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Igreja ‘companheira’?

21 de junho de 2010 - 8:58:32

Na referida reunião,
segundo publicado na imprensa, o Sr. Carlos Dias, líder leigo católico, pré-candidato do PT do B ao governo do Estado do Rio de Janeiro,
deixaria de concorrer ao pleito, em apoio a Cabral, e, em troca, seria ofertada à Igreja no Rio a indicação do Secretário de Assistência Social. Parece-nos que a referida Pastoral já assimilou bem como é que se faz política no Brasil.

Mas onde entra o PC do B nesta história? É que os comunistas brasileiros também apóiam a candidatura do Cabral ao governo do Estado. Assim, se o atual governador for reeleito, a Igreja Católica poderá ser companheira dos comunistas. O que lhe parece?

Em que pese o tom jocoso que se possa atribuir aos fatos acima, a atuação da Igreja no Rio neste episódio é coisa séria, e merece reflexão da parte de todos, particularmente, dos católicos fiéis a Roma. Ora, é cediço que acordos políticos devem ser selados com base em princípios e que apoio e participação em governos podem ocorrer desde que haja “identidade de valores” entre as partes envolvidas, e não na base da troca de cargos e interesses menores. É assim que se faz política com qualidade, é assim que dita a norma da boa ética. Desta sorte, a intermediação de Dom Fillipo Santoro, lamentavelmente, acaba difundindo a idéia de que a Igreja Católica, no trato com os agentes do poder público, atua de forma equivalente aos maus políticos, isto é, não para servir a sociedade, mas para dela se servir.

Ademais, a negociação veiculada na imprensa deixa-nos perplexos porque, se concretizada, implicará em apoio da Arquidiocese da cidade do Rio a governo que defende o aborto, a liberação das drogas (*) e que conta, inclusive, com o suporte do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Cabe-nos, então, a pergunta: se não há identidade de valores morais – bem, ao menos aparentemente não há – entre as partes envolvidas em questões crucias como o são a defesa da vida e da repressão às drogas, o que motivaria Dom Fillipo Santoro a negociar a participação da Arquidiocese da cidade do Rio em um governo assim? Qual seria, então, o interesse de Dom Orani Tempesta neste acordo, a quem, em última instância, deve responder a Pastoral dos Católicos na Política? Exceto os negociantes, só Deus sabe.

Outro ponto intrigante é o fato de a Igreja Católica no Rio e o PC do B apoiarem o mesmo governo e poderem vir a ter participação, direta ou indireta, nele. Gramsci deve estar soltando gargalhadas no além e o Papa João Paulo II, quem sofreu e vivenciou o comunismo real, deve estar intercedendo pelos senhores Bispos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (LC 23, 34).

Esta negociação gera uma profunda tristeza em todos os católicos fiéis a Roma, pois os companheiros alhures dos comunistas, onde tiveram a oportunidade, profanaram os templos, as imagens sacras, assassinaram leigos, religiosos, bispos, tudo sem o menor pudor, e, inclusive, até chegaram a exibir os cadáveres de suas vítimas como troféus. Vale lembrar à Pastoral dos Católicos na Política que milhares são as vítimas dos comunistas. Aliás, aqui ao lado, na Venezuela, por exemplo, a Igreja está sofrendo perseguições, e com o apoio do governo do mencionado país, Nosso Senhor Jesus Cristo é pintado na última ceia repartindo o pão com os maiores sanguinários da história recente e contemporânea (Mao, Che, Marulanda das Farcs, Lênin, Fidel etc.), e Nossa Senhora é retratada empunhando um fuzil russo – é o “Socialismo do Século XXI” batendo à nossa porta.

Assim, enquanto nossos irmãos são perseguidos em outros países, a fé católica é tripudiada e a nossa liberdade é posta em cheque pelos comunistas brasileiros através do malfadado PNDH-3, Dom Fillipo Santoro parece estar disposto a sacramentar acordo que na prática pode colocar a nossa Igreja sentada à mesa com os que professam e planejam a sua própria destruição, e até mesmo a banquetear-se com eles. Agora, para que o apoio surta efeito em votos, será preciso que os católicos desavisados sejam induzidos ao erro ou que os atentos sejam convencidos a renunciarem aos valores da vida, da família e a abraçarem a causa da liberação das drogas. Que Deus nos livre e guarde. Amém!

(*) Nota de Heitor de Paola:
Como psiquiatra e psicanalista recomendo especial atenção para este link.

João Paulo do Rio é advogado, membro do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), Professor de Direito Constitucional e Administrativo, pós-graduado em Comércio e Finanças Internacionais pela FGV.


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