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Gloria Cuartas e a “traição à pátria”

1 de dezembro de 2009 - 5:10:35

Gloria Cuartas e o Partido Comunista Colombiano, dirigentes do Polo Democrático e de alguns grupúsculos chavistas por sua vez, não deixam de lamentar esse desmoronamento. No fundo, eles continuam esperando fazer da Colômbia e da Venezuela um ressurgimento disso, um inferno socialista, sem liberdades, sem economia e sem futuro.

Por estes dias celebra-se em todas as partes o 20º aniversário da queda do muro de Berlim. Gloria Cuartas, que fala de “soberania nacional”, esquece que a RDA estava ocupada por 300.000 soldados soviéticos, quer dizer, que esse país não tinha rastro algum de soberania nacional.

Gloria Cuartas e seus amigos, que falam de “traição à pátria”, esquecem que Raúl Reyes foi formado na RDA para que regressasse à Colômbia a fim de aperfeiçoar a maquinaria para matar colombianos. Ela e seu “coletivo Las Polas”, que dizem se preocupar com “a violência política contra as mulheres”, escondem o que ocorreu em 17 de junho de 1953 em Berlim Oriental, quando o levantamento popular contra o regime comunista foi arrasado pelos blindados soviéticos. Entre as centenas de manifestantes que morreram nas ruas havia dezenas de mulheres. Ademais, não sabem que os tribunais comunistas ordenaram fuzilar 20 grevistas presos nessa jornada de luta?

Gloria Cuartas e seus amigos não protestaram jamais por isso, nem protestaram em 1961 quando Kruschev ordenou a construção do muro de Berlim.

Eles querem que os colombianos esqueçam o que ocorria nas sociedades que os soviéticos subjugaram. Querem que ignoremos que entre outubro de 1949 e 13 de agosto de 1961, data da construção do infame muro, 3.5 milhões de alemães fugiram para o Ocidente pois não podiam suportar esse Estado “de operários e camponeses”, onde os camponeses haviam perdido suas terras, os médicos e engenheiros deviam se converter em funcionários e onde os mestres perdiam seus empregos por não serem comunistas. Querem que esqueçamos que entre 1949 e 1989, 200.000 pessoas foram encarceradas na RDA por motivos políticos, que entre 1961 e 1983, perto de 1.200 pessoas morreram tentando cruzar o muro de Berlim.

Aos ativistas que Gloria Cuartas capitaneia, doentes de anti-uribismo, teria que lembrar-lhes o que foi a RDA, para falar só de um dos regimes totalitários que eles tanto admiram. Lembrar-lhes que a STASI, a polícia política da Alemanha do Leste criada sob o modelo da Tcheca soviética e da Gestapo alemã, chegou a ter até outubro de 1989, ao final do governo de Erick Honecker, 91.000 agentes permanentes e 61.000 mais ocasionais para vigiar diariamente os atos e gestos mais íntimos dos 17 milhões de habitantes desse pobre país.

Que a população da RDA, sobretudo os funcionários, os intelectuais, os jovens trabalhadores, as igrejas, as universidades, eram espionados pelo governo. A STASI podia interceptar as conversações telefônicas que queria e pôr os microfones que queria e onde queria. Esse ministério, encarregado de defender o Partido Socialista Unificado (o partido comunista) e de combater os “inimigos do socialismo”, como diziam seus estatutos, podia assinar ordens de captura sem passar pelo gabinete de um juiz e abria, diariamente, 90.000 cartas privadas. Essa polícia conseguiu redigir seis milhões de processos individuais e tirar um milhão e meio de fotos de suas vítimas. Tudo isso pode ser consultado e dois milhões e meio de alemães o consultaram.

“Las Polas”, as Piedades e as Glorias querem que esqueçamos que as técnicas de repressão mais ferozes foram utilizadas ali, sobretudo no primeiro período da RDA: desde as torturas e os fuzilamentos clandestinos, até os métodos mais sofisticados de tortura psicológica para destruir a personalidade dos detidos, mediante drogas, intimidações, humilhações e a privação do sono. A STASI e todo esse arcabouço criminoso foi derrubado pois o PSU estava minado por dentro.

Os que gritam contra a Colômbia sabem de tudo isso e sonham em aplicar esses métodos e construir esse tipo de sociedade policialesca, porém se resguardam de dizê-lo a seus seguidores e eleitores. Sabem que o acordo militar com os Estados Unidos é um obstáculo a mais a seus belos planos. Por isso inventam histórias. Cada vez que essa gente se atreva a falar de “soberania nacional” e de “traição à pátria” é necessário confrontá-los com suas mentiras e com sua memória cheia de culpa.

Tradução: Graça Salgueiro

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