e com o apoio da oposição social-democrata, foi aprovado o envio de 850 soldados mais ao Afeganistão, o que eleva o contingente alemão a 5.350 soldados.

O interessante é que Die Linke nesse dia tentou lavar de novo a cara da Al-Qaeda e dos talibãs. Die Linke declarou ali que a chamada “insurgência” do Afeganistão é “legítima”, pois tem “apoio popular” e é “parte da população”. Baseados nessa cínica impostura os extremistas alemães propõem a retirada da Alemanha do Afeganistão, pois o combate contra a Al-Qaeda e os talibãs, dizem, é “uma luta contra o povo”.

Die Linke é dos que querem retirar as FARC da lista européia de organizações terroristas e a que apregoa que o governo da Colômbia é uma ditadura. São os mesmos que descartam que o regime de Hugo Chávez tenha laços com o ETA, as FARC e o terrorismo islâmico.

O que Die Linke faz a respeito do exército alemão tem muita semelhança com o que o Polo Democrático faz a respeito do exército colombiano. Die Linke acusa a Bundeswehr de cometer crimes no Afeganistão. Ao mesmo tempo, se esforça, em Berlim, para amarrar-lhe as mãos e deixá-lo indefeso ante o fogo dos talibãs. O jornal Le Figaro explicou em 1º de março passado que os soldados alemães no Afeganistão “só têm direito de disparar para se defender” e não podem participar de operações ofensivas, pois o Bundestag, onde os deputados de Die Linke e os Verdes são muito ativos, “só deu ao exército alemão um mandato de ‘estabilização’ e de ‘reconstrução’ do Afeganistão”.

Por causa disso, a segurança do norte do Afeganistão, onde os alemães patrulham, se degradou. “O que necessitamos aqui são soldados que empreendam ofensivas para eliminar os talibãs, coisa que os alemães não querem fazer. Eles estão sempre na defensiva. Suas réplicas não são fortes e isso redobra a moral dos insurgentes”, queixou-se Mohammad Omar, governador de Kunduz, ante o matutino francês. O novo ministro de Defesa alemão, Karl Guttemberg, trata de esquivar essas críticas. Ele quer criar no Afeganistão uma geração de oficiais com experiência de combate, capaz de cumprir a missão confiada à Bundeswehr. Entretanto, os politiqueiros em Berlim se opõem. “Eles negam-se a admitir que aqui há uma guerra e isso desmoraliza meus homens”, declarou um jovem capitão alemão a Le Figaro. Jan F., um tenente de 26 anos, acrescentou: “Posso lhe afirmar que aqui há uma guerra, um conflito sem linhas de frente claramente definidas, uma verdadeira porcaria”.

Que diferença há entre isso e o que ocorre na Colômbia com os chamados “falsos positivos”, planejados para minar o moral das tropas que fazem frente às FARC? Nenhuma! Que diferença entre os infames processos sobre o papel do Exército no resgate dos reféns do Palácio da Justiça em 1985? Nenhuma! Os chefes do Polo, como seus êmulos de Die Linke, tratam de amarrar as mãos dos militares que estão sob o fogo cruzado dos terroristas. Obcecadas pela luta anti-capitalista e em destruir as sociedades onde vivem, as duas correntes querem abolir a capacidade de combate dos que estão na primeira linha de fogo em defesa da democracia. A covardia que o governo de Zapatero mostrou ante as revelações do juiz Eloy Velasco, mostra que a esquerda espanhola não pode fazer coisa diferente, como Die Linke e seus êmulos latino-americanos, do que se ajoelhar ante o terrorismo.

Título original: De Berlim a Madri, a esquerda ajoelhada ante o terrorismo

Tradução: Graça Salgueiro

 

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