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Hamas, Fatah e a estratégia da tesoura

22 de março de 2009 - 4:47:12

Este o resumo da história oficial. Mas, uma pergunta que se impõe no momento em que voltam a haver negociações para o retorno ao governo unificado – inclusive com a anunciada renúncia de Fayyad tão logo se forme o novo governo ou, o mais tardar, em fins de março. Será real esta divisão ou é apenas uma ação diversionista, uma maskirovska, para permitir o fluxo para o Hamas de ajuda econômica proveniente da União Européia e dos EUA e permitir a ação “pacificadora” da ONU através da United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East (UNRWA)? É claro que negar ajuda ao sanguinário Hamas e prestá-la aos “pacíficos” do Fatah permite estes três mosqueteiros hipócritas não sujarem suas mãos e serem acusados de ajudar terroristas.

Ao anunciar o envio de 5.2 bilhões de dólares à Palestina (genericamente) Hillary Clinton declarou que havia trabalhado com a Autoridade Palestina (AP) no sentido de estabelecer salvaguardas de que tais fundos não terminarão por ser usados por “mãos erradas”. Hillary não citou explicitamente que mãos seriam estas, deixando à imaginação de cada um que seriam as do Hamas. Mas não há nenhuma segurança que esta não tenha sido exatamente a intenção do governo Obama. É preciso levar em consideração que Charles W. Freeman, nomeado por Obama para Chairman do National Intelligence Council foi Embaixador na Arábia Saudita (1989-92) e nos últimos 12 anos presidiu o Middle East Policy Council (MEPC) financiado pela Arábia Saudita e diversos lobbies do mundo árabe e ainda mantém laços com a família Bin Laden e o Binladen Group. Freeman renunciou antes de assumir por ter denunciado os lobbies judeus no Congresso americano e a “brutal opressão dos palestinos pela ocupação israelense”. A renúncia pode ser creditada à pronta denúncia de Steven J. Rosen, do Middle East Forum, no artigo Alarming appointment at the CIA (http://www.meforum.org/blog/obama-mideast-monitor/2009/02/alarming-appointment-at-the-cia.html). Dependendo de Obama ele estaria lá.

Desde os acordos de Oslo, segundo a Funding for Peace Coalition, a AP recebeu entre 14 e 20 bilhões de dólares. O total exato é impossível de determinar. Tomando em consideração o número menor significaria 1 bilhão/ano, ou US$ 4,000 por pessoa, uma quantia inimaginável em qualquer outro programa de ajuda, incluindo Darfur e as vítimas do Tsunami (5 bilhões para 5 milhões de vítimas). Deste total algo como 2 bilhões vieram da USAID, que agora contribuirá com mais 5.2 e só nesta última leva serão mais US$ 1,300 (Darfur, muito mais miserável: $100/pessoa) (http://www.parliament.uk/documents/upload/C.102%20FPC%20March%202007.pdf).

O próprio Fayyad, afirmando que é virtualmente impossível controlar as finanças palestinas, desviou ele mesmo para Gaza 21.5 bilhões enviados por Israel para a AP.

Em janeiro de 2008 Fayyad declarou que doaria ao Hamas 40% (3.1 bilhões) dos 7.4 provenientes de doadores internacionais. Em outubro, apesar dos ataques do Hamas ao Fatah em Gaza, por terem “colaborado com Israel”, a AP estava pagando os salários de 77.000 “funcionários leais”, embora antes disto só existissem 21.000. Até o final atuais negociações entre o Hamas e Abbas bilhões de dólares irão para o Hamas, que continua – e continuará! – a clamar pelo fim do Estado de Israel. Como a situação econômica continua miserável, para onde vai tanto dinheiro? Segundo relatório do World Bank (id): corrupção, malversação financeira e apoio à violência. Alguém duvida que a maior parte servirá para comprar novos armamentos para o Hamas, via contribuições ao “pacífico” Fatah? Só muita ingenuidade ou hipocrisia!

NOTA DO AUTOR: os dados sem citação específica foram retirados do artigo da Dra. Rachel Ehrenfeld Misery Pays, no Huffington Post (http://www.huffingtonpost.com/dr-rachel-ehrenfeld/misery-pays_b_172882.html)

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Publicado no Jornal Visão Judaica, Curitiba-PR

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