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Israel teima em se defender

11 de junho de 2010 - 1:40:47


A posição agressiva de Israel, por mais atenuada que seja pela consideração de que vive em guerra permanente com os vizinhos, não pode ser aceita pelo mundo, pois um Estado não tem o direito de agir como uma facção armada, pois está submetido a uma institucionalidade internacional mínima, sem o acatamento da qual o mundo se entregaria à barbárie. Assim, não é possível contemporizar com o transgressor, sob pena de por em risco o frágil equilíbrio internacional conquistado a duras penas”.

É complicado. O editorialista reconhece que Israel é permanentemente ameaçado pelos vizinhos, mas censura o país por defender-se das agressões. O que fazer, então? Permitir que empregadinhos do Hamas furem o bloqueio a Gaza sem serem inspecionados, só para que o mundo não se entregue à barbárie (eita!) e o editorialista não fique chateado?

“(…) Ademais, não passa pela cabeça de ninguém que os militantes pacifistas levassem armas nas embarcações, visto que estas corriam o risco de ser submetidos a uma fiscalização por Israel. Que tenha havido algum tipo de reação de inconformismo diante do assalto dos barcos pelas tropas israelenses, isso é de esperar quando se lida com manifestações políticas de massas. Mas, a resposta foi desproporcional ao desafio, já que partiam de pessoas desarmadas, enquanto o outro lado contava com um poder de fogo descomunal“.

Minta o quanto quiser, senhor editorialista. As imagens estão aí para qualquer um ver – e negar o que estiver vendo, no seu caso. Os soldados israelenses descem do helicóptero e são espancados pelos pacifistas com bastões de ferro, arremessados do convés, têm suas armas tomadas, levam tiros. Um pacifista joga uma granada contra os soldados. Foi essa a “reação de inconformismo” do pessoal da pomba da paz.

Quanto à “resposta desproporcional” (sempre este adjetivo), fica subentendido que, para o editorialista, os soldados israelenses deveriam ter cometido suicídio naquele barco. Tenho para mim que qualquer soldado, ao virar alvo de tiro, tem o direito de revidar. Mas o editorialista pensa diferente. Os soldados israelenses não podem reagir. Espancados e baleados, eles deveriam ter adotado a posição de lótus e aceitado a morte com serenidade, agradecidos, para não magoar o que o editorialista chama de consciência democrática internacional (é uma graça).

“A consciência democrática internacional exige uma posição firme dos países detentores do poder mundial, pois se Israel ficar impune, estará dada a senha para outras perturbações da ordem internacional. E os países que poderiam impedi-las ficarão desacreditados para tomar qualquer iniciativa pacificadora. Não é por outra razão que o Brasil condena a ação de Israel e pede uma investigação rigorosa”.

Além de bajular a política externa de Lula (aliado de Mahmoud Ahmadinejad, financiador do terror islâmico), o editorialista exime-se de cobrar uma investigação rigorosa sobre a organização turca IHH, íntima do Hamas, que armou todo esse circo midiático para Israel sair nas manchetes como o país truculento que massacra pacifistas que cantavam All You Need Is Love no convés. Típico.

Republico aqui o comentário feito no Povo online pelo Saulo Tavares, diretor de comunicação da Sociedade Israelita do Ceará, a quem mando um abraço aproveitando o ensejo:

“O grande problema com esse editorial é que nos filmes divulgados sobre o episódio vê-se claramente que os soldados descem sem atirar, e são imediatamente cercados e atacados violentamente com bastões e barras de ferro por parte dos “militantes pacifistas”.

Os helicópteros, dotados de visão noturna, viram claramente que o convés estava cheio de “militantes pacifistas”, mais de uma centena, que obviamente haviam se preparado para um eventual ataque israelense.

