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Guerra psicológica e desinformadores profissionais

9 de junho de 2009 - 6:30:59

Lendo assim, sem qualquer juízo preconcebido, espera-se uma análise política da realidade cruenta que a Colômbia tem enfrentado há 45 anos, que aponte e denuncie os incontáveis crimes cometidos por este bando terrorista de forma isenta, clara e profissional. Mas não foi nada disso o que se viu. Apesar de no discurso Morris afirmar que deseja a paz na Colômbia e que seu programa pretendia “apontar caminhos” para tal, que estava comprometido com a verdade, se de fato ele quisesse mostrar ao mundo as dificuldades em terminar esta guerra insana teria também ouvido – e entrevistado – pessoas do Governo, militares, policiais e não apenas os terroristas e seus apoiadores.

Assistindo ao programa, desde o início tive a sensação de estar vendo uma peça de teatro representada por charlatães, artistas amadores de quinta categoria, e no decorrer da apresentação me veio à lembrança uma película que seguia no mesmo diapasão e que, como esta, fora feita sob encomenda. Refiro-me a “Tiros em Columbine”, do não menos picareta comunista Michael Moore, lembram-se?

O programa era narrado por Morris enquanto mostrava cenas dos casarios destruídos, da população aflita e temerosa de novos ataques das FARC, mas o discurso acusava o presidente Uribe de ser “intransigente”, os militares e policiais de violentos, truculentos e que impunham medo à população. Morris, narcisista ao extremo, gravava esta narrativa diante de um espelho. Sem comentários…

Em uma das cenas ele aponta uma escola completamente crivada de balas, enquanto um morador informa que as Forças de Segurança fizeram daquele local de ensino sua trincheira. Horror dos horrores, critica Morris, mas não lembra de um ataque feito pelas FARC anos atrás, num estabelecimento igual a este, só que cheio de crianças, adolescentes e professores que nada tinham a ver com a guerra, tampouco aquele recinto era “alvo militar” ou símbolo da “burguesia”, como foi rotulado o clube El Nogal, destruído por este bando terrorista e que deixou centenas de vítimas.

Em outro bloco Morris acompanha agentes da polícia que vão tentar descobrir um corpo enterrado no meio da selva, que um rapaz dizia ter visto tempos atrás e que julgava ser seu sogro desaparecido há 4 anos. Encontrado o corpo e desenterrado, o rapaz confirma a identidade do morto. Pelo estado dos ossos da perna bastante quebrados, os policiais dizem que este senhor pode ter sido vítima das minas “quebra pé”, uma das armas preferidas pelas FARC para atingir o povo que dizem defender. Mas Morris assistiu a tudo calado, afinal, não podia defender o indefensável.

Grande parte do programa mostrou a palhaçada que foi a entrega de três militares e um policial “unilateralmente” pelas FARC, e que foi intermediado pela embaixadora do bando terrorista, Piedad Córdoba, que atende no meio da guerrilha com a alcunha de “Teodora Bolívar”. Aquela filmagem já era velha conhecida, pois assisti no dia mesmo em que o fato ocorreu e tenho o vídeo. Na maior camaradagem, Teodora Bolívar beija e abraça o “comandante Mosquera” que se diz muito feliz por reencontrá-la. Morris faz questão de endossar a farsa plantada pelas FARC de que a demora na entrega das vítimas se deu “por interferência das Forças de Segurança” e a “má vontade de Uribe”, quando isto nunca existiu e ficou provado. Destaca ainda a cena ensaiada – e mal interpretada – pela farsante Teodora, que acusa o presidente Uribe pelas dificuldades em realizar a entrega dos seqüestrados, dá um tapa no braço da cadeira e joga a bolsa com força no colo.

Este bloco é longo e apenas dá espaço e voz para as FARC pregarem sua mentira de que desejam a paz, que a única saída é o “acordo humanitário”, e que é o governo, e não eles, o culpado pelas mortes e seqüestros na Colômbia. É a impostura no lugar dos fatos, é a mentira no lugar da informação veraz que Morris aplaude e defende.

Em outro seguimento, Morris denuncia que a Procuradoria pede seus documentos e verifica seu material de trabalho, retendo-os até que se confirme que de fato ele e sua equipe faziam uma filmagem jornalística. Nesse momento mostra-se um pronunciamento do presidente Uribe que repreende os jornalistas que alegam fazer a cobertura do conflito, mas que na realidade estão fazendo propaganda das FARC. As únicas imagens que aparecem de Uribe ou alguém das Forças de Segurança, são em momentos contraditórios com o discurso de Morris, de modo a que pareça que ele fala a verdade e o governo mente descaradamente.

Quando enfim são liberados, Morris, teatralmente recitando na frente do espelho (cenas patéticas, diga-se de passagem!), se queixa de que há 15 anos faz cobertura de conflitos na América Latina, que era uma afronta ser acusado de colaborar com as FARC e que aquele contato era puramente “profissional” e “ocasional”. Entretanto, no excelente artigo intitulado Segundas intensiones escrito por Luisa Perez em 01 de junho, a autora prova que as relações do jornalista Holman Morris com as FARC vão muito além do exercício profissional e da mera casualidade. Muito ao contrário, dentre os achados nos computadores de Raúl Reyes há uma mensagem enviada por Morris ao terrorista abatido ano passado, que demonstra não só conhecer bem o bando como ter até intimidade para fazer-lhe sugestões. Leiam o que dizia a mensagem:

“Pensemos e estudemos a possibilidade de elaborar um bom documentário sobre o tema da permuta. Eu tenho alguns contatos que desde já me disseram que o colocariam nos primeiros canais de sintonia de toda a Europa com um bom desdobramento publicitário. Lembre que nos momentos de crise basta um bom filme, uma boa imagem, ou um bom documentário para virar a cabeça da frágil opinião pública para apregoar acordos e pedir verdades”.

Portanto, o tal documentário exibido por “History Channel” foi planejado há tempo, com a clara intenção de dar publicidade e propagar a mentira mais torpe de que esses monstros psicopatas são um “grupo insurgente”, que os seqüestrados são “prisioneiros de guerra” e que o que existe na Colômbia é “terrorismo de Estado“. É uma lástima e uma vergonha que o mundo esteja repleto de “companheiros de viagem” disfarçados de jornalistas, pois isto que eles fazem não é jornalismo mas crime; é desinformação profissional e gente deste tipo é tão psicopata e mau quanto os que massacram populações, estupram, seqüestram, mantêm em cárcere privado, assassinam, esquartejam pessoas e traficam cocaína, como as FARC e o ELN. E se depender do apoio de jornalistas como esse, o fim da FARC está muito distante…

Para conhecerem melhor Holman Morris leiam (ou releiam) este artigo do Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido, publicado por Mídia Sem Máscara, pois ele é muito esclarecedor e complementar a isto que denuncio aqui.

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