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Estadão: militância petista implacável

24 de julho de 2009 - 20:31:23

O ponto é que ninguém informado na opinião pública ignorará que as coisas, de fato, em nossa política, se passam assim. O que o Estadão quer é aquilo que os corifeus do PT querem: que Sarney se desincumba da Presidência do Senado, pois lá ele está atrapalhando os projetos estratégicos do partido governante, a começar pela definição da equação sucessória, seja qual for o desejo real de Lula e do PT. Até agora ninguém, nem mesmo o Estadão, pediu a renúncia ao mandato ou a cassação. O foco é tirar Sarney do posto onde ele atrapalha. O Estadão não quer, e nunca quis, servir de pedagogo para que boas práticas políticas prevaleçam.

O jornal paulista usa duplamente da má fé. Primeiro, por esconder, por detrás do farisaísmo moralista, o moto real de sua campanha, que é tirar o velho coronel Ribamar do Maranhão de onde ele está. Segundo, por não revelar que o atual partido governante é ainda pior do que Sarney e toda a malta patrimonialista que tem governado este país. Os patrimonialistas sempre quiseram “se arrumar“, para usar a consagrada expressão cunhada pelo genial Chico Anísio. Os petistas querem muito mais, querem se perpetuar no poder à moda de Chávez, querem colocar o Brasil integralmente na agenda globalista da esquerda internacional.

Claro que o Estadão se esqueceu de dizer no editorial que a fonte dos diálogos divulgados são gravações que estavam sob a guarda de segredo de Justiça, o que fere não apenas a lei, como também os direitos individuais das pessoas arroladas no processo, incluindo o coronel Ribamar. Ainda uma vez a Polícia Federal foi usada como gerdame do partido governante, uma prática muito perigosa para as instituições democráticas.

Se o patrimonialismo é uma prática política deletéria, mais é ainda aquela que o partido governante tem feito e que não levanta suspeita alguma do editorialista, até porque tudo leva a crer que o jornal está mancomunado com seus interesses inconfessos dessa gente. Malhar o velho Sarney ficou muito fácil, sobretudo depois de ter sua privacidade telefônica, uma conversa com a própria neta, gravada. O golpe foi mortal. Não sei se mesmo Sarney agüentará a pressão que o fato está colocando na opinião pública.

Pelo andar da carruagem, a tática usada pelo velho Ribamar, de tentar administrar nos bastidores, não está funcionando, pois o inimigo é de outro calibre, tem outro ímpeto. Revolucionários sabem muito bem o que querem e não medem os meios para alcançar os objetivos. Sarney terá que ir para o revide, se quiser sobreviver não apenas no cargo, como também na vida política. Lula não é FHC e o PT não é o PSDB. É ver o que está sendo feito na Venezuela e em Honduras e em toda parte que gente da laia petista chegou ao poder. Nunca se esqueça, caro leitor, que apenas uns poucos votos no Senado, entre eles o de José Sarney, separam o PT do seu projeto político continuísta, em rumo do poder total. Eu realmente espero que Sarney não seja derrotado desta vez. É o melhor para o Brasil.

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