Ainda que os “militantes pacifistas” pro-palestinos não portassem armas de fogo, dispunham de barras de ferro, punhais e outras armas improvisadas. E as usaram… Os primeiros israelenses a descer foram recebidos a golpes de paus e barras de ferro e a seguir facas, socos e ponta-pés. Enfim, tudo que os “militantes pacifistas” dispunham. Dois soldados foram dominados e atirados a um andar abaixo. Vimos, pela TV, uma verdadeira batalha campal no convés do navio Mármara, de bandeira turca. O mais interessante é que a tal ONG foi fundada por um integrante turco do hamas…

Na realidade foi tudo muito bem planejado pelos líderes do hamas e seu pessoal a bordo dos navios, com os quais pretendiam romper o controle que Israel exerce em Gaza, através do bloqueio. A ordem era atacar os soldados que se aproximassem dos navios. Com tudo à sua diposição. Bastões, barras de ferro, ferramentas, etc. Atacaram e tentaram tomar armas dos soldados que reagiram. Resultado da “aventura da solidariedade”: 9 mortos e muitos feridos.

A reação dos simpatizantes do Hamas era prevista e estava na cara. Só o autor do editorial não viu? Enfim, O Povo marca mais uma vez sua posição contrária a Israel em qualquer situação, mesmo que os detalhes demonstrem que as “vítimas” do ataque não eram tão vítimas assim…

Saulo Tavares”

Atualizando:

Mais comentários de leitores publicados no Povo online. Um abraço também para o Roger Prado, do Cafeinado:

pirando na batatinha.

Francisco Ribeiro Mendes: “Muito sensacionalismo em torno da ofensiva israelense ao tal “comboio humanitário”. Nós que somos pacíficos – ou pelo menos éramos até antes de colocarem o Brasil nessa questão maldita do Oriente Médio – podemos entender a situação de Israel tomando-se por base a nossa insegurança com a bandidagem daqui. Por exemplo: você ficaria parado olhando um indivíduo entrar pela janela da sua casa, até descobrir o que ele pretende fazer? Não suspeitaria de nada, se visse alguém pular o muro do seu quintal para levar qualquer coisa ao seu vizinho e inimigo? É muita pretensão querer que Israel acredite que a flotilha estava em missão de paz e que levava só mantimentos e remédios para a Faixa de Gaza, e não aceitar que Israel desconfiasse que entre os ativistas dessa frota pudessem existir membros do grupo terrorista Hamas tentando entrar no Estado judeu. Sabemos que houve uma brutalidade. Mas a brutalidade será muito maior no dia que Israel facilitar para inimigos como os que o ameaçam varrê-lo da face da Terra. Não interessa se estavam desarmados ou se levavam mantimentos e remédios. O certo é que houve uma provocação. E, por falar em provocação, já que o governo Lula anda tão solidário à causa palestina, gostaria que fosse explicada a razão da carta da ativista brasileira que estava a bordo da embarcação, escrita quando a flotilha estava se organizando para partir, ter sido lida no Senado por um senador do PT. Por acaso seria uma confirmação da participação do Brasil nessa provocação?”

Roger Prado: “Ué? Os vídeos mostram algo totalmente diferente daquilo que o colunista afirma. Se o colunista não acredita no que estou dizendo, então que acredite em seus próprios olhos e vá olhar o vídeo, disponível em centenas de sites na Internet. Será que estou vivendo em um mundo paralelo? Hmmm…”

Roger Prado: “Acho que realmente houve ataque desproporcional nesse evento: eram dezenas de “pacifistas” batendo com pau em três soldados. Dezenas contra três.”

Saulo Tavares: “Lembrei até daquela música do Chico Buarque, Carolina. Com uma letra referente ao editorial podia até dizer: “Eu bem que mostrei a ela, o vídeo passou em toda tela e só o povo não viu…” Aliás é curioso, essa ira santa demonstrada pelo jornal contra Israel não se vê contra o Sudão (país muçulmano que promove genocídio de sua população cristã), contra a China (que ocupa o Tibet e executa naquele país tudo que acusam, o povo inclusive, Israel de praticar com os árabes), contra o Irã e a Coréia do Norte (que promovem, eles sim, terrorismo de estado ao ameaçar seus vizinhos com ataques nucleares). Enfim, dois pesos e duas medidas, parcialismo, má vontade com uma democracia que luta contra inimigos ardilosos e inescrupulosos que não se furtam de usar todos os meios para destruí-la. Mau jornalismo, enfim.”

 

Bruno Pontes é jornalista – http://brunopontes.blogspot.com

 

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