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Estadão comenta Confecom

15 de dezembro de 2009 - 20:36:06

Controle social da mídia é um eufemismo para expressão do afã de controlar o conteúdo e os meios de comunicação. Se depender dos atores que compõem a COFECOM a liberdade de imprensa como a conhecemos vai desaparecer, ficando no seu lugar os
press release dos agentes revolucionários. É o totalitarismo com todas as letras.

Por isso que insistem tanto na tese de que a comunicação é um “direito”, porque assim definido cria-se a ponte para politizar a produção de notícias e expropriar os meios de comunicação. Obviamente que comunicação não é um direito especial e o mercado tem atendido sua demanda. A crítica que se pode fazer aos provedores de conteúdo é que eles estão sob controle dos agentes gramscianos. Por esse caminho seu conteúdo já está integralmente comprometido com a causa dos revolucionários. Para eles, todavia, esse controle não é suficiente. Querem tudo, a propriedade e a administração, não basta o controle ideológico da redação, sempre visto como uma etapa do processo, que agora deve ser superado.

Da mesma forma, o bordão da “inclusão digital” serve de biombo para justificar a intervenção direta do Estado na produção dos serviços de infra-estrutura. Claro, implícito está o enorme subsídio para viabilizar a oferta dos serviços nas regiões que não dispõem de prévias externalidades e nem de economias de escala. Mas, isso, é mero detalhe. Passa-se a impressão de que o setor privado não supre adequadamente os serviços por deliberação maléfica.

Interessante é que a visão de Lula e dos partícipes da CONFECOM é que a recusa dos produtores de conteúdo de compactuarem com o grande circo é um “boicote” e se portam como se fossem vítimas. Ora, são os veículos que são as vítimas, pois a Conferência foi chamada justamente para transformar o negócio de produção de notícias em uma atividade integralmente sob o controle dos agentes partidários e governamentais. Podemos dizer que o silêncio dos órgãos de imprensa é uma posição de defesa, embora eu entenda que o gesto é insuficiente em face das ameaças econômicas e políticas que pairam sobre o setor. As CONFECOM terá desdobramentos práticos imprevisíveis e permitirá o avanço das teses revolucionárias sobre o sistema jurídico que regula o setor.

A essa altura deveria estar nas ruas campanha de mobilização em defesa do livre mercado e a própria denúncia da CONFECOM como um mecanismo de se instituir a ditadura nos meios de comunicação, prelúdio do totalitarismo institucional. Penso que não será possível nenhum meio termo, nenhuma composição. Os revolucionários estão muito ciosos de seu poder de esmagar o setor privado e pretendem levar suas idéias à últimas conseqüências. Os empresários do setor não terão alternativa que não faz oposição aberta ao regime político. Quanto mais tarda essa oposição ativa, maiores serão os perigos, pois os inimigos da liberdade de informação se sentirão mais fortes para realizar sua ação deletéria.

A matéria sintética do Estadão foi muito feliz ao resumir o mote principal da CONFECOM. Queira-se ou não duas visões de mundo disputam o espaço de poder e o futuro do Brasil. Os que defendem a sociedade aberta precisam agir.

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