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História e mistificação

9 de maio de 2009 - 2:18:46

Para começar: aquilo não era, nem nunca foi, um “campo de concentração”. Só um ignorante pode afirmar o contrário. O conceito de “campo de concentração” está muito bem demarcado historicamente. Basta ler um Soljenitsyne ou François Furet para se compreender a magnitude do erro e do embuste político.

Tarrafal foi apenas uma prisão. Assim como Caxias, em Portugal, foi uma prisão. Ninguém vai dizer que houve um “campo de concentração” (!!!) em Caxias. O regime de Salazar foi uma ditadura mesquinha. Prendeu muita gente de forma injusta e perseguiu os opositores.

Acontece que, após 1974, a prisão do Tarrafal não foi fechada. A ditadura do PAIGC, que substituiu a do Dr. Salazar, também perseguiu os seus opositores e mandou alguns para o Tarrafal, o célebre “campo de concentração”.

Milagre: os historiadores e os “homens da cultura” de Cabo Verde nunca falam disso! É um tabu. É o segredo mais bem guardado da “Atlântida” ideológica. Censura…

Agora imaginem lá uma coisa: se Salazar estivesse vivo, algum português de bom senso convidaria o velho Professor, em plena democracia, para proferir palestras sobre Peniche ou Caxias, celebrando a liberdade e os direitos sagrados da pessoa humana?!

                 

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Casimiro de Pina é jurista, natural da República de Cabo Verde, colaborador de vários jornais do seu País – Terra Nova, Expresso das Ilhas e Liberal – das revistas jurídicas Direito e Cidadania e Boletim da Ordem dos Advogados. No momento faz curso de pós-graduação em ciências jurídicas em Macau.

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