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Estadão conivente com a política externa

26 de abril de 2009 - 0:16:16

Evidente que haveria de ter um editorial criticando duramente as posições do governo brasileiro, por ação e omissão, na formulação dessa política. Ao contrário, o editorial camufla a necessidade dessa critica ao apresentar a não retirada do ministro brasileiro do recinto da ONU, em Genebra, quando o presidente iraniano destilou seu ódio a Israel e aos judeus, a uma mera decisão pessoal e não a uma decisão de governo. Ora, bem sabemos que, com as modernas comunicações, não há mais esse poder deliberativo dos representantes.

No episódio relatado o “Estadão” isenta completamente o governo Lula: “Pois uma coisa são os seus representantes se retirarem do recinto em repúdio às torpezas de Ahmadinejad – infelizmente o delegado brasileiro, o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, achou que dava no mesmo ficar, mas não aplaudir o orador -, outra coisa é boicotar o evento”. Veja-se o viés governista do editorialista aqui. O governo faz e o ministro leva a fama.

Não bastasse isso, o texto fecha com a defesa explícita da política em curso: “Para o Brasil, o destampatório de Ahmadinejad tem outro aspecto. Em duas semanas ele desembarcará em Brasília para uma aparatosa visita. Na terça-feira o Itamaraty condenou o seu discurso. ‘O governo brasileiro considera que manifestações dessa natureza prejudicam o clima de diálogo e entendimento necessário no tratamento internacional da questão da discriminação.’ A nota esclarece ainda que esse ponto de vista será transmitido pessoalmente pelo presidente Lula ao presidente iraniano. Outra coisa não se podia esperar do governo de um país que apóia a solução dos dois Estados para o conflito israelense-palestino e de seu presidente, que não perde ocasião de manifestar sua aversão pessoal a todo tipo de racismo“.

Era o caso de o Brasil desconvidar o iraniano nazista a não vir por aqui, se não por outro motivo em respeito à verdade histórica e à grande comunidade judaica que aqui reside. A pusilânime nota condenatória como que imunizou o governo à crítica do jornal, num passe de mágica. Ainda uma vez vemos que a ideologia supera a razão na política de Estado e a nossa grande imprensa se mantém impávida diante do perigo, como se nada de especial estivesse acontecendo.

